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Governo do Acre e Prefeitura de Mâncio Lima firmam parceria para implantação de horta e cozinha comunitária
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O governo do Acre conquistou mais um aliado na ampliação das políticas de segurança alimentar e nutricional. Nesta quarta-feira, 3, a Prefeitura de Mâncio Lima sinalizou interesse em formalizar a adesão ao convênio estadual que prevê o repasse de R$ 200 mil para a implantação dos programas Cozinhas e Hortas Comunitárias, iniciativa coordenada pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH).

A confirmação ocorreu durante reunião entre representantes da prefeitura e a equipe técnica da SEASDH. Os gestores municipais também reafirmaram a permanência do município no Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), ao qual o município aderiu em 2024.
Com isso, a cidade acessa recursos federais e estaduais para ações de combate à fome, promoção da inclusão social e garantia da alimentação adequada.
O vice-prefeito, Andisson Silva de Lima, o Andinho, destacou a importância da parceria com o governo estadual.
“Recebemos com muita satisfação essa iniciativa do governo do Estado. A governadora Mailza Assis tem demonstrado sensibilidade e compromisso com as necessidades dos municípios, especialmente daqueles que enfrentam maiores desafios sociais. Essa parceria representa mais oportunidades para nossa população, garantindo acesso à alimentação de qualidade e fortalecendo ações que promovem dignidade e inclusão. Mâncio Lima está de portas abertas para somar esforços com o Estado na construção de uma realidade mais justa e sem fome”, afirmou.

Já a secretária municipal de Assistência Social, Joice Mota, disse que os equipamentos vão contribuir para a segurança alimentar das famílias em situação de vulnerabilidade, fortalecendo a rede de proteção social. “Uma emoção poder trazer esses benefícios para nossas famílias. Estamos felizes e esperançosos em construir essa iniciativa que levará mais comida, inclusão e qualidade de vida para a população”, afirmou.

No encontro, a agente articuladora estadual do Ministério do Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Catiana Rodrigues, apresentou aos operadores da Assistência Social Social e Saúde, o Protocolo Brasil Sem Fome, suas etapas e orientações para implementação. Também informou a necessidade de reaplicação da Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (Tria), ferramenta recomendada pelo Ministério da Saúde, utilizada por equipes da Atenção Primária (como nos Postos de Saúde e Estratégia Saúde da Família), para identificar precocemente pessoas ou famílias com dificuldades de acesso à alimentação básica.

Tratativas avançam em Rodrigues Alves
Dando continuidade à agenda de interiorização das políticas de segurança alimentar e nutricional, a equipe da SEASDH composta pelo coordenador do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional (Depsan), André Crespo, junto com o diretor de Planejamento, Washington Cameli, estiveram reunidos com secretários de Administração, Assistência Social, Planejamento e técnicos da Prefeitura de Rodrigues Alves para apresentação da proposta do projeto das hortas e cozinhas comunitárias e adesão ao Sisan.
“Temos um público que ainda passa por dificuldades de alimentação , principalmente zona rural, e com essa parceria, vamos chegar até elas levando comida e qualidade de vida”, afirmou a secretária municipal de Assistência Social, Tainã Holanda.

