RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Soja recua no Brasil e em Chicago com pressão de oferta global e custos logísticos elevados

Publicados

AGRONEGÓCIO

O mercado da soja enfrenta um momento de pressão nas cotações tanto no cenário internacional quanto no Brasil. A combinação de ampla oferta global, avanço da colheita sul-americana, início do plantio nos Estados Unidos e desafios logísticos internos tem reduzido as margens dos produtores e mantido os preços sob pressão.

Queda nas cotações internacionais pressiona mercado

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja registraram queda superior a 1% no início da semana, refletindo fundamentos ligados à ampla oferta global da commodity. A boa produtividade no Brasil e na Argentina contribui para esse cenário, ampliando a disponibilidade no mercado internacional.

Além disso, o aumento nos custos de fertilizantes — impulsionado pela alta do petróleo em meio a tensões no Oriente Médio — reforça a expectativa de maior área plantada com soja nos Estados Unidos. Esse movimento tende a aumentar ainda mais a oferta global, pressionando as cotações.

Plantio nos EUA avança e reforça pressão sobre preços

O início do plantio da nova safra norte-americana também influencia o mercado. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que cerca de 6% da área já foi semeada, com ritmo acima da média histórica.

Leia Também:  Massey Ferguson é eleita a marca de máquinas agrícolas mais bem avaliada no Brasil

As condições climáticas favoráveis aos trabalhos de campo reforçam a perspectiva de boa produção, o que pode manter a pressão sobre os preços nas próximas semanas.

Farelo sobe e limita perdas do grão

Apesar da queda nos preços da soja em grão, o farelo apresentou valorização superior a 1%, oferecendo sustentação parcial ao mercado. O movimento é impulsionado por fundamentos mais firmes, como restrições logísticas na Argentina e expectativa de maior consumo interno nos Estados Unidos.

Por outro lado, o óleo de soja segue em trajetória de queda, acompanhando o movimento do grão e limitando ganhos mais expressivos no complexo da soja.

Colheita no Brasil amplia oferta e pressiona preços internos

No Brasil, o avanço da colheita contribui diretamente para a pressão sobre os preços. Em diversas regiões produtoras, o aumento da oferta e os gargalos logísticos afetam a competitividade do produtor.

No Rio Grande do Sul, a colheita atinge cerca de 38% da área, ainda atrasada frente à média histórica. A disputa por caminhões com as safras de arroz e milho eleva o custo do frete e pressiona a armazenagem.

Em Santa Catarina, os trabalhos avançam sem problemas climáticos, mas os preços acompanham a queda observada na região Sul.

Leia Também:  Clima extremo amplia perdas bilionárias no campo e pressiona sistema de seguros

No Paraná, com a colheita praticamente concluída, o foco está no escoamento da produção. O custo do diesel, que pode representar até 40% do frete, preocupa produtores.

Logística e armazenagem desafiam produtores

Nos estados do Centro-Oeste, os desafios logísticos e estruturais também impactam o mercado.

No Mato Grosso do Sul, a comercialização segue lenta, com apenas 15,5% da safra negociada e preços abaixo dos registrados no ano anterior.

Em Mato Grosso, a elevada oferta, somada à limitação na capacidade de armazenagem, leva produtores a buscarem alternativas para estocar a produção, o que pressiona ainda mais os preços locais.

Margens apertadas e cenário de cautela

Com a queda nas cotações e o aumento dos custos — especialmente com frete e insumos —, as margens dos produtores brasileiros estão mais apertadas. O mercado segue atento ao desenvolvimento da safra norte-americana, ao comportamento do petróleo e aos desdobramentos logísticos na América do Sul.

A tendência no curto prazo é de manutenção da volatilidade, com os preços reagindo tanto a fatores climáticos quanto ao avanço da oferta global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

Publicados

em

Por

A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

Leia Também:  Exportações do agronegócio alcançam recorde histórico de R$ 107 bilhões em 2025

Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

Leia Também:  Preços do algodão atingem menor patamar desde novembro de 2024, aponta Cepea

A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA