AGRONEGÓCIO
Corretivo sustentável passa a integrar o RenovaBio e amplia geração de créditos de carbono no campo
AGRONEGÓCIO
O uso do silicato de cálcio e magnésio como corretivo de solo passou a ser reconhecido no RenovaBio, política nacional de biocombustíveis, abrindo novas oportunidades para produtores rurais ampliarem a geração de Créditos de Descarbonização (CBIOs). A novidade já beneficia produtores de cana-de-açúcar e deve ser estendida, nos próximos meses, também às culturas de milho e soja.
Inclusão na RenovaCalc permite acesso a novos benefícios
A atualização da RenovaCalc — ferramenta que calcula a intensidade de carbono na produção de biocombustíveis — passou a incluir um campo específico para o uso do silicato de cálcio e magnésio como corretivo de solo.
Com isso, produtores que utilizam o insumo AgroSilício, produzido pela Harsco Environmental e comercializado pela Agronelli, podem declarar seu uso no sistema e potencializar a geração de CBIOs, títulos negociados na Bolsa de Valores.
Redução de emissões amplia geração de CBIOs
O diferencial do AgroSilício está na menor pegada de carbono em comparação aos corretivos tradicionais. Considerando produção e transporte, o produto apresenta emissão cerca de 44% inferior à dos calcários convencionais.
Além disso, no uso em campo, o silicato não emite CO₂ durante a reação com o solo, ao contrário do calcário calcítico e dolomítico, que liberam 44% e 48% de CO₂, respectivamente, com base em parâmetros do IPCC.
Essa redução nas emissões permite ao produtor certificado no RenovaBio gerar maior volume de CBIOs, criando uma fonte adicional de receita.
Cada CBIO corresponde a uma tonelada de carbono que deixou de ser emitida, podendo ser adquirida por empresas e investidores interessados em compensar emissões.
Expansão prevista para milho e soja
Atualmente, a utilização do silicato de cálcio e magnésio na RenovaCalc contempla a cadeia da cana-de-açúcar. No entanto, a expectativa do setor é que, em breve, a ferramenta também passe a incluir o insumo para produtores de milho e soja, ampliando o alcance da tecnologia no agronegócio brasileiro.
Estudo da Embrapa viabilizou inclusão do insumo
A entrada do silicato de cálcio e magnésio no RenovaBio foi possível a partir de estudos conduzidos pela Embrapa Meio Ambiente, que avaliaram o desempenho ambiental do insumo e determinaram sua pegada de carbono.
A análise confirmou os benefícios do produto em termos de redução de emissões, permitindo sua inclusão na metodologia oficial da RenovaCalc.
Ganhos de produtividade e eficiência no campo
Além dos benefícios ambientais, o uso do AgroSilício também contribui para o aumento da produtividade agrícola.
O corretivo reduz o tempo de preparo do solo para cerca de um terço do necessário com o uso de calcário. Outro diferencial é a presença de aproximadamente 10% de silício em sua composição, o que fortalece as plantas, aumentando a resistência a pragas e doenças.
Esse conjunto de fatores contribui para a redução de custos operacionais e para o aumento da rentabilidade do produtor rural.
Economia circular fortalece sustentabilidade no agronegócio
O AgroSilício é produzido a partir do reaproveitamento de subprodutos da indústria siderúrgica, em um modelo de economia circular que transforma resíduos em insumos agrícolas de alto valor.
A produção ocorre na unidade da Harsco Environmental em Timóteo (MG), com volume anual de aproximadamente 350 mil toneladas, distribuídas em todo o país pela Agronelli.
Programa beneficia agricultura familiar em Minas Gerais
Além da atuação no mercado, a Harsco Environmental mantém parceria com o Governo de Minas Gerais para a doação anual de 10 mil toneladas do corretivo a agricultores familiares.
A iniciativa, iniciada em 2024, tem como objetivo fortalecer a produção e a competitividade dos pequenos produtores rurais do estado.
A distribuição é realizada pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), com apoio das prefeituras, enquanto a assistência técnica é oferecida pela Emater-MG, que orienta desde a análise do solo até a aplicação adequada do insumo.
Sustentabilidade e inovação impulsionam o setor
A inclusão do silicato de cálcio e magnésio no RenovaBio reforça o avanço de práticas sustentáveis no agronegócio brasileiro, aliando inovação tecnológica à redução de emissões.
A iniciativa também amplia as oportunidades de geração de renda no campo, ao integrar produtividade agrícola com mecanismos de mercado voltados à descarbonização.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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