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Oferta global pressiona trigo no mercado internacional enquanto preços seguem firmes no Sul do Brasil

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O mercado de trigo atravessa um período de contrastes entre o cenário internacional, pressionado pelo aumento da oferta, e o ambiente doméstico brasileiro, onde a disponibilidade limitada mantém os preços firmes, especialmente na região Sul. A combinação de fatores como crescimento da produção global, melhora climática e mudanças no cenário geopolítico tem influenciado diretamente o comportamento das cotações nas últimas semanas.

Oferta global elevada pressiona cotações internacionais do trigo

O mercado internacional de trigo registrou queda nas cotações ao longo da semana, influenciado principalmente pela ampliação da oferta global. Relatório recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou aumento nos estoques finais norte-americanos, que passaram de 25,34 para 25,52 milhões de toneladas, acima das expectativas do mercado.

Além disso, a produção mundial foi revisada para 844,2 milhões de toneladas, enquanto os estoques globais atingiram 283,1 milhões de toneladas, reforçando o cenário de maior disponibilidade.

Outro fator relevante foi a melhora das condições climáticas nas Grandes Planícies dos Estados Unidos, com chuvas favorecendo o desenvolvimento do trigo de inverno e o plantio do trigo de primavera, reduzindo riscos produtivos.

Rússia, Europa e cenário geopolítico reforçam pressão de baixa

A ampliação da oferta global também foi impulsionada pela Rússia, que elevou em 5 milhões de toneladas sua cota de exportação de grãos, aumentando a competitividade no mercado internacional.

Na Europa, a perspectiva de uma safra robusta, especialmente na França — onde 84% das lavouras estão em boas ou excelentes condições — reforça o viés de baixa. Esse movimento foi acompanhado pela queda dos contratos negociados na Euronext.

No campo geopolítico, o anúncio de uma trégua no conflito envolvendo Estados Unidos/Israel e Irã reduziu a aversão ao risco e estimulou a liquidação de posições por fundos de investimento. Com isso, o contrato mais próximo em Chicago recuou de US$ 5,98 para US$ 5,74 por bushel na semana.

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Clima ainda limita quedas mais acentuadas no mercado externo

Apesar do cenário de maior oferta, fatores climáticos ainda impõem cautela. Nos Estados Unidos, apenas 35% das lavouras estão em boas ou excelentes condições, abaixo dos 48% registrados no ano anterior, enquanto cerca de 68% das áreas enfrentam algum nível de seca.

Esse quadro mantém o mercado atento à necessidade de continuidade das chuvas, podendo limitar quedas mais intensas nas cotações.

Mercado brasileiro mantém firmeza com oferta restrita

No Brasil, o mercado segue em direção oposta ao cenário internacional. A oferta limitada e a comercialização lenta sustentam preços mais elevados, principalmente nos estados do Sul.

No Rio Grande do Sul, a escassez de trigo de qualidade impulsiona as cotações. Os preços no interior variam entre R$ 1.250,00 e R$ 1.280,00 por tonelada, com pedidas entre R$ 1.300,00 e R$ 1.350,00. No mercado de balcão, os valores ao produtor subiram para cerca de R$ 59,00 por saca.

Em Santa Catarina, há maior disponibilidade de trigo gaúcho, além de volumes menores de produto local e do Paraná. Os preços variam conforme a origem e qualidade, com negociações entre R$ 1.300,00 e R$ 1.400,00 FOB.

No Paraná, o mercado apresenta baixa liquidez. Os poucos negócios ocorrem entre R$ 1.300,00 e R$ 1.350,00, enquanto as pedidas já se aproximam ou superam R$ 1.400,00 por tonelada.

Liquidez segue limitada e agentes atuam com cautela

Mesmo com a recente recuperação dos preços internos, o mercado brasileiro ainda não apresenta fundamentos suficientes para sustentar uma alta consistente. Moinhos permanecem relativamente abastecidos no curto prazo, enquanto produtores adotam postura cautelosa, acompanhando o cenário externo e o comportamento do câmbio.

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Esse ambiente mantém o ritmo de negócios lento e reforça a necessidade de atenção por parte dos agentes do setor.

Exportações e importações influenciam formação de preços

Parte da sustentação dos preços no Brasil está relacionada ao desempenho das exportações e à valorização do trigo argentino, que subiu cerca de 7% em março, encarecendo as importações.

As exportações brasileiras somam aproximadamente 2 milhões de toneladas entre agosto de 2025 e março de 2026, sendo 97% originadas no Rio Grande do Sul. Os principais destinos incluem Bangladesh, Vietnã e o mercado do Nordeste via cabotagem.

Já as importações previstas até abril de 2026 totalizam 3,72 milhões de toneladas, com destaque para Ceará, São Paulo, Bahia e Pernambuco.

Análise técnica indica tendência de baixa no curto prazo

No mercado internacional, o trigo perdeu suporte na faixa de 580 pontos em Chicago, indicando tendência de baixa no curto prazo. Os próximos suportes estão entre 570 e 560, enquanto as resistências se situam entre 585 e 600.

O rompimento do nível de 570 pode intensificar as quedas, enquanto a manutenção desses patamares pode levar a um movimento de estabilização.

