AGRONEGÓCIO
Café no Brasil perde força frente às bolsas com chegada da safra e pressão sobre preços internos
AGRONEGÓCIO
Mercado de café apresenta descolamento entre bolsas internacionais e físico no Brasil
O mercado de café vive um momento de descompasso entre os preços internacionais e o mercado físico brasileiro. Entre os dias 16 e 23 de abril, as cotações do café arábica avançaram na Bolsa de Nova York, enquanto o robusta também registrou alta em Londres. No entanto, esse movimento não foi acompanhado na mesma intensidade pelo mercado interno.
Segundo análise da Safras & Mercado, o cenário reflete principalmente a pressão sazonal com a chegada da safra, que influencia diretamente a formação de preços no Brasil.
Chegada da safra pressiona mercado físico e altera comportamento dos compradores
De acordo com o analista Gil Barabach, o avanço da colheita de conilon (robusta) e a proximidade da safra de arábica aumentam a oferta disponível, o que tende a pressionar os preços internos.
Esse movimento leva os compradores a adotarem uma postura mais cautelosa, com expectativa de preços mais baixos no curto prazo.
Enquanto isso, as bolsas internacionais seguem mais voláteis, influenciadas por fatores macroeconômicos e geopolíticos, como variações no dólar, petróleo e tensões no Oriente Médio.
Geopolítica e petróleo sustentam alta nas cotações internacionais
No cenário externo, os preços do café têm sido sustentados por preocupações com a oferta global. De acordo com análises do mercado internacional, tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, além de conflitos no Oriente Médio, elevam os custos logísticos e trazem incertezas ao comércio global.
O possível impacto sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional, aumenta custos de frete, seguros e insumos, fatores que acabam sustentando as cotações nas bolsas.
Revisão da safra brasileira reforça viés de baixa no médio prazo
Apesar do suporte externo, a perspectiva interna segue pressionada. A revisão para cima da safra brasileira, combinada com estoques mais elevados ao final da temporada 2025/26, deve ampliar a oferta disponível a partir do segundo semestre.
Outro ponto relevante é o desempenho das exportações. Segundo o Cecafé, os embarques brasileiros acumulam queda de cerca de 21% nos primeiros nove meses da temporada 2025/26 em comparação ao mesmo período da safra anterior, apesar da recuperação recente do conilon.
Preços sobem nas bolsas, mas avanço é limitado no mercado interno
No fechamento de 23 de abril, o contrato julho do café arábica na Bolsa de Nova York atingiu 300,35 centavos de dólar por libra-peso, acumulando alta de 3,4% na semana. Em Londres, o robusta registrou valorização de 4,8% no mesmo período.
Já no mercado físico brasileiro, os ganhos foram mais modestos. No sul de Minas Gerais, o café arábica foi negociado a R$ 1.910,00 por saca, frente a R$ 1.890,00 na semana anterior, avanço de 1,1%.
Para o conilon tipo 7, em Vitória (ES), os preços passaram de R$ 900,00 para R$ 930,00 por saca, alta de 3,3%.
Tendência aponta maior oferta e pressão nos preços internos
O cenário atual indica que o mercado brasileiro tende a continuar sob pressão no curto e médio prazo, especialmente com o avanço da colheita e aumento da disponibilidade do produto.
Com isso, o comportamento dos preços deve seguir condicionado ao ritmo da safra, à demanda externa e às oscilações do mercado internacional, mantendo um ambiente de cautela para produtores e agentes da cadeia cafeeira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Rastreamento no Agro: avanço necessário ou barreira comercial disfarçada? Debate ganha força no mercado global
Rastreabilidade no agro divide opiniões e se consolida como exigência global
A rastreabilidade dos alimentos deixou de ser tendência para se tornar uma exigência consolidada no comércio internacional. O tema, porém, tem gerado debate no agronegócio brasileiro: trata-se de um avanço em transparência e competitividade ou de uma nova forma de barreira comercial disfarçada?
Para Leandro Viegas, empresário, bacharel em Direito, administrador, produtor rural e cofundador e CEO da Sell Agro, não há mais volta. Segundo ele, o ponto central da discussão já não é se o setor deve adotar a rastreabilidade, mas como implementá-la de forma que fortaleça o produtor rural e não o limite no mercado global.
Pressão global por transparência redefine o comércio agrícola
O aumento da exigência por informações sobre origem, impacto ambiental e conformidade sanitária dos alimentos reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor e dos mercados internacionais.
Essa demanda não se restringe a regiões específicas, como a Europa, mas se consolida como uma tendência global.
No caso do Brasil, o impacto é ainda mais relevante. O país se mantém entre os maiores exportadores de alimentos do mundo. Em 2025, o agronegócio respondeu por US$ 169,2 bilhões em exportações, representando 48,5% de toda a pauta exportadora nacional, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Esse peso reforça que qualquer mudança regulatória internacional afeta diretamente toda a cadeia produtiva, do pequeno produtor às grandes tradings.
Quando a sustentabilidade vira disputa comercial
Embora a rastreabilidade seja amplamente associada à sustentabilidade, o debate ganha complexidade quando entra no campo político e comercial.
Nos últimos anos, aumentaram as exigências de mercados importadores sobre práticas ambientais e comprovação de origem. Em alguns casos, essas medidas são vistas como evolução natural dos padrões globais. Em outros, surgem questionamentos sobre possível uso dessas exigências como forma de proteção comercial indireta.
O Brasil, por exemplo, possui um dos códigos ambientais mais rigorosos do mundo, com exigências significativas de preservação dentro das propriedades rurais. Ainda assim, o país frequentemente enfrenta desconfiança em mercados externos.
Esse contraste alimenta o debate sobre a necessidade de critérios técnicos, proporcionais e equilibrados na definição das regras de rastreabilidade.
Pequenos e médios produtores podem ser os mais afetados
Um dos principais pontos de atenção está no impacto das novas exigências sobre pequenos e médios produtores rurais.
Enquanto grandes grupos do agronegócio contam com estrutura técnica, tecnologia e equipes especializadas para atender rapidamente normas de certificação e monitoramento, a realidade no campo é desigual.
Muitos produtores ainda enfrentam limitações de conectividade, acesso à assistência técnica e ferramentas digitais, o que dificulta a adequação às novas exigências do mercado internacional.
O risco apontado por especialistas é que a rastreabilidade, se mal implementada, se torne uma barreira de entrada em vez de um mecanismo de inclusão produtiva.
Tecnologia já é aliada do agro brasileiro
Apesar dos desafios, o Brasil reúne condições técnicas para avançar na implementação da rastreabilidade em larga escala.
O agronegócio nacional já incorpora tecnologias como agricultura de precisão, satélites, drones, inteligência artificial e plataformas digitais de gestão no campo.
Esse nível de inovação posiciona o país como referência mundial em produção agrícola tropical e cria uma base sólida para o desenvolvimento de sistemas integrados de rastreabilidade.
Inclusão e equilíbrio são pontos-chave para o futuro
Para especialistas do setor, o sucesso da rastreabilidade depende menos da tecnologia em si e mais da forma como ela será implementada.
Empresas do agronegócio têm papel estratégico nesse processo, atuando não apenas como fornecedoras de soluções, mas como parceiras dos produtores na adaptação às novas exigências.
Isso inclui capacitação, suporte técnico e acesso a ferramentas que permitam que propriedades de diferentes portes consigam atender aos padrões internacionais.
A avaliação é que a rastreabilidade deve funcionar como uma ponte entre o campo e o consumidor global, e não como um mecanismo de exclusão.
Desafio é equilibrar exigência e competitividade
A rastreabilidade é vista como caminho sem retorno no comércio global de alimentos. Ela agrega valor, aumenta a transparência e fortalece a confiança do consumidor.
No entanto, o desafio do Brasil está em garantir que essa transição ocorra de forma justa, sem penalizar produtores que já operam dentro da legalidade e da sustentabilidade exigida pela legislação nacional.
O futuro do tema depende da capacidade do setor em equilibrar inovação, inclusão e competitividade, assegurando que a evolução do mercado internacional também reconheça o papel do produtor rural brasileiro na segurança alimentar global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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