AGRONEGÓCIO
Preço do trigo segue firme no Sul com demanda aquecida e preocupação climática nos EUA
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O mercado de trigo mantém sustentação no Sul do Brasil em meio à forte demanda dos moinhos, oferta restrita de produto de qualidade e valorização do cereal nacional frente ao importado. Ao mesmo tempo, o cenário internacional também dá suporte às cotações, com os contratos futuros em Chicago reagindo às condições críticas das lavouras de inverno nos Estados Unidos.
Segundo análise da TF Agroeconômica, o Rio Grande do Sul lidera o movimento de firmeza nos preços, enquanto Santa Catarina apresenta maior estabilidade e o Paraná segue com avanço gradual das referências no mercado físico.
Moinhos gaúchos intensificam busca por trigo de qualidade
No Rio Grande do Sul, os moinhos continuam procurando trigo de melhor padrão, mas encontram dificuldade para adquirir lotes disponíveis no mercado. Em negócios pontuais realizados nos últimos dias, o cereal chegou a ser negociado a até R$ 1.500 por tonelada CIF, com prazo de pagamento de 45 dias.
A consultoria destaca que esse valor não representa o preço médio do mercado, mas sim o maior patamar registrado na semana para trigo considerado de qualidade superior.
O movimento reflete a preferência de parte dos compradores pelo produto nacional, visto como mais confiável em qualidade e logística em comparação ao trigo argentino, mesmo diante da recente queda do dólar.
Além do trigo pão, aumentou também a procura por trigo branqueador, com volumes considerados expressivos sendo negociados no estado.
Safra nova preocupa e área plantada deve cair no RS
Os moinhos gaúchos já estão totalmente abastecidos para maio e devem atuar apenas em compras de oportunidade. Para junho, a cobertura estimada gira em torno de 50%.
No mercado futuro, poucos lotes da nova safra foram ofertados a R$ 1.250 CIF porto, enquanto compradores indicaram preços próximos de R$ 1.100 no interior, sem aceitação por parte dos vendedores.
De acordo com a TF Agroeconômica, cerca de 40 mil toneladas já foram negociadas antecipadamente entre moinhos e exportadores.
A perspectiva para a próxima safra no Rio Grande do Sul também preocupa o setor. A expectativa é de redução de pelo menos 25% na área cultivada, acompanhada por corte de até 60% nos investimentos em adubação, fator que pode impactar produtividade e qualidade do cereal.
Paraná e Santa Catarina mantêm mercado firme
Em Santa Catarina, o mercado segue mais estável em comparação aos demais estados do Sul. O trigo catarinense registra preços mínimos ao redor de R$ 1.350 por tonelada FOB.
Já o trigo do Paraná aparece entre R$ 1.320 e R$ 1.350 FOB no Sudoeste para trigo pão, enquanto o trigo branqueador gaúcho é ofertado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 FOB.
No Paraná, os negócios seguem firmes, com negociações variando entre R$ 1.330 e R$ 1.400 FOB. Há ainda novas indicações de venda entre R$ 1.400 e R$ 1.500 FOB.
O cereal brasileiro continua competitivo frente ao trigo importado, sustentado principalmente pela qualidade do produto e pelas vantagens logísticas no abastecimento interno.
Chicago sobe com seca histórica nas lavouras dos EUA
No cenário internacional, os contratos futuros do trigo operavam em leve alta na Bolsa de Chicago na manhã desta quarta-feira (20).
O contrato julho de 2026 era cotado a US$ 667,75 por bushel, com valorização de 0,50 centavo de dólar.
A alta reflete a deterioração das lavouras de trigo de inverno nos Estados Unidos. Segundo dados acompanhados pelo mercado, cerca de 71% das áreas cultivadas enfrentam condições de seca.
O mercado também monitora o início da colheita norte-americana, que pode registrar o pior desempenho desde a safra 1972/73, conforme projeções do USDA.
No mercado físico brasileiro, os preços seguem relativamente sustentados. No Paraná, a referência média ficou em R$ 1.360,52 por tonelada, enquanto o Rio Grande do Sul registrou R$ 1.311,12 por tonelada, com leve valorização diária.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare
Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.
O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.
A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.
A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.
Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.
A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.
Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.
Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.
Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.
Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.
O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.
Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.
Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.
Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.
Fonte: Pensar Agro
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