AGRONEGÓCIO
Justiça abre prazo decisivo para produtores rurais contra a Belagrícola em processo de recuperação extrajudicial
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A Justiça do Paraná abriu um prazo considerado estratégico para produtores rurais que possuem créditos a receber da Belagrícola. A medida decorre de decisão da 1ª Vara Estadual de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, publicada em 03 de junho, que determinou a divulgação do edital de convocação dos credores.
Com isso, passa a correr o prazo legal previsto no artigo 164 da Lei nº 11.101/2005 para apresentação de impugnações ao plano de recuperação extrajudicial apresentado pela companhia. Especialistas apontam que este é um momento determinante para a atuação dos credores.
Publicação do edital marca fase crítica do processo
A abertura do edital representa o início formal da contagem de prazos no processo. A partir deste marco, credores devem se manifestar caso desejem contestar pontos do plano.
Para o advogado Raphael Condado, o momento exige atenção imediata dos produtores.
Segundo ele, a ausência de manifestação dentro do prazo pode resultar na vinculação automática às condições propostas no plano de recuperação.
“A publicação do edital é um marco processual muito importante. Quem não agir dentro do prazo, em princípio, fica vinculado às condições do plano. É o momento de agir, não de esperar”, afirma.
Debate sobre quórum de aprovação segue aberto
Apesar do avanço processual, a definição do quórum de aprovação do plano ainda não é definitiva. A magistrada responsável pelo caso adotou, de forma provisória, o chamado “Cenário A” do laudo pericial, que aponta adesão de 57,40% dos credores.
No entanto, a própria decisão judicial ressalta que o tema permanece sob análise e será reavaliado na fase de homologação do plano.
O laudo técnico apresenta diferentes cenários, variando conforme a classificação de determinados créditos — especialmente aqueles vinculados a operações com cessão fiduciária de recebíveis.
Classificação de créditos pode alterar resultado do plano
Um dos principais pontos de controvérsia envolve a natureza de parte dos créditos incluídos no cálculo do quórum. Segundo especialistas, há valores classificados como quirografários que, na visão de parte dos credores, poderiam ser considerados créditos com garantia fiduciária — e, portanto, fora do alcance da recuperação.
Caso essa reclassificação seja aceita, o percentual de adesão ao plano poderia cair significativamente, alterando o resultado final da votação.
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) indica que a definição final sobre garantias fiduciárias depende da liquidação dos bens envolvidos, mas isso não impede contestação prévia da classificação.
Risco de perda de prazo preocupa produtores
O advogado alerta que a fase atual é decisiva para garantir o direito de questionamento da classificação dos créditos.
“Há créditos que podem ser considerados extraconcursais, especialmente em operações com garantia fiduciária. Se isso for reconhecido, o impacto no quórum é direto. Quem não impugnar agora perde essa oportunidade processual”, explica Raphael Condado.
Operações de barter e armazenagem também entram no debate
Outro ponto de atenção envolve produtores que operaram por meio de barter, depósito ou armazenagem de grãos junto à companhia.
De acordo com especialistas, a estrutura jurídica dessas operações pode alterar completamente a natureza do crédito, afastando-o do plano de recuperação em determinadas situações.
Nesses casos, há possibilidade de reconhecimento de crédito extraconcursal, o que exigiria análise individualizada e eventual ação específica para exclusão do processo.
Cenário ainda indefinido exige atuação imediata
Com a abertura do prazo legal, o processo entra em uma fase decisiva que pode impactar diretamente a posição dos produtores rurais no recebimento de valores.
A recomendação de especialistas é que os credores avaliem individualmente suas operações e busquem orientação jurídica para eventual impugnação dentro do prazo estabelecido.
O desfecho sobre o quórum e a homologação do plano ainda dependerá da análise final do Judiciário, que poderá confirmar ou alterar substancialmente os cenários atualmente considerados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Carne de Frango: exportações em alta sustentam mercado mesmo com preços mistos no atacado
O mercado brasileiro de carne de frango encerrou a semana com comportamento misto nos preços do atacado e estabilidade nas cotações do frango vivo nas principais regiões produtoras do país. Apesar das oscilações pontuais nos cortes, o setor segue sustentado pelo forte desempenho das exportações, pelo controle dos custos de produção e pela manutenção do status sanitário brasileiro livre de surtos de Influenza Aviária na produção comercial.
Segundo análise da Safras & Mercado, o cenário continua favorável para a avicultura nacional, especialmente diante da demanda internacional aquecida e da perspectiva de equilíbrio entre oferta e consumo nos próximos meses.
Exportações de carne de frango seguem em ritmo acelerado
De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, o desempenho das exportações permanece como um dos principais pilares de sustentação do mercado em 2026.
Mesmo diante de um ambiente global desafiador, o Brasil mantém sua competitividade no comércio internacional de proteína animal. O país continua afastado dos impactos sanitários da gripe aviária em sua produção comercial, fator que garante regularidade nos embarques e reforça a confiança dos compradores internacionais.
Além disso, os custos de nutrição animal permanecem sob controle, favorecendo as margens da atividade e oferecendo perspectivas positivas de rentabilidade aos produtores.
“A manutenção do equilíbrio entre oferta e demanda será fundamental para o setor ao longo da temporada. A Influenza Aviária continua exigindo monitoramento constante, enquanto os conflitos no Oriente Médio têm gerado apenas aumento dos custos logísticos e maior tempo de operação, sem impactos significativos nos volumes exportados”, avalia Iglesias.
Mercado atacadista registra oscilações nos cortes de frango
No atacado paulista, os preços dos cortes congelados apresentaram comportamento misto ao longo da semana.
O quilo do peito recuou de R$ 8,70 para R$ 8,50, enquanto a coxa avançou de R$ 6,80 para R$ 6,90. Já a asa registrou queda, passando de R$ 11,50 para R$ 11,00 por quilo.
No segmento de distribuição, o peito caiu de R$ 8,90 para R$ 8,70, a coxa subiu de R$ 7,00 para R$ 7,10 e a asa recuou de R$ 11,70 para R$ 11,25.
Nos cortes resfriados, o movimento foi semelhante. O peito no atacado caiu de R$ 8,80 para R$ 8,60, a coxa avançou de R$ 6,90 para R$ 7,00 e a asa passou de R$ 11,60 para R$ 11,10 por quilo.
Já na distribuição, o peito foi negociado a R$ 8,80, contra R$ 9,00 anteriormente. A coxa avançou para R$ 7,20 e a asa recuou para R$