AGRONEGÓCIO
Soja oscila em Chicago com suporte do petróleo e do óleo, enquanto clima e colheita no Brasil limitam avanço dos preços
AGRONEGÓCIO
O mercado da soja registrou movimentos mistos nos últimos dias na Bolsa de Chicago (CBOT), sustentado principalmente pela valorização do óleo vegetal e pelo avanço do petróleo, ao mesmo tempo em que fatores como realização de lucros, ampla oferta sul-americana e incertezas climáticas limitaram ganhos mais expressivos.
Na quarta-feira, os contratos futuros fecharam em alta, impulsionados pela forte valorização do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. Esse movimento favoreceu o óleo de soja, que avançou de forma consistente, refletindo sua competitividade como alternativa para a produção de biocombustíveis. Além disso, a demanda aquecida pelo esmagamento nos Estados Unidos contribuiu para sustentar as cotações.
O contrato de maio encerrou com valorização próxima de 0,8%, cotado a US$ 11,82 por bushel, enquanto o vencimento de julho subiu cerca de 0,65%, para US$ 11,97 por bushel. Entre os subprodutos, o óleo teve alta superior a 2%, enquanto o farelo recuou, pressionado por realização de lucros e ajustes no mercado internacional.
Apesar do suporte externo, os ganhos do grão foram limitados pela ampla oferta da América do Sul e por fatores climáticos nos Estados Unidos. No Meio-Oeste americano, cerca de 30% da área enfrenta condições de seca, o que mantém o mercado atento ao desenvolvimento inicial da nova safra. Ao mesmo tempo, atrasos pontuais no plantio devido às chuvas também entram no radar dos investidores.
Na quinta-feira, o mercado passou por um movimento de correção técnica. Após os ganhos recentes, os preços recuaram entre 0,75 e 3 pontos nos principais vencimentos, refletindo um ajuste de posições. A pressão veio de perdas generalizadas no complexo soja, especialmente no farelo, além de quedas no milho e no trigo.
O ambiente externo segue influenciando diretamente as commodities agrícolas. As oscilações no petróleo, combinadas às incertezas geopolíticas e à ausência de acordos no Oriente Médio, continuam gerando volatilidade. A demanda global também permanece no foco, com destaque para a China e as expectativas em torno de negociações internacionais nas próximas semanas.
Brasil: colheita avança, mas enfrenta entraves climáticos e logísticos
No Brasil, o avanço da colheita segue em ritmo elevado na maior parte das regiões produtoras, embora condições climáticas adversas ainda imponham desafios pontuais.
No Rio Grande do Sul, a colheita já alcança cerca de 50% da área plantada, estimada em 6,62 milhões de hectares. No entanto, chuvas irregulares têm dificultado o trabalho no campo. Em municípios como Passo Fundo, os trabalhos estão praticamente concluídos, com produtividade média de 55 sacas por hectare, enquanto regiões como Soledade enfrentam limitações devido ao excesso de umidade.
Em Santa Catarina, a produção é estimada em 3,1 milhões de toneladas, com destaque para o crescimento de mais de 21% na área de segunda safra. No Paraná, a colheita já foi praticamente finalizada, atingindo 99% da área e totalizando cerca de 25,9 milhões de toneladas.
No Centro-Oeste, os números também são expressivos. Mato Grosso registra colheita superior a 96%, com produtividade recorde de 66 sacas por hectare. Já Mato Grosso do Sul alcança mais de 97% da área colhida, mas enfrenta um déficit significativo de armazenagem, estimado em mais de 15 milhões de toneladas, o que pressiona a logística e os custos.
Outro fator de atenção é o frete, que voltou a subir em algumas regiões, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores, especialmente em áreas mais distantes dos portos.
Exportações e demanda seguem no radar
As exportações brasileiras continuam robustas, embora com ajustes pontuais. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) revisou o volume embarcado em abril para 15,87 milhões de toneladas, em função de questões logísticas. Ainda assim, o desempenho supera o registrado no mesmo período do ano anterior.
No cenário global, os investidores aguardam novos dados de exportações semanais dos Estados Unidos, com estimativas variando entre 200 mil e 600 mil toneladas. Esses números devem ajudar a calibrar as expectativas sobre a demanda internacional no curto prazo.
Perspectiva: mercado segue volátil e dependente de múltiplos fatores
O mercado da soja permanece altamente sensível a uma combinação de fatores, incluindo clima nos Estados Unidos, ritmo de exportações, demanda por biocombustíveis e cenário geopolítico. A valorização do óleo e do petróleo continua sendo um dos principais vetores de suporte, enquanto a ampla oferta sul-americana e os ajustes técnicos tendem a limitar movimentos mais consistentes de alta no curto prazo.
Diante desse cenário, a tendência é de manutenção da volatilidade, com os agentes atentos tanto aos fundamentos agrícolas quanto às influências externas que seguem ditando o ritmo das negociações globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Exportação de carne bovina aos EUA expõe frigoríficos brasileiros a até 2,8 milhões de hectares de risco de desmatamento na Amazônia Legal
As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos registraram forte expansão na última década, mas um novo levantamento acende alerta sobre riscos ambientais associados à cadeia produtiva.
Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, os embarques para o mercado norte-americano cresceram de 33.210 toneladas em 2016 para 271.826 toneladas em 2025, evidenciando a consolidação do Brasil como fornecedor estratégico.
No entanto, um estudo do Radar Verde aponta que frigoríficos habilitados na Amazônia Legal permanecem expostos a áreas com alto risco de desmatamento em suas cadeias de fornecimento.
Exposição ao risco pode chegar a 2,8 milhões de hectares
A análise avaliou sete empresas responsáveis por 15 frigoríficos habilitados a exportar carne para os Estados Unidos, com capacidade média de abate de 11.270 cabeças por dia.
De acordo com o estudo, essas unidades estão expostas a áreas de risco que variam entre 144 mil hectares e 2,8 milhões de hectares, considerando regiões com:
- Áreas embargadas por desmatamento ilegal
- Registros recentes de desmatamento
- Potencial de desmatamento futuro em áreas fornecedoras
As regiões com maior concentração de risco estão localizadas principalmente em Mato Grosso e Rondônia, dentro da Amazônia Legal.
Falhas de rastreabilidade e baixa transparência na cadeia
O estudo destaca que, apesar de 93% das plantas frigoríficas possuírem Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados com o Ministério Público Federal, não há evidências consistentes de implementação efetiva ou monitoramento contínuo das políticas ambientais.
Outro ponto crítico é a rastreabilidade da cadeia produtiva:
- 11 das 15 plantas controlam apenas fornecedores diretos
- Nenhuma empresa apresentou dados auditados de fornecedores indiretos
Essa lacuna compromete a rastreabilidade completa do gado e dificulta a verificação de origem livre de desmatamento.
Proposta de lei nos EUA pode impactar exportações brasileiras
O estudo também avalia o cenário regulatório à luz da proposta conhecida como Forest Act 2023, ainda em tramitação no Congresso norte-americano.
A proposta exige que importadores de commodities como carne bovina, soja e cacau comprovem que os produtos não estão associados ao desmatamento ilegal, por meio de sistemas de due diligence e rastreabilidade completa.
Segundo o Radar Verde, caso a legislação estivesse em vigor atualmente, as exportações brasileiras de carne não estariam plenamente em conformidade com os requisitos propostos.
Pressões globais e impacto na produção agropecuária
O crescimento das exportações brasileiras para os EUA também está relacionado à necessidade de estabilização da oferta de alimentos no mercado norte-americano, em um cenário de inflação e eventos climáticos extremos que afetam a produção global.
O estudo destaca ainda que a pecuária responde por 71% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, considerando emissões diretas e mudanças no uso da terra, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).
Recomendações apontam para rastreabilidade total da cadeia
Entre as principais recomendações do estudo estão:
- Priorizar compras de frigoríficos com baixo risco de desmatamento
- Implementar rastreabilidade completa, incluindo fornecedores indiretos
- Fortalecer mecanismos de controle e auditoria independente
- Considerar restrições a produtos oriundos de áreas recentemente desmatadas
O Radar Verde também alerta que lacunas regulatórias podem incentivar o avanço do desmatamento caso não haja maior rigor nas exigências de mercado internacional.
Cenário reforça pressão sobre o agronegócio exportador
O levantamento evidencia que, embora o Brasil amplie sua participação no mercado global de carne bovina, o setor enfrenta desafios crescentes relacionados à rastreabilidade, conformidade ambiental e exigências regulatórias internacionais.
O avanço das exportações dependerá cada vez mais da capacidade de comprovar sustentabilidade e origem livre de desmatamento em toda a cadeia produtiva.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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