AGRONEGÓCIO
Colmeia Viva fortalece integração entre agricultura e apicultura com foco em sustentabilidade e tecnologia
AGRONEGÓCIO
Falta de comunicação no campo desafia preservação de polinizadores
A ausência de comunicação direta entre agricultores e apicultores ainda representa um dos principais desafios para a preservação de polinizadores durante o manejo fitossanitário. A falta de जानकारी sobre a localização das colmeias e o cronograma de aplicações nas lavouras dificulta a adoção de medidas preventivas simples, aumentando o risco de incidentes.
Com o objetivo de reduzir esse distanciamento e proteger as abelhas, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) desenvolveu o programa Colmeia Viva.
Iniciativa promove convivência entre produção agrícola e apicultura
O programa tem como foco estimular a convivência harmônica entre agricultura e apicultura, considerada essencial tanto para a segurança alimentar quanto para a preservação da biodiversidade.
Segundo a bióloga e analista de Uso Correto e Seguro do Sindiveg, Isabela Rivato, o principal objetivo é proteger abelhas e outros polinizadores, ao mesmo tempo em que se mantém a produtividade agrícola por meio do uso adequado de tecnologias de proteção de cultivos.
A especialista ressalta que o diálogo entre os setores é a estratégia mais eficaz para prevenir problemas no campo.
Uso responsável de defensivos é essencial para proteger abelhas
De acordo com Isabela Rivato, o Sindiveg defende o uso responsável de defensivos agrícolas, garantindo que a produtividade não resulte em prejuízos às colmeias.
Os defensivos são ferramentas importantes no controle de pragas, mas seu uso correto é fundamental para preservar os polinizadores, proteger as pessoas e reduzir impactos ambientais.
Capacitação técnica e educação impulsionam boas práticas
Para promover a conscientização, o Colmeia Viva investe na disseminação de conhecimento técnico por meio de ações educativas e treinamentos especializados.
O programa disponibiliza cursos online gratuitos em sua plataforma, abordando boas práticas agrícolas, técnicas de polinização e manejo seguro de defensivos. O conteúdo é complementado por um Manual de Boas Práticas, que detalha a relação entre abelhas e biodiversidade, além de classificar culturas conforme a dependência de polinização.
Programa atua como ponte entre indústria, produtores e apicultores
O Colmeia Viva também se destaca por atuar como um elo entre a indústria de defensivos, agricultores e apicultores, promovendo uma produção mais integrada e sustentável.
A iniciativa contribui para consolidar um modelo de produção agrícola que equilibra produtividade e responsabilidade ambiental.
Tecnologia e suporte ampliam prevenção e monitoramento
Além das ações educativas, o programa oferece suporte técnico gratuito em todo o Brasil por meio de um canal 0800, que orienta produtores, esclarece dúvidas e recebe relatos de mortalidade de abelhas.
Outro destaque é o Colmeia Viva App, ferramenta que permite a comunicação antecipada sobre pulverizações entre agricultores e apicultores. Com isso, torna-se possível adotar medidas preventivas e proteger as colmeias, reduzindo riscos no campo.
Sustentabilidade e integração fortalecem o futuro do agro
Com foco na integração entre tecnologia, educação e diálogo, o Colmeia Viva reforça a importância de práticas sustentáveis no campo.
A iniciativa contribui para a proteção dos polinizadores e fortalece a construção de um agronegócio mais responsável, eficiente e alinhado às demandas ambientais atuais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor
A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.
O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.
Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.
A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.
Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.
O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.
Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.
As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.
A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.
O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.
As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.
Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.
Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.
“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.
O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro
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