Perspectiva aponta mercado dividido entre oferta global e restrição interna

O mercado de trigo permanece dividido entre a pressão exercida pela ampla oferta global e a sustentação observada no Brasil devido à restrição de produto. A evolução do clima nos Estados Unidos, o cenário geopolítico e o ritmo das exportações devem seguir como fatores determinantes para o comportamento dos preços nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações do agronegócio de Minas Gerais alcançam US$ 5,8 bilhões e mantêm estado entre líderes nacionais

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As exportações do agronegócio de Minas Gerais somaram US$ 5,8 bilhões entre janeiro e abril de 2026, consolidando o estado entre os três maiores exportadores do setor no Brasil. No período, foram embarcadas 4,8 milhões de toneladas de produtos agropecuários para mais de 160 países.

Apesar da retração de 11,9% no valor exportado e de 9,3% no volume em comparação ao mesmo período de 2025, Minas Gerais respondeu por 10,6% das exportações do agronegócio brasileiro, mantendo posição de destaque no comércio exterior nacional.

Segundo análise da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a redução está concentrada em segmentos específicos de grande representatividade, especialmente café e complexo sucroalcooleiro, enquanto diversas outras cadeias produtivas apresentaram crescimento.

Diversificação fortalece desempenho do agro mineiro

De acordo com a assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira, o resultado evidencia o avanço da diversificação das exportações do estado.

Segmentos como carnes, sementes, algodão, papel, animais vivos, couros, frutas e bebidas registraram desempenho positivo, contribuindo para ampliar a presença de Minas Gerais em diferentes mercados internacionais.

O estado também mantém liderança em importantes cadeias exportadoras. No primeiro quadrimestre, Minas respondeu por:

  • 71% das exportações brasileiras de café;
  • 30,5% dos produtos apícolas;
  • 20,4% dos lácteos;
  • 12,8% das rações para animais;
  • 11,9% dos produtos hortícolas, leguminosas, raízes e tubérculos.

Ao todo, mais de 500 produtos diferentes foram comercializados no mercado internacional durante o período.

Café continua liderando exportações

O café permaneceu como principal produto da pauta exportadora mineira, gerando receita de US$ 3,2 bilhões.

Foram embarcadas aproximadamente 7,4 milhões de sacas ao exterior, porém o segmento registrou retração de 17,5% em valor e de 26% em volume na comparação com o primeiro quadrimestre do ano anterior.

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Mesmo com a queda, o produto continua sendo o principal responsável pelo desempenho do agronegócio estadual e pela forte presença mineira no comércio internacional.

Complexo soja mantém segunda posição

O complexo soja, formado por grãos, farelo e óleo, ocupou a segunda colocação entre os produtos mais exportados pelo estado.

As vendas externas totalizaram US$ 1,14 bilhão, com embarques de 2,71 milhões de toneladas.

Em relação ao mesmo período de 2025, houve redução de 2,8% na receita e de 8,9% no volume exportado.

Carnes lideram crescimento entre os principais setores

O grande destaque positivo do quadrimestre foi o segmento de carnes bovina, suína e de frango.

As exportações do setor alcançaram US$ 576,7 milhões e 160 mil toneladas, representando crescimento de 8,2% em valor e de 0,7% em volume.

A valorização da carne bovina no mercado internacional foi um dos principais fatores responsáveis pelo avanço da receita, reforçando a importância do segmento na pauta exportadora mineira.

Complexo sucroalcooleiro registra retração

As exportações do complexo sucroalcooleiro somaram US$ 268,7 milhões entre janeiro e abril.

O resultado representa queda de 22,9% na receita e recuo de 2,7% no volume embarcado em comparação ao mesmo período do ano passado.

A redução do valor médio da tonelada exportada foi um dos fatores que mais contribuíram para o desempenho negativo do setor.

União Europeia permanece principal destino

A União Europeia consolidou-se como o principal mercado para os produtos do agronegócio mineiro.

O bloco econômico importou US$ 1,7 bilhão em produtos do estado no primeiro quadrimestre, equivalente a 29,6% de toda a pauta exportadora do agro mineiro.

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Na comparação anual, houve queda moderada de 2,9% no valor e de 2,5% no volume embarcado.

O café continua dominando as vendas para o mercado europeu, representando 94,4% do valor exportado ao bloco.

Por outro lado, alguns segmentos vêm ampliando sua participação. Os produtos florestais registraram crescimento de 42,8% na receita, enquanto as exportações de carnes mais que dobraram, indicando oportunidades de diversificação e agregação de valor.

Mercosul amplia volume importado

Os países do Mercosul — Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia — adquiriram US$ 82 milhões em produtos do agronegócio mineiro no período.

Embora a receita tenha recuado 2,1%, o volume exportado cresceu 10,1%, refletindo ajustes nos preços médios dos produtos comercializados.

A Argentina respondeu por 63,2% das compras do bloco, seguida por Uruguai, Paraguai e Bolívia.

Diferentemente da União Europeia, a pauta exportadora para o Mercosul apresenta maior diversidade. O café representa 38,3% das vendas, seguido por cacau e derivados, carnes, produtos vegetais, hortaliças, tubérculos, produtos florestais e alimentos processados.

Essa característica amplia as oportunidades para a indústria agroalimentar mineira, especialmente em segmentos de maior valor agregado, como bebidas, chocolates, lácteos e cafés especiais.

Perspectiva

Mesmo diante da retração observada no primeiro quadrimestre, Minas Gerais mantém posição estratégica no comércio exterior do agronegócio brasileiro. A força do café, o avanço das exportações de carnes e a crescente diversificação da pauta exportadora reforçam a competitividade do estado e ampliam as oportunidades de crescimento em mercados internacionais cada vez mais exigentes.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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