AGRONEGÓCIO
Safra de algodão 2025/26 inicia manejo de doenças com pressão moderada no MT e na BA
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Lavouras avançam para fase reprodutiva no Brasil
A safra brasileira de algodão 2025/26 avança nas principais regiões produtoras, com a maior parte das lavouras entre o final do estágio vegetativo e o início da fase reprodutiva.
Nos estados de Mato Grosso e no Oeste da Bahia, o cenário atual ainda não apresenta alta pressão de doenças foliares, mas marca o início mais estruturado dos programas de manejo, influenciado pelas condições climáticas do início do ciclo.
Clima úmido impacta desenvolvimento inicial das lavouras
Em Mato Grosso, responsável por mais de 70% da produção nacional, a semeadura da segunda safra foi concluída até o fim de fevereiro, com plantas próximas à emissão do primeiro botão floral.
O início do ciclo foi caracterizado por altos volumes de chuva e baixa luminosidade, especialmente em áreas semeadas após 20 de janeiro. Essas condições impactaram o estande de plantas e favoreceram problemas como tombamento de plântulas e mela.
Além disso, o ambiente mais úmido começa a influenciar o comportamento das doenças ao longo do ciclo, exigindo maior atenção desde as primeiras aplicações de manejo.
Ramulária e mancha-alvo seguem como principais desafios
Entre as doenças de maior relevância, a ramulária continua sendo a principal preocupação em termos de impacto produtivo. Já a mancha-alvo apresenta crescimento em áreas com maior densidade de plantas e histórico da doença.
No Oeste da Bahia e em regiões do Mato Grosso, a ocorrência mais precoce da ramulária nesta safra tem chamado a atenção, antecipando ajustes nas estratégias de controle e no posicionamento de fungicidas.
Manejo exige precisão no timing das aplicações
Mesmo com pressão moderada, a tendência é de aumento das doenças nas próximas semanas, à medida que ocorre o fechamento do dossel e o avanço da fase reprodutiva, condições que favorecem o desenvolvimento de patógenos.
O calendário de aplicações segue padrão semelhante ao de anos anteriores, com início por volta de 25 dias após a emergência, mas com necessidade de ajustes conforme as condições específicas de cada área.
Nesse cenário, o momento correto das aplicações ganha ainda mais importância, já que pequenas variações no timing podem impactar diretamente a eficiência do controle ao longo do ciclo.
Rotação de fungicidas ganha importância no controle
Outro ponto de destaque nesta safra é a necessidade de diversificação no uso de fungicidas.
O uso contínuo de determinados grupos químicos já apresenta sinais pontuais de redução de eficiência, reforçando a importância da rotação de mecanismos de ação e da adoção de estratégias integradas de manejo.
Manejo segue estruturado mesmo com pressão de custos
Mesmo diante de um cenário de preços mais pressionados e redução estimada de 5,5% na área plantada no país, os produtores mantêm o foco na proteção do potencial produtivo.
O manejo fitossanitário segue estruturado, com maior precisão nas decisões e uso combinado de diferentes ferramentas ao longo do ciclo.
Estratégias tecnológicas buscam maior eficiência no campo
As estratégias adotadas incluem o uso de fungicidas específicos para cada fase da cultura, desde o controle inicial de doenças de estabelecimento até o manejo de doenças foliares mais severas nas fases avançadas.
O avanço tecnológico em formulações também contribui para maior uniformidade de aplicação, melhor desempenho em condições adversas e maior previsibilidade de resultados.
Foco está na eficiência e no retorno ao produtor
Diante de um cenário mais técnico e competitivo, o sucesso do manejo está cada vez mais ligado à construção de programas eficientes, adaptados às condições de cada área.
A combinação entre planejamento, rotação de ativos e uso adequado de tecnologias será determinante para garantir sanidade das lavouras e bons resultados produtivos na safra 2025/26.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor
Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.
A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).
O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.
Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.
Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.
“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.
Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.
A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.
A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.
“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.
A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.
Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.
As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.
Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.
Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.
Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.
Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.
“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.
Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.
No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.
A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.
A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.
O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.
Fonte: Pensar Agro
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