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Milho inicia abril com mercado travado no Brasil, queda em Chicago e influência do câmbio

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O mercado de milho começa abril com um cenário de cautela no Brasil e pressão nos preços internacionais. A combinação de oferta retraída por parte dos produtores, oscilações no câmbio e novos dados dos Estados Unidos mantém os agentes atentos, enquanto o ritmo de negócios segue limitado no mercado físico.

Mercado brasileiro de milho segue com negociações travadas

O mercado doméstico apresenta dificuldade na evolução das negociações. A postura retraída dos produtores, que evitam fixar oferta, continua sendo um dos principais fatores que limitam o volume de negócios.

No Sul do país, os preços permanecem sustentados, mesmo com a comercialização lenta. No Paraná, há preocupação com a irregularidade das chuvas, o que pode impactar o desenvolvimento da safrinha.

Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o foco dos produtores está voltado às atividades de campo, como colheita e plantio, o que reduz ainda mais a disponibilidade para negociações.

Além disso, fatores como a volatilidade do dólar, oscilações nos contratos futuros e questões logísticas seguem no radar do mercado.

Preços do milho no mercado físico

Os preços do milho variam conforme a região, refletindo as condições locais de oferta e demanda:

  • Portos:
    • Santos (CIF): R$ 68,00 a R$ 73,00/saca
    • Paranaguá: R$ 67,50 a R$ 73,00/saca
  • Interior:
    • Paraná (Cascavel): R$ 64,00 a R$ 66,00
    • São Paulo (Mogiana): R$ 69,00 a R$ 72,00
    • Campinas (CIF): R$ 73,00 a R$ 75,00
    • Rio Grande do Sul (Erechim): R$ 65,00 a R$ 67,00
    • Minas Gerais (Uberlândia): R$ 66,00 a R$ 67,00
    • Goiás (Rio Verde – CIF): R$ 60,00 a R$ 64,00
    • Mato Grosso (Rondonópolis): R$ 54,50 a R$ 57,00

No Rio Grande do Sul, a comercialização segue regionalizada, com compradores priorizando estoques próprios. Em Santa Catarina e no Paraná, o desalinhamento entre preços pedidos e ofertados continua limitando novos negócios.

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Chicago recua com pressão de estoques e realização de lucros

Os contratos futuros de milho operam em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), pressionados principalmente pelo aumento dos estoques nos Estados Unidos e por movimentos de realização de lucros após as altas recentes.

O contrato maio/2026 é cotado a US$ 4,52 por bushel, com recuo de cerca de 1,2%. Outros vencimentos também registram perdas no início do dia.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicaram estoques de milho em 9,024 bilhões de bushels em 1º de março de 2026, alta de 11% em relação ao ano anterior. O volume ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado.

Os estoques nas fazendas cresceram 21%, enquanto os estoques fora das propriedades tiveram leve queda de 2%.

Área plantada nos Estados Unidos surpreende o mercado

Outro fator relevante foi o relatório de intenção de plantio dos Estados Unidos. A estimativa aponta para 95,338 milhões de acres na safra 2025, acima da expectativa do mercado, que projetava 94,371 milhões.

Apesar disso, a área representa queda de 3% em relação ao ciclo anterior. Em 37 dos 48 estados analisados, a tendência é de estabilidade ou redução da área cultivada.

Esse cenário limita pressões mais intensas sobre os preços, diante da possibilidade de oferta mais ajustada no médio prazo.

B3 acompanha cenário externo e encerra em queda

Na bolsa brasileira (B3), os contratos futuros de milho encerraram o último pregão em baixa, acompanhando a desvalorização do dólar e o movimento negativo em Chicago.

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O recuo também reflete a realização de lucros após os ganhos expressivos registrados ao longo de março.

Mesmo com a queda pontual, o desempenho segue positivo, com alta superior a 5% em alguns vencimentos no mês e avanços acima de 6% nos contratos mais longos.

No mercado físico, a valorização foi mais moderada, com alta pouco superior a 1%.

Clima e safrinha seguem como fatores de atenção

O desenvolvimento da segunda safra (safrinha) continua sendo um dos principais pontos de atenção. Problemas climáticos e atrasos no plantio podem impactar a produtividade.

Em Mato Grosso do Sul, o mercado apresenta sinais de recuperação, sustentado parcialmente pela demanda do setor de bioenergia. Ainda assim, a liquidez segue baixa e o ambiente permanece competitivo.

Câmbio e cenário global influenciam os preços

O dólar opera em queda frente ao real, cotado a R$ 5,16, contribuindo para pressionar os preços internos. No cenário internacional, o índice do dólar também recua.

Outros indicadores mostram:

  • Bolsas europeias em alta
  • Mercados asiáticos com valorização expressiva
  • Petróleo em queda, com o WTI próximo de US$ 100 por barril
Perspectiva: mercado deve permanecer cauteloso no curto prazo

A tendência para o mercado de milho no curto prazo é de continuidade da cautela. A combinação de oferta restrita no Brasil, incertezas climáticas, influência do mercado internacional e volatilidade cambial deve manter os preços oscilando.

O ritmo de negociações tende a seguir lento, com os agentes aguardando maior definição sobre a safrinha e o comportamento da demanda global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cúpula do agro liga inovação e rastreabilidade ao acesso a mercados

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Acesso a mercados, rastreabilidade e uso de tecnologia para reduzir riscos estão no centro da proposta da Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro, a Citagro 2026, marcada para 16 de novembro, em São Paulo. O encontro pretende aproximar empresas, investidores e pesquisadores em torno da competitividade da produção brasileira.

A questão chega à porteira por meio das exigências dos compradores. Para cadeias que abastecem mercados com regras ambientais específicas, comprovar a origem da mercadoria e as condições de produção passa a integrar o trabalho de comercialização. Sistemas digitais de rastreabilidade ajudam a organizar as informações necessárias para atender a esses critérios.

Um exemplo é o Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), cuja aplicação começa em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores, segundo a Comissão Europeia. A norma abrange bovinos, soja, café, cacau, óleo de palma, borracha, madeira e determinados derivados. Para a maior parte dos micro e pequenos operadores, o prazo é 30 de junho de 2027.

As regras exigem comprovação de que os produtos foram obtidos conforme a legislação do país de origem e não estão associados a desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020. A verificação envolve informações sobre fornecedores e localização das áreas produtivas. Mesmo produtores brasileiros que vendem a uma cooperativa ou empresa intermediária recebem demandas por esses dados dos compradores.

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Outra mudança é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira da União Europeia (CBAM), em sua fase definitiva desde janeiro de 2026. Seu alcance inclui determinados fertilizantes e outros produtos industriais. Nesses casos, as emissões da fabricação entram no cálculo das obrigações dos importadores europeus, acrescentando uma variável ambiental à relação comercial.

O material de apresentação da Citagro também destaca a inteligência de mercado como instrumento para antecipar cenários. A proposta associa competitividade à capacidade de acompanhar mudanças tarifárias, exigências regulatórias e movimentos da demanda, usando essas informações no planejamento das empresas e na diversificação de destinos para a produção.

Para o produtor, essa discussão envolve decisões concretas: quais informações manter sobre a propriedade, quais tecnologias adotar e quais requisitos serão necessários para vender a determinados compradores. A conexão entre pesquisa e produção, outro eixo da iniciativa, busca aproximar o desenvolvimento de soluções das necessidades das cadeias agropecuárias e das regiões produtoras.

A apresentação defende ainda maior articulação entre empresas, governos e instituições de pesquisa nas negociações internacionais. O objetivo anunciado é combinar inovação no campo com participação brasileira na definição de padrões comerciais e ambientais que influenciam o acesso a mercados.

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Serviço

  • Evento: Cúpula da Inovação e Tecnologia do Agro Brasileiro — Citagro 2026
  • Data: 16 de novembro de 2026
  • Horário: das 18h às 22h
  • Cidade: São Paulo (SP)

Fonte: Pensar Agro

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