AGRONEGÓCIO
Pronampe Leite libera R$ 108 milhões em 90 dias e amplia acesso ao crédito para produtores de Santa Catarina
AGRONEGÓCIO
Produtores de leite de Santa Catarina estão ampliando o acesso ao crédito por meio do Pronampe Leite BRDE/SC, linha de financiamento que já movimentou R$ 108 milhões em apenas 90 dias de operação. A iniciativa, voltada especialmente à pecuária leiteira, surge como resposta à queda nos preços pagos ao produtor e às dificuldades de fluxo de caixa enfrentadas pelo setor.
De acordo com dados divulgados pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o programa já soma 3.721 contratos aprovados, distribuídos em 203 municípios catarinenses. A maior parte das operações atende pequenos e médios produtores, considerados mais vulneráveis às oscilações do mercado.
Segundo o diretor vice-presidente do BRDE, Mauro Mariani, o objetivo da linha é garantir suporte financeiro em um momento de pressão sobre a atividade leiteira. “O foco está no atendimento de pequenos e médios produtores de leite, numa iniciativa que disponibiliza crédito com condições especiais para apoiar produtores afetados pela queda nos preços do setor”, afirmou.
Condições de financiamento e prazos
O Pronampe Leite BRDE/SC oferece prazo total de 24 meses, com 12 meses de carência e outros 12 meses para amortização. A taxa de juros é de 6% ao ano para produtores com mais de 30 matrizes, desde que os pagamentos sejam realizados em dia.
O valor liberado varia conforme o tamanho do rebanho, com limite de até R$ 1 mil por matriz e teto de R$ 50 mil por produtor. O objetivo é adequar o crédito à realidade de cada propriedade, respeitando sua capacidade produtiva.
Requisitos para acesso ao crédito
Para aderir à linha, o produtor precisa ter rebanho registrado na Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e comprovar a comercialização de leite no ano de 2025.
A documentação exigida inclui relatório do Sigen + Cidasc, emitido há no máximo 30 dias, com informações sobre o número de vacas leiteiras e bovinos fêmeas com idade igual ou superior a 25 meses.
Também é obrigatória a apresentação de nota fiscal de venda de leite referente ao ano de 2025. Em casos de propriedades coletivas, o programa exige declaração informando que será realizada apenas uma operação por grupo.
Acesso ao programa ocorre via cooperativas de crédito
O acesso ao Pronampe Leite BRDE/SC é feito por meio das cooperativas de crédito dos municípios catarinenses. A operação é conduzida pelo BRDE em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), responsável pela formulação da política de apoio ao setor.
A iniciativa reforça a estratégia de fortalecimento da cadeia leiteira em Santa Catarina, um dos principais polos de produção do país, especialmente em um cenário de volatilidade de preços e aumento dos custos de produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento
O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.
Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).
A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.
Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.
A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.
O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.
As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.
Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.
Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.
Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.
Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.
Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.
Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.
Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.
O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.
Fonte: Pensar Agro
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