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IA generativa impulsiona inovação e melhora recomendações no agronegócio, aponta Embrapa

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A inteligência artificial (IA) generativa vem ganhando espaço no agronegócio brasileiro ao acelerar pesquisas, qualificar recomendações técnicas e apoiar a tomada de decisão no campo. A tecnologia já é utilizada em 14 unidades da Embrapa, com foco no desenvolvimento de soluções voltadas a sistemas agroalimentares e florestais.

IA generativa amplia eficiência e inovação no campo

A adoção da IA generativa pela Embrapa tem como objetivo integrar a tecnologia às bases de conhecimento da instituição, ampliando a escalabilidade das soluções, a replicação de resultados e a geração de recomendações personalizadas para o setor produtivo.

A tecnologia atua em diferentes frentes, como organização e análise de grandes volumes de dados, além da simulação de cenários produtivos. Com isso, contribui para tornar a pesquisa mais ágil, apoiar decisões estratégicas e impulsionar a inovação nos sistemas agropecuários.

Evolução da inteligência artificial na pesquisa agropecuária

O uso de IA no agro representa uma evolução de práticas já adotadas pela Embrapa há décadas, especialmente na análise de dados históricos dentro da agricultura digital e de precisão.

De acordo com o pesquisador Kleber Sampaio, da Embrapa Agricultura Digital, a IA generativa representa um avanço em relação à IA preditiva. Enquanto a preditiva trabalha com a antecipação de cenários com base em dados históricos, a generativa utiliza essas informações para criar conteúdos inéditos, simulações e recomendações mais complexas.

Aplicações práticas da IA generativa no agronegócio

A tecnologia já apresenta resultados em diferentes frentes da pesquisa agropecuária, incluindo:

  • Geração automatizada de relatórios técnicos e revisão de literatura científica
  • Organização de grandes bases de dados experimentais
  • Simulação de cenários climáticos, de produtividade e manejo
  • Desenvolvimento de recomendações personalizadas para produtores
  • Integração de dados de solo, clima e genética

Além disso, a IA generativa contribui para soluções inovadoras, como simulações de crescimento de culturas, apoio ao melhoramento genético e criação de novos modelos preditivos.

Um dos destaques é um método que combina laser e inteligência artificial para estimar, em uma única análise, a densidade do solo e o teor de carbono.

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Diferença entre IA preditiva e IA generativa

Os pesquisadores da Embrapa destacam diferenças fundamentais entre os dois modelos:

  • IA preditiva: utiliza aprendizado de máquina e modelos estatísticos para identificar padrões e prever tendências com base em dados existentes.
  • IA generativa: vai além da análise, criando conteúdos originais como textos, imagens, códigos e simulações a partir do aprendizado dos dados.
Desenvolvimento de ferramentas digitais e capacitação técnica

O avanço da IA na Embrapa está associado a iniciativas como o projeto SORaIA, que busca aumentar a eficiência, a qualidade e a resiliência dos sistemas produtivos.

Entre os objetivos do projeto estão:

  • Estímulo à produção científica
  • Consolidação de bases de dados estruturadas
  • Desenvolvimento de ferramentas digitais acessíveis
  • Capacitação de equipes técnicas no uso de IA

A atualização contínua de softwares, hardwares e profissionais é considerada essencial para acompanhar a evolução tecnológica no setor.

Ética, governança e proteção de dados

As pesquisas com IA na Embrapa seguem padrões éticos nacionais e internacionais, com atenção à privacidade e à proteção de dados, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Entre as diretrizes estratégicas estão:

  • Implantação de governança permanente
  • Investimento em curadoria e validação de dados
  • Proteção do patrimônio intelectual da instituição

Também está em discussão a criação de um “marketplace de contexto”, voltado à soberania dos dados e conhecimentos gerados.

IA no combate a doenças e na gestão agropecuária

A inteligência artificial também já é aplicada no enfrentamento de desafios críticos do setor, como a detecção precoce de doenças.

No caso da ferrugem asiática da soja, que gera custos superiores a US$ 2 bilhões por safra, a Embrapa testa soluções baseadas em IA para identificar a doença e simular cenários de infestação.

Outras aplicações incluem:

  • Identificação de zonas de manejo agrícola
  • Zoneamento de pastagens
  • Mapeamento de atributos do solo
  • Monitoramento de estresse hídrico
  • Avaliação da sustentabilidade na pecuária
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Cooperação internacional e novas tecnologias

A Embrapa também firmou parceria com a FAO em áreas como observação da Terra, plataformas geoespaciais e resiliência dos sistemas agroalimentares.

Projetos como o Terraclass e o ATER+ Digital reforçam o uso de tecnologias no mapeamento territorial e na extensão rural.

Visão de futuro: agricultura digital e computação avançada

Desde 2016, o Observatório de Agricultura Digital da Embrapa monitora tendências tecnológicas com impacto no agronegócio.

Entre os temas em destaque estão:

  • Computação quântica aplicada ao campo
  • Bioinformática
  • Sensoriamento remoto
  • Modelagem climática
  • Agricultura inteligente

Essas tecnologias têm potencial para transformar toda a cadeia produtiva, do plantio à comercialização.

Inclusão digital fortalece agricultura familiar

O projeto Semear Digital busca ampliar o acesso à tecnologia no campo, especialmente entre pequenos produtores.

Criado em 2023, o programa atua em municípios denominados Distritos Agrotecnológicos (DATs), com foco em:

  • Conectividade
  • IA e sensoriamento remoto
  • Automação e agricultura de precisão
  • Rastreabilidade e certificação digital

Um dos destaques é o robô SEEmear, que utiliza imagens georreferenciadas para contagem automatizada de frutos em pomares, reduzindo a dependência de mão de obra.

Expansão internacional e impacto social

A metodologia do Semear Digital já começa a ser replicada em países como Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.

No Brasil, a iniciativa também contribui para a recuperação de áreas afetadas por desastres, como a bacia do Rio Doce, atingida pelo rompimento da barragem de Fundão em 2015.

Unidades da Embrapa envolvidas

A iniciativa reúne 14 unidades da Embrapa, lideradas pela Embrapa Agricultura Digital, em parceria com outras áreas estratégicas da instituição.

O trabalho conjunto reforça o papel da ciência e da inovação no fortalecimento do agronegócio brasileiro, com foco em produtividade, sustentabilidade e competitividade global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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