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Mercado de café segue volátil em 2026 com pressão de oferta e estoques baixos, aponta Rabobank

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O Rabobank divulgou a nova edição do relatório AgroInfo – Q1 2026, trazendo uma análise detalhada do mercado global de café, que segue marcado por forte volatilidade e pressões tanto do lado da oferta quanto da demanda.

De acordo com o banco, o comportamento recente dos preços reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais, incluindo movimentações de fundos, exportações mais fracas e mudanças no consumo.

Oferta elevada e expectativa de safra robusta pressionam preços

Um dos principais pontos destacados no relatório é a expectativa de uma safra volumosa, especialmente no Brasil, o que tende a aumentar a oferta global e exercer pressão baixista sobre os preços.

As condições climáticas favoráveis vêm contribuindo para o bom desenvolvimento das lavouras, elevando as projeções de produção para a safra 2026/27.

Esse cenário reforça a percepção de maior disponibilidade futura do produto, fator que já começa a ser precificado pelo mercado.

Estoques globais baixos aumentam sensibilidade do mercado

Apesar da perspectiva de aumento da oferta, o Rabobank destaca que os estoques globais de café permanecem em níveis historicamente baixos.

Segundo dados do USDA, os estoques mundiais estão em cerca de 20,1 milhões de sacas, o menor patamar dos últimos cinco anos, o que contribui para manter o mercado sensível a oscilações.

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Essa combinação — estoques reduzidos e expectativa de safra maior — cria um ambiente de instabilidade, com movimentos frequentes nos preços.

Exportações brasileiras recuam e reforçam viés baixista

Outro fator relevante apontado pelo relatório é a queda nas exportações brasileiras. Dados do Cecafé indicam retração de 23,5% em fevereiro na comparação anual.

Esse desempenho mais fraco contribui para reforçar o viés de baixa nos preços no curto prazo, mesmo com o Brasil mantendo forte presença nos mercados internacionais, especialmente na Europa.

Consumo interno menor também pesa sobre o mercado

No mercado doméstico, a demanda por café apresentou recuo. Segundo a ABIC, o consumo brasileiro caiu 2,3% em 2025, totalizando 21,4 milhões de sacas.

A redução está associada aos preços mais elevados no varejo, que impactam diretamente o comportamento do consumidor.

Produtores seguram vendas à espera de melhores preços

Mesmo diante da pressão de baixa, muitos produtores brasileiros seguem capitalizados e optam por reter seus estoques, aguardando melhores oportunidades de comercialização.

Essa postura reduz a oferta imediata no mercado físico e pode gerar movimentos pontuais de alta nos preços.

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Cenário internacional e custos de insumos adicionam incerteza

O relatório também aponta que o ambiente macroeconômico e geopolítico segue influenciando o mercado cafeeiro.

A alta nos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, pode elevar custos de insumos importantes, como fertilizantes, aumentando a incerteza para os produtores.

Tendência é de pressão no curto prazo, com volatilidade persistente

De forma geral, o Rabobank avalia que o mercado de café deve continuar operando sob pressão no curto prazo.

A combinação de safra robusta, exportações mais lentas e consumo retraído tende a manter os preços pressionados, enquanto os estoques baixos e a retenção de oferta pelos produtores devem sustentar episódios de volatilidade.

O comportamento climático, o câmbio e os movimentos dos fundos financeiros seguirão como fatores-chave para a trajetória do mercado ao longo de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Carne, café e soja terão que comprovar origem a partir de 30 de dezembro

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Produtores, cooperativas e exportadores brasileiros que abastecem o mercado europeu têm menos de três meses para revisar as informações de origem dos produtos sujeitos ao Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR). A aplicação começa em 30 de dezembro para grandes e médios operadores abrangidos pela norma. A preparação exige identificar as áreas de produção, conferir fornecedores e reunir evidências de regularidade.

O regulamento alcança bovinos, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja, madeira e determinados derivados. Para entrar no mercado europeu, os produtos incluídos precisam atender a dois critérios: estar livres de desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020 e ter sido produzidos conforme a legislação aplicável no país de origem.

Isso significa que uma autorização de supressão de vegetação concedida no Brasil não afasta, por si só, o critério europeu. O comprador responsável pela entrada da mercadoria no bloco terá de verificar tanto a legalidade da produção quanto o histórico da área.

A localização é uma das informações centrais. Para produtos agrícolas, o regulamento exige a geolocalização das áreas onde a matéria-prima foi produzida. Quando um lote reúne produção de diferentes propriedades, as respectivas origens precisam ser identificadas.

Na pecuária, a exigência envolve os estabelecimentos onde os bovinos foram mantidos. A organização dos dados, portanto, precisa alcançar as etapas anteriores ao fornecimento para o abate, conforme os requisitos aplicáveis ao produto.

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O Cadastro Ambiental Rural (CAR) pode integrar o conjunto de informações utilizado na comprovação. Sua apresentação, entretanto, precisa estar acompanhada de dados e evidências verificáveis sobre a área, a produção e sua conformidade. Divergências entre coordenadas, documentos e registros dos fornecedores podem dificultar a análise.

A obrigação de realizar a chamada diligência devida, processo de coleta de informações e avaliação de riscos, recai principalmente sobre o operador que introduz o produto no mercado europeu pela primeira vez ou o exporta da União Europeia. O produtor brasileiro que fornece a uma empresa responsável pela exportação pode receber pedidos de informações necessários ao cumprimento dessas obrigações.

Essa diferença também importa para os prazos. A maior parte dos micro e pequenos operadores abrangidos terá até 30 de junho de 2027, mas isso não assegura automaticamente um prazo adicional ao pequeno produtor brasileiro. Quem abastece um comprador sujeito às regras em dezembro precisa organizar os dados conforme as necessidades dessa cadeia.

Há uma exceção no calendário: micro e pequenos operadores já alcançados pelo regulamento europeu da madeira deverão cumprir a EUDR a partir de 30 de dezembro de 2026.

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O Brasil está classificado pela Comissão Europeia como país de risco padrão. Por isso, os produtos brasileiros não recebem, de forma geral, a simplificação da diligência reservada às origens de baixo risco. O operador deve avaliar as informações e adotar medidas para reduzir eventuais riscos de descumprimento.

Quando os dados obrigatórios não podem ser obtidos, o produto não pode ser colocado no mercado europeu pelo operador sujeito à regra. Os documentos da diligência devem ser conservados por cinco anos.

A lista de produtos também merece atenção. Segundo a Comissão Europeia, itens acrescentados ao alcance da norma em 2026, como café solúvel, determinados derivados do óleo de palma e línguas bovinas congeladas, estarão sujeitos às exigências a partir de 30 de dezembro de 2027.

Para preparar os próximos embarques, o primeiro passo é confirmar com o comprador quais produtos e operações estão abrangidos. Depois, conferir as localizações, relacionar cada fornecimento à sua origem e organizar o histórico das áreas e os documentos de legalidade. A revisão antecipada permite identificar lacunas antes que elas comprometam a comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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