AGRONEGÓCIO
Milho recua em Chicago e na B3 com pressão da oferta, expectativa sobre China e impacto do USDA
AGRONEGÓCIO
O mercado do milho iniciou esta quinta-feira (14) sob pressão nas bolsas internacionais e também no mercado brasileiro. Os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) registraram fortes desvalorizações ao longo da manhã, acompanhando o movimento de queda da soja e refletindo a cautela dos investidores diante do cenário global.
Além do comportamento técnico do mercado, os agentes seguem atentos às negociações comerciais entre Estados Unidos e China, enquanto os dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) continuam repercutindo no setor.
Milho acompanha soja e recua em Chicago
Por volta das 10h47 (horário de Brasília), os principais contratos futuros do milho operavam em queda na CBOT.
O vencimento julho/26 era cotado a US$ 4,71 por bushel, com baixa de 9,50 pontos. O setembro/26 recuava 9,25 pontos, para US$ 4,78, enquanto o dezembro/26 registrava queda de 8,75 pontos, negociado a US$ 4,94 por bushel.
Segundo análise do portal internacional Farm Futures, o milho acompanhou a retração da soja durante o período noturno, enquanto o mercado aguardava sinais mais claros sobre possíveis avanços comerciais entre os governos dos Estados Unidos e da China.
A expectativa gira em torno de eventuais acordos envolvendo compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos, incluindo milho, soja e carne bovina.
Relação entre EUA e China segue no radar do mercado
O encontro entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping segue influenciando diretamente o humor dos mercados agrícolas.
Analistas avaliam que possíveis compras chinesas de milho e DDGS dos Estados Unidos poderiam trazer sustentação adicional às cotações internacionais do cereal, especialmente em um ambiente de oferta global mais ajustada.
USDA reduz projeções e reforça cenário de oferta mais apertada
O mercado também continua repercutindo o relatório mensal de oferta e demanda divulgado pelo USDA.
O órgão projetou queda na produção norte-americana de milho para a safra 2026/27, estimada em 15,995 bilhões de bushels, abaixo dos 17,021 bilhões previstos para 2025/26.
A produtividade média foi indicada em 183 bushels por acre, contra 186,5 bushels na temporada anterior. Já a área plantada foi projetada em 95,3 milhões de acres, abaixo dos 98,8 milhões registrados no ciclo passado.
Os estoques finais dos Estados Unidos para 2026/27 foram estimados em 1,957 bilhão de bushels, número inferior aos 2,142 bilhões projetados anteriormente.
No cenário global, o USDA também reduziu suas estimativas. A produção mundial de milho foi projetada em 1,295 bilhão de toneladas, abaixo das 1,312 bilhão da temporada anterior. Os estoques finais globais foram estimados em 277,54 milhões de toneladas, contra 296,95 milhões no ciclo passado.
Chicago encerra sessão com recuperação técnica
Apesar das perdas observadas ao longo do dia, a Bolsa de Chicago encerrou a sessão anterior em campo positivo, impulsionada pela consolidação de ganhos após movimentos de realização de lucros.
Os contratos de milho com entrega em julho fecharam cotados a US$ 4,80 3/4 por bushel, alta de 0,15%. Já o setembro encerrou a US$ 4,87 1/4, avanço de 0,20%.
O movimento refletiu a combinação entre expectativa de acordos comerciais e redução das projeções de oferta divulgadas pelo USDA.
B3 acompanha cenário externo e registra perdas
No mercado brasileiro, os contratos futuros do milho negociados na B3 também operaram em baixa.
Por volta das 11 horas, os principais vencimentos variavam entre R$ 65,17 e R$ 74,15 por saca.
O contrato maio/26 era negociado a R$ 65,17, com queda de 0,08%. O julho/26 recuava 0,55%, cotado a R$ 66,77. Já o setembro/26 registrava baixa de 0,56%, negociado a R$ 69,71, enquanto o janeiro/27 era cotado a R$ 74,15, com desvalorização de 0,22%.
Segundo análise da TF Agroeconômica, o mercado brasileiro segue pressionado pela expectativa de maior oferta interna, especialmente após o USDA elevar as projeções de safra para Brasil e Argentina.
Oferta elevada limita reação dos preços no Brasil
O avanço da segunda safra e a percepção de maior disponibilidade do cereal continuam limitando movimentos de recuperação dos preços no mercado físico.
No Rio Grande do Sul, as indicações variam entre R$ 56,00 e R$ 65,00 por saca, com média estadual de R$ 58,12. Em Santa Catarina, o distanciamento entre compradores e vendedores mantém os negócios lentos.
No Paraná, a expectativa de uma safrinha robusta reforça a percepção de oferta confortável, enquanto em Mato Grosso do Sul a ampliação da disponibilidade do cereal pressiona as cotações para a faixa entre R$ 51,00 e R$ 53,00 por saca.
O setor de bioenergia segue como importante canal de absorção da produção, mas agentes do mercado avaliam que uma recuperação mais consistente dos preços dependerá do fortalecimento das exportações e de uma demanda interna mais aquecida no segundo semestre.
Mercado segue sensível ao cenário global
O mercado do milho permanece altamente sensível aos desdobramentos do comércio internacional, às condições climáticas nos principais produtores e às revisões de oferta e demanda globais.
Enquanto o USDA aponta para estoques mais apertados nos Estados Unidos e no mundo, a entrada da segunda safra brasileira e a expectativa de maior oferta na América do Sul continuam exercendo pressão sobre as cotações no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes
Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.
Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.
A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.
Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.
A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.
Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.
Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.
A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.
O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.
O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.
Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.
O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.
Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.
O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.
O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.
Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro
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