Sobre o programa Cozinhas e Hortas Comunitárias
A implantação das Cozinhas e Hortas Comunitárias integra a estratégia do governo do Acre para fortalecer a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) nos 22 municípios acreanos. A iniciativa prevê uma atuação conjunta entre Estado e prefeituras, ampliando o acesso da população vulnerável à alimentação adequada e saudável.
Por meio de convênio, o Estado disponibiliza equipamentos, insumos e recursos para custeio operacional. Já os municípios ficam responsáveis pela gestão dos espaços, estrutura física e execução das atividades.
Cozinha Comunitária
A Cozinha Comunitária tem como objetivo ofertar refeições completas e gratuitas para famílias em situação de insegurança alimentar, trabalhadores de baixa renda, pessoas em situação de rua e outros públicos em vulnerabilidade social.
A ação segue os princípios da Cozinha Solidária, política pública instituída pela Lei Federal nº 14.628/2023, que assegura o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA).
Responsabilidades do município
- Disponibilizar o espaço físico e designar equipe para a gestão da unidade;
- Planejar o cardápio semanal com orientação técnica do Estado;
- Ofertar, em média, mil refeições por semana, conforme a demanda local;
- Garantir o funcionamento regular da cozinha durante os 12 meses de vigência do convênio;
- Realizar a prestação de contas dos recursos utilizados na aquisição de alimentos.
Horta Comunitária
A Horta Comunitária é um espaço de produção agroalimentar coletiva voltado ao cultivo de hortaliças, frutas, ervas e outros alimentos in natura. A produção é destinada às famílias em situação de vulnerabilidade e, prioritariamente, ao abastecimento da Cozinha Comunitária.
Além de ampliar o acesso a alimentos saudáveis, a iniciativa fortalece a soberania alimentar, estimula a geração de renda, promove o trabalho comunitário e reduz a dependência de produtos adquiridos fora do município.
Responsabilidades do município
- Disponibilizar área adequada para o cultivo e indicar responsáveis pela produção;
- Mobilizar famílias, associações e grupos produtivos para participação nas atividades;
- Garantir abastecimento de água e manutenção das condições de cultivo;
- Priorizar o fornecimento dos alimentos produzidos para a Cozinha Comunitária local;
- Destinar os excedentes às famílias em situação de insegurança alimentar;
- Prestar contas da utilização dos insumos fornecidos pelo Estado
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Encontro reúne filhos separados dos pais pela hanseníase e reforça luta por reparação histórica no Acre
Abraços interrompidos por décadas, histórias marcadas pela saudade e lembranças de uma infância vivida longe dos pais. Esses foram alguns dos sentimentos compartilhados durante o encontro de filhos e filhas separados de suas famílias em decorrência da política de isolamento compulsório aplicada às pessoas acometidas pela hanseníase no Brasil. Realizado nesta quarta-feira, 3, em Rio Branco, o evento reuniu mais de 100 pessoas que carregam as marcas de uma das mais dolorosas violações de direitos da história da saúde pública brasileira.
A atividade contou com a participação do governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), representantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e integrantes do governo federal.
Parentes e familiares de pessoas acometidas pela hanseníase se reúnem para buscar direitos. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHO encontro teve como objetivo esclarecer dúvidas sobre direitos, orientar os participantes sobre os processos de reparação histórica e proporcionar um espaço de escuta para pessoas que viveram os impactos da separação familiar e do preconceito.
Durante o evento, a diretora de Direitos Humanos da SEASDH e presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos e Cidadania (CEDHC), Joelma Pontes, destacou que, durante décadas, pessoas diagnosticadas com hanseníase foram vítimas de graves violações de direitos.
Estado contou com representante para tirar dúvidas e o acompanhamento das famílias. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDH“Hoje vivemos um momento de reencontro familiar, em que filhos de pais que tiveram hanseníase têm a oportunidade de se reencontrar após uma separação compulsória marcada pela exclusão e pelo afastamento forçado”, afirmou.
Segundo a gestora, o encontro também representa um espaço de escuta, acolhimento e fortalecimento da luta por direitos. “Estamos em articulação com órgãos nacionais para assegurar que essas pessoas tenham acesso aos seus direitos, incluindo possíveis reparações. A certificação servirá como comprovação das violações de direitos sofridas ao longo de suas vidas, fortalecendo a luta pelo reconhecimento e pela reparação dessas injustiças”, ressaltou.
O processo de reparação é coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), com a participação de diversos órgãos federais, entre eles o Ministério da Saúde (MS).
Representante nacional tirou dúvidas, esclareceu direitos e processos que estão sendo feitos para indenização dos familiares. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHPresente no encontro, o ex-coordenador nacional do Morhan e representante do Ministério da Saúde, Artur Custódio Souza, explicou que o governo federal busca ampliar a capacidade de análise dos processos.
“Pelo Ministério da Saúde, já existe uma autorização do ministro Alexandre Padilha para que seja criado um grupo-tarefa ou para que os seis servidores que atualmente integram a comissão possam atuar com dedicação exclusiva ao trabalho de análise dos processos”, explicou.
Atualmente, cerca de 120 processos são deferidos por mês. No entanto, a expectativa é ampliar esse número significativamente.
“Com a estrutura adequada e o reforço das equipes, a estimativa é que seja possível acelerar a análise para cerca de 600 processos mensais”, destacou Artur.
Estado irá certificar familiares e pessoas vítimas do isolamento. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHNo Acre, aproximadamente mil pessoas aguardam indenização por terem sido submetidas ao isolamento compulsório. Outras cerca de 500 aguardam reconhecimento por terem vivido isoladas em seringais ou em suas próprias residências. O benefício previsto em lei corresponde a um valor individual destinada às pessoas reconhecidas como vítimas dessas violações.
Certificação fortalece reconhecimento
O estado também desenvolve um processo de certificação das pessoas afetadas pela hanseníase e pela política de isolamento compulsório. A iniciativa é conduzida por uma comissão responsável por reunir documentos e comprovações das violações sofridas.
O documento é considerado fundamental para assegurar direitos e fortalecer os pedidos de reparação histórica apresentados junto ao governo federal.
Coordenador estadual do Morhan. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHDe acordo com o coordenador estadual do Morhan, Elson Dias, o reconhecimento dessas violações é resultado de uma luta que já dura mais de uma década.
“O governo federal já reconheceu que houve um erro ao separar pessoas acometidas pela hanseníase e encaminhá-las para os antigos locais de tratamento. Após a sanção da Lei nº 11.520, de 2007, que garantiu uma pensão especial às pessoas internadas nesses espaços, o Morhan iniciou uma nova mobilização em busca do reconhecimento dos filhos que ficaram para trás”, explicou.
No Acre, existiram dois locais destinados ao isolamento de pessoas acometidas pela doença: a Colônia Souza Araújo, em Rio Branco, e a Colônia Ernani Agrícola, em Cruzeiro do Sul.
Familiares contaram histórias sobre o isolamento que seus pais sofreram na época que foram diagnosticados com a doença. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHSegundo Elson, ao longo do processo também foram identificadas outras vítimas da política de isolamento.
“Muitas vezes, os leprosários estavam superlotados e os médicos determinavam que as pessoas permanecessem isoladas em casa ou nos seringais. Isso ocorreu até a década de 1980. Essas famílias também sofreram as consequências do afastamento e da exclusão social”, ressaltou.
Histórias marcadas pela separação
Entre os participantes do encontro estava Marilza Assis, voluntária do Morhan e filha de Raimundo Nonato de Assis, que foi separado da família após ser diagnosticado com hanseníase.
Sofrimento deixou marcas na história de Marilza que foi separada dos pais ainda quando bebê. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHMarilza tinha apenas seis meses de idade quando o pai foi retirado do seringal Aliança, na região de Sena Madureira, e encaminhado para tratamento na Colônia Souza Araújo, onde permaneceu por 34 anos.
“Falar da minha história é contar um pouco do sofrimento de cada filho que passou por isso. Não perguntaram o que aconteceria comigo, com a minha irmã ou com a minha mãe. Apenas levaram o meu pai embora”, relatou.
O reencontro entre pai e filha aconteceu apenas duas décadas depois. “Quando reencontrei meu pai, eu já tinha 20 anos. Foi então que ele pôde nos conhecer melhor e fazer nosso registro”, contou.
A mãe de Marilza também enfrentou o preconceito da época: “As pessoas não queriam dar trabalho para ela porque havia convivido com alguém que tinha a doença. Sem condições de nos criar, acabou me entregando para uma família e minha irmã para outra”, relembrou.
Mesmo após a morte do pai, em 2015, Marilza segue participando da luta pelo reconhecimento das famílias afetadas.
“Meus irmãos estão vivos, eu estou viva, e seguimos lutando para sermos reconhecidos. Esperamos que nossos direitos sejam garantidos”, afirmou.
Infância marcada pelo isolamento
Outra história compartilhada durante o encontro foi a de João Pereira do Nascimento. Diferentemente de muitos participantes, ele não foi separado por causa da doença dos pais. Foi ele quem adoeceu e acabou isolado da própria família.
“Eu fui separado para não transmitir a doença para os meus pais e para os meus irmãos”, relatou.
Diferente das outras pessoas, João foi diagnosticado com a doença ainda quando criança e teve que ser separado dos pais na comunidade ribeirinha em que vivia. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDHJoão conta que os primeiros sinais surgiram ainda na infância, mas o diagnóstico só veio aos nove anos: “Foi aí que começou o meu sofrimento. Passei a morar dentro da mata, numa casinha a cerca de 500 metros da casa da minha mãe, sem poder me aproximar dela ou ter qualquer contato”, lembrou.
As marcas daquele período permanecem vivas na memória: “Eu tomava banho escondido, no escuro, para ninguém me ver. Depois voltava para aquela casinha isolada, longe da minha família”, recordou.
Dos nove aos 18 anos, viveu afastado do convívio social. Mais tarde, foi encaminhado para a Colônia Souza Araújo e, posteriormente, para o Hospital de Base, onde permaneceu em tratamento por cerca de dois anos.
Fonte: Governo AC
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Foto: Fernando Santtos/SEASDH
Fernando Santtos/SEASDH
Evandro Ibernon/Ascom Pref. de Mâncio Lima
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