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No Dia dos Povos Indígenas, TJAC destaca ações de cidadania que garantem direitos à população originária
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Medidas ampliam acesso à documentação, serviços públicos e reconhecimento da identidade indígena; confira a reportagem especial
Os povos originários sempre influenciaram a cultura e a história do Acre. O nome do estado deriva de “Aquiri”, termo da língua dos indígenas Apurinã que habitavam a região e significa “rio dos jacarés”. A culinária também é marcada pela presença de ingredientes nativos, como mandioca, tucupi, jambu e peixes, sempre presentes na mesa dos acreanos.
Essa relação com os povos indígenas é uma característica marcante do Acre, que concentra uma grande diversidade de etnias em seu território. São pelo menos 15 povos diferentes, além de grupos isolados. Segundo o Censo 2022, a população originária corresponde a cerca de 32 mil pessoas. Há 35 Terras Indígenas (TIs), o que representa 14,56% do território estadual.
Diante da expressiva presença indígena, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) tem adotado estratégias e medidas para garantir a proteção dos direitos dos povos originários. Neste 19 de abril, data em que se comemora o Dia dos Povos Indígenas, confira, nesta reportagem especial, as ações desenvolvidas pelo Poder Judiciário acreano em prol da população ancestral.
Corrigir documentos é reparação histórica
Historicamente, os indígenas enfrentam preconceito para registrar nome e identidade étnica. Ciente disso, em abril de 2025, a Corregedoria-Geral da Justiça do Acre (Coger) aprovou uma norma que possibilita a retificação da certidão de nascimento sem a necessidade de ação judicial. A medida se baseia em uma resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A ideia do Judiciário acreano é agilizar a alteração do nome e sobrenome, a inserção da etnia e a correção nos documentos de pessoas autodeclaradas indígenas. A instituição entende ser necessária uma reparação histórica com os povos ancestrais do estado, ainda alvos de preconceito e discriminação.
Por isso, o procedimento foi facilitado. Anteriormente, era necessário ajuizar uma ação para realizar qualquer alteração no registro. Agora, o processo ficou mais fácil, rápido e barato. Basta solicitar ao cartório extrajudicial mais próximo, caso a mudança seja para corrigir equívocos históricos, como a ausência da etnia ou do sobrenome na certidão de nascimento.
Cidadania para todos
O TJAC também tem realizado ações que facilitam o reconhecimento da diversidade cultural e da autodeterminação dos povos indígenas no Acre. A principal delas é o Projeto Cidadão, trabalho social que facilita o acesso gratuito à documentação e a serviços públicos. Desde 2021, a instituição realiza edições direcionadas à população originária, sendo os atendimentos promovidos dentro das próprias comunidades.




A medida permite superar as barreiras logísticas no atendimento à população indígena, especialmente em áreas remotas. Até o momento, uma variedade de etnias do estado foi beneficiada, como os Puyanawa, Huni Kuin, Kulina, Kampa, Madja, Nukini, Nawa, Shanenawa, Ashaninka e Manchineri. Essa lógica aplicada pelo Judiciário acreano rompe com o histórico de exclusão ao descentralizar os serviços públicos e garantir acesso equitativo.
Entre os serviços mais buscados estão a retificação de documentos, como certidão de nascimento e identidade, bem como a formalização da união por meio do casamento coletivo. Como novidade da atual gestão, foram incluídos atendimentos da Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) e da Coordenadoria das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv).
Compromisso com as pessoas
Em 2025, a primeira edição do Projeto Cidadão realizada na administração do desembargador Laudivon Nogueira ocorreu na Aldeia São Vicente, do povo Huni Kuin, em Tarauacá. De acordo com o chefe do Judiciário acreano, o propósito da ação foi demonstrar o compromisso do Tribunal de Justiça com a inclusão social, principalmente das populações indígenas: “Mostrar que é uma instituição parceira da sociedade, não só no julgamento das causas, mas na construção de uma cidadania ativa”.




O cacique da aldeia São Vicente, Amẽ Huni Kuin, falou da satisfação em não precisar sair por horas ou até dias para obter atendimento: “Estou falando diretamente da minha casa, do meu povo, da minha aldeia, dentro da floresta. Esse é um sonho realizado”. O líder indígena acrescentou sobre a sensibilidade do Poder Judiciário às necessidades específicas dos povos originários: “Somos parceiros para virem fortalecer a nossa união, fortalecer a nossa cidadania”, afirmou.
Ibatsei Huni Kuin aproveitou o projeto do TJAC e solicitou a documentação de seus quatro filhos, três garotos e uma menina. “É muito longe para eu ir para a cidade daqui. É importante virem aqui para a gente poder tirar documento”, explicou. Em Santa Rosa do Purus, o casal Manoel e Josefa, ambos indígenas, disseram “sim” oficialmente e selaram a união de mais de 30 anos no casamento coletivo.
Continuidade dos serviços à população indígena
Este ano, o TJAC já garantiu a emissão de documentos básicos a sete povos indígenas. Foram mais de 140 pessoas atendidas — um esforço contínuo da instituição para combater a invisibilidade social dessa população. Nesta primeira ação, o Tribunal ofertou uma vasta gama de serviços públicos, em especial nas áreas da saúde e da assistência social.
O Tribunal de Justiça prevê, ainda, ao menos cinco edições do Projeto Cidadão voltadas aos povos originários em 2026. Conforme o calendário de ações, o primeiro atendimento está previsto para junho, com a etnia Katukina; em agosto, na cidade de Feijó; em novembro, na Terra Indígena Nukini e na Comunidade São Salvador, ambas em Mâncio Lima; depois, em Santa Rosa do Purus; finalizando, em dezembro, no município de Jordão.









Fotos: Elisson Magalhães e Gleilson Miranda/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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Histórias de resgate de cidadania marcam último dia de atendimentos do Registre-se em Xapuri
Certidões de Nascimento, novo Registro Geral, serviços de saúde e assistência social foram ofertados durante o mutirão de atendimentos à população da cidade, na sexta-feira, 17, encerrando a 4ª Semana Nacional do Registro Civil, o Registre-se
No último dia de atendimentos da 4ª Semana Nacional do Registro Civil, o Registre-se, realizados na sexta-feira, 17, em Xapuri, na Escola Estadual Divina Providência, três histórias traduzem o significado de ter documentos e comprovam a necessidade desse trabalho de mutirões de emissão do registro civil e da identidade.
A primeira é de dona Maria de Lourdes do Nascimento. Com 88 anos, acompanhada da nora e do filho caçula, ela participou de audiência para obter o registro de óbito tardio de seu esposo, Francisco Augustino de Nascimento, que faleceu de câncer há 27 anos e foi sepultado, mas não tinham tirado o documento, porque, segundo dona Maria, “o pessoal não entendia de nada naquele tempo, nem caixão a gente comprava, mandava fazer, não sabia ler, nós fomos tudo criado no mato, ninguém sabia de nada, não. Eu sei que ele tá enterrado, porque vou lá visitar todo ano”.
Agora, ela precisou da certidão porque uma equipe do governo passou pelo seu bairro fazendo a regularização fundiária e ela ficou de fora por não ter o documento, pois o terreno foi comprado pelo marido para a família. Hoje ela mora no imóvel com as casas dos filhos ao redor e precisa da documentação para deixar as coisas organizadas para os filhos e filhas. E ela pôde fazer isso devido ao acesso facilitado pelo mutirão de atendimento, recebendo a certidão de óbito do marido. Com o papel em mãos, as vidas de dona Maria e de seus nove filhos foram impactadas; eles agora poderão acessar outros direitos, como o documento do terreno onde moram, e ela pode pedir a pensão por morte.




Desde segunda-feira, 13, estão sendo ofertados serviços de emissão de registro civil e identidades em todo o país pela 4ª Semana Nacional do Registro Civil, um programa criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No Acre, a Corregedoria-Geral da Justiça (Coger) e a Coordenadoria de Apoio aos Projetos Sociais (Coaps) do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) levaram esses serviços a reeducandas e reeducandos do regime fechado na capital e em Tarauacá, a indígenas e, por fim, aos moradores de Xapuri. O encerramento dos atendimentos na cidade teve a visita da desembargadora Waldirene Cordeiro, acompanhada do juiz de direito Luis Pinto e autoridades locais.
A coordenadora da Coaps, Isnailda Silva, explicou sobre a relevância desse trabalho: “Estamos fechando com chave de ouro o Registre-se aqui em Xapuri, um trabalho muito importante que além de trabalhar a erradicação do sub-registro civil, também estamos oportunizando à população o acesso a serviços básicos como documentação, saúde, assistência social e realização de audiências. O Tribunal de Justiça continua levando cidadania e justiça social às pessoas”.
Em Xapuri, a equipe da Justiça ainda agregou alguns outros serviços nesta 4ª edição do Registre-se, por meio do Projeto Cidadão e da Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) do TJAC e com o apoio dos parceiros do Município e Estado: Bolsa Família, CadÚnico, cartório extrajudicial, emissão de RG, atendimentos do Ministério Público do Acre (MPAC) e da Defensoria Pública Estadual (DPE-AC), e também serviços de saúde, como: nutricionista, farmácia, psicologia, vacinação, dentista, exame PCCU, consultas médicas e testes rápidos.









Vapt-vupt e tem o documento
O trâmite burocrático pode dificultar a vida de quem mora em áreas rurais; os custos também são fatores impeditivos para a população ter documentos básicos, como demonstra a história do cadeirante Raimundo Nonato Pereira da Silva, 78 anos, e Beatriz Pereira da Silva, 77 anos. O casal completa 58 anos de casado e procurou os atendimentos para tirar o novo RG. Seu Raimundo contou que a identidade antiga já tinha mais de 43 anos. Para o idoso, que residia junto com a família no seringal Floresta, esses mutirões representam oportunidade e rapidez: “Lá no seringal não tem essas coisas para gente, só nesses atendidos itinerantes, que é vapt-vupt e de graça”.
Mas, se a pessoa não tem condições de se deslocar até a escola, o Instituto de Identificação Raimundo Hermínio Melo, da Polícia Civil, parceiro da Justiça, vai até a cidadã, como foi o caso de Antônia Lopes da Silva, que recebeu a certidão de nascimento em mãos e, na oportunidade, foram coletadas digitais e fotos para emitir o RG. Ela tem 55 anos, é pessoa com deficiência (tem hidrocefalia) e, em uma visita, obteve acesso a esses dois documentos: a certidão de nascimento e o RG. Sorridente e animada, Antônia agradeceu e disse que agora “tá joia e tudo bem”.









Fotos: Elisson Magalhães/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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