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Café oscila com avanço da colheita, chuvas nas lavouras e tensão geopolítica; produtores monitoram preços e qualidade da safra

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O mercado do café iniciou a quarta-feira (20) em clima de cautela, refletindo a combinação entre avanço da colheita no Brasil, instabilidade climática nas regiões produtoras, volatilidade nas bolsas internacionais e preocupações geopolíticas que seguem movimentando as commodities globais.

Nas principais áreas cafeeiras do país, as atenções se voltam para o ritmo da colheita e para os impactos das chuvas sobre a qualidade dos grãos. Segundo levantamentos do Cepea, precipitações registradas recentemente em regiões do Paraná e de São Paulo já começam a preocupar produtores, principalmente em áreas onde os grãos estão no terreiro ou já caíram ao solo.

No norte do Paraná, agentes de mercado relatam perdas pontuais de qualidade em parte da safra atual. Em Marília (SP), o excesso de umidade dificulta a operação das máquinas e aumenta o risco de deterioração dos grãos. Já no Sul de Minas Gerais, maior polo produtor de café arábica do país, o cenário é considerado mais favorável, com previsão de chuvas menos intensas e sem danos relevantes até o momento.

Enquanto o clima preocupa no campo, o mercado internacional acompanha o crescimento da oferta brasileira. A entrada mais forte da safra de conilon e o avanço gradual da colheita do arábica pressionam as cotações nas bolsas de Nova York e Londres.

Na ICE Futures US, em Nova York, o contrato julho/2026 do café arábica operava em queda de 1,18%, cotado a 266,95 centavos de dólar por libra-peso. O movimento representa uma realização de lucros após a recuperação registrada na sessão anterior, quando os fundos realizaram cobertura de posições vendidas e impulsionaram os preços.

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Em Londres, o robusta também recuava, acompanhando o aumento da oferta global e o comportamento mais defensivo dos investidores diante do cenário macroeconômico internacional.

No mercado físico brasileiro, o ambiente segue marcado por negociações lentas. Muitos produtores permanecem retraídos, aguardando melhores oportunidades de venda diante da volatilidade cambial e das oscilações nas bolsas internacionais.

Mesmo assim, os preços registraram alta em diversas regiões produtoras na sessão anterior. No Sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa com 15% de catação foi negociado entre R$ 1.700 e R$ 1.705 por saca. No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura alcançou até R$ 1.725 por saca.

Na Zona da Mata mineira, o arábica tipo rio apresentou preços entre R$ 1.160 e R$ 1.180 por saca. Já o conilon no Espírito Santo ficou entre R$ 900 e R$ 920 por saca, acompanhando os ganhos recentes registrados na Bolsa de Londres.

Outro fator que segue sustentando parte da firmeza do mercado é a redução dos estoques certificados de café nos armazéns credenciados da ICE. Os estoques caíram para 458.735 sacas de 60 quilos, reforçando a percepção de oferta ainda ajustada no curto prazo.

Além dos fundamentos ligados à produção e à oferta, o mercado segue atento às tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio. A escalada do conflito envolvendo o Irã e as ameaças relacionadas ao Estreito de Ormuz continuam elevando a volatilidade no petróleo, nos fretes marítimos e nos custos logísticos globais.

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O aumento das tarifas de transporte e dos seguros marítimos impacta diretamente o comércio internacional de commodities, incluindo o café. A valorização do petróleo também influencia os custos operacionais da cadeia cafeeira, desde a produção até a exportação.

Apesar do suporte geopolítico, especialistas avaliam que o mercado encontra resistência para sustentar movimentos mais fortes de alta devido à perspectiva de uma grande safra brasileira em 2026/27, especialmente de arábica. As condições climáticas favoráveis nos primeiros meses do ano ajudaram no desenvolvimento das lavouras e aumentaram a expectativa de boa produtividade.

Esse cenário mantém o mercado dividido entre fatores altistas, ligados à geopolítica e aos estoques, e fatores baixistas associados ao aumento da oferta brasileira e mundial.

No câmbio, o dólar comercial operava em leve queda frente ao real, cotado a R$ 5,03, fator que também reduz a competitividade das exportações brasileiras e contribui para o comportamento mais cauteloso dos vendedores.

No ambiente macroeconômico, as bolsas asiáticas encerraram o dia em baixa, enquanto os principais mercados europeus operavam em alta. Já o petróleo WTI recuava mais de 1%, embora permaneça em patamares historicamente elevados.

Diante desse cenário, o mercado cafeeiro segue extremamente sensível às mudanças climáticas, ao comportamento dos fundos internacionais, ao avanço da safra brasileira e às tensões geopolíticas globais, fatores que devem continuar determinando o ritmo dos preços nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil

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As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.

Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.

Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural

O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.

Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.

De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.

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Agro sente impacto de forma gradual

Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.

O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.

A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.

Inflação dos alimentos pode ganhar força

O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.

Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.

Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.

Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.

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Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada

Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.

As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.

Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.

Agronegócio acompanha cenário com atenção

Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.

O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.

Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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