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Agro brasileiro registra safra recorde, mas crise estrutural pressiona produtores e eleva endividamento

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O agronegócio brasileiro atravessa um momento de forte contraste entre desempenho produtivo e sustentabilidade financeira. Mesmo com a expectativa de uma safra superior a 350 milhões de toneladas de grãos, cresce o número de produtores rurais em dificuldade econômica, evidenciando fragilidades estruturais no setor.

De acordo com dados da Serasa, o número de pedidos de recuperação judicial no campo chegou a 1.990 em 2025, o que representa um aumento de 56,4% em relação aos 1.272 registrados em 2024. O avanço reforça o cenário de pressão financeira, mesmo diante de resultados recordes na produção.

Safra recorde de soja e queda na rentabilidade

As projeções da Companhia Nacional de Abastecimento apontam que a safra de soja 2025/2026 deve superar 178 milhões de toneladas, com destaque para estados do Centro-Oeste, como Goiás e Mato Grosso do Sul.

Apesar do volume expressivo, a rentabilidade do produtor rural recuou de forma significativa. A saca da soja, que chegou a cerca de R$ 200 em 2022, atualmente gira em torno de R$ 100, reduzindo as margens e comprometendo a sustentabilidade financeira das propriedades.

Crise estrutural vai além da gestão individual

O cenário atual indica que os desafios enfrentados pelo agronegócio não se limitam à gestão individual das propriedades. Trata-se de uma crise estrutural, marcada pelo descompasso entre indicadores macroeconômicos e a realidade vivida no campo.

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Segundo especialistas, o produtor segue ampliando a produção, mas sem a correspondente geração de lucro, operando muitas vezes no limite ou até no prejuízo.

Modelo produtivo amplia exposição ao risco

Com margens reduzidas e aumento do endividamento, muitos produtores têm ampliado a área plantada como estratégia para compensar perdas. No entanto, essa decisão eleva o nível de risco da atividade.

Além disso, instrumentos como CPRs (Cédulas de Produto Rural), operações de barter e contratos com tradings mantêm o produtor comprometido com a produção, mesmo em cenários adversos de mercado.

Endividamento supera R$ 1,3 trilhão no Brasil

O endividamento do setor agropecuário já ultrapassa R$ 1,3 trilhão, sendo aproximadamente 30% desse total concentrado em bancos e cooperativas de crédito.

As taxas de juros elevadas, que podem chegar a 25% ao ano em algumas operações, aumentam o custo do financiamento e pressionam ainda mais o fluxo de caixa dos produtores.

Clima irregular intensifica perdas e incertezas

As condições climáticas também contribuem para o agravamento do cenário. A região Sul tem enfrentado perdas relevantes devido a estiagens e enchentes, enquanto áreas do Centro-Oeste, como Goiás, lidam com chuvas irregulares.

Essa instabilidade compromete o desenvolvimento das lavouras e eleva custos com irrigação e manejo, tornando o planejamento agrícola mais complexo e arriscado.

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Custos de produção seguem pressionados

Os custos operacionais continuam elevados e impactam diretamente a rentabilidade do produtor:

  • Fertilizantes nitrogenados registraram alta ao longo de 2025
  • O mercado de defensivos movimentou cerca de US$ 11 bilhões em 2024
  • O diesel segue como um dos principais componentes de custo, especialmente em regiões distantes dos portos

Esse cenário amplia a pressão sobre as margens e reduz a competitividade, principalmente para produtores com menor escala.

Pequenos e médios produtores são os mais vulneráveis

A crise atinge com maior intensidade pequenos e médios produtores, que possuem menor acesso a crédito mais barato e instrumentos de proteção financeira.

Nesse contexto, cresce a importância da assessoria especializada para renegociação de dívidas, revisão de contratos e preservação do patrimônio rural.

Setor enfrenta desafio estrutural de longo prazo

O atual momento do agronegócio brasileiro evidencia um desafio estrutural, que envolve fatores econômicos, climáticos e financeiros.

Sem medidas mais amplas para equilibrar custos, acesso ao crédito e gestão de riscos, o país tende a seguir convivendo com um cenário de alta produção e fragilidade financeira no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mais terra, crédito e tecnologia para mulheres podem ampliar produção e renda no campo

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Ampliar o acesso das mulheres à terra, ao crédito e à tecnologia pode aumentar a produção de alimentos e a renda no campo. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), eliminar as diferenças de produtividade e remuneração entre mulheres e homens nos sistemas agroalimentares elevaria o Produto Interno Bruto (PIB) mundial em aproximadamente 1% e reduziria em 45 milhões o número de pessoas em insegurança alimentar.

A estimativa dá dimensão econômica ao apelo feito pela ONU Mulheres nesta quinta-feira (15), Dia Internacional da Mulher Rural. A entidade cobrou de governos, bancos e empresas investimentos diretamente nas produtoras e a retirada de obstáculos que limitam sua participação nos negócios. A mobilização ocorre em 2026, declarado pelas Nações Unidas o Ano Internacional das Mulheres na Agricultura.

No Brasil, o Censo Agropecuário de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou mulheres na direção de 18,7% dos estabelecimentos, ante 12,7% em 2006. Eram cerca de 947 mil unidades sob comando feminino.

A diferença aparece também no tamanho das áreas. Uma análise dos dados censitários feita pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o IBGE e o Ministério da Agricultura, mostrou que os estabelecimentos dirigidos por mulheres somavam aproximadamente 30 milhões de hectares, apenas 8,5% da área total. O Nordeste concentrava 57% das unidades comandadas por produtoras.

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A presença feminina na gestão é maior quando se considera a administração compartilhada. Segundo o IBGE, cerca de 817 mil mulheres dividiam a direção com o cônjuge. Somadas às que apareciam como dirigentes, eram aproximadamente 1,76 milhão na condução dos estabelecimentos em 2017.

O avanço também aparece em dados recentes de trabalho. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apontou aumento da participação relativa feminina no agronegócio no primeiro trimestre de 2026. Isso ocorreu porque a ocupação caiu menos entre as mulheres, 0,5%, do que entre os homens, 1,2%. A pesquisa abrange toda a cadeia, incluindo indústria e serviços.

No cenário mundial, a FAO identifica uma diferença de 24% na produtividade da terra entre propriedades de mesmo tamanho conduzidas por mulheres e homens. O relatório, publicado em 2023, relaciona essa distância à discriminação e ao acesso desigual a financiamento, capacitação, tecnologia e direitos sobre a terra.

Isso significa que comparar apenas o volume colhido deixa parte do problema de fora. A disponibilidade de dinheiro para comprar insumos, de equipamentos adequados e de orientação técnica interfere no resultado da lavoura. As mulheres também acumulam com maior frequência o trabalho produtivo e os cuidados domésticos não remunerados, o que reduz o tempo disponível para formação e negócios. fao.org

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A vulnerabilidade aumenta diante de secas, calor e enchentes. A FAO aponta que o acesso limitado a recursos dificulta a adaptação das famílias chefiadas por mulheres às mudanças climáticas. Investir em orientação técnica, infraestrutura e financiamento também faz parte da preparação para enfrentar perdas na produção.

recuperação de terras. A cobrança inclui proteção social e serviços que reduzam a sobrecarga de cuidados. O objetivo é permitir que a participação das mulheres na produção se traduza também em renda e poder de decisão sobre o próprio negócio.

Fonte: Pensar Agro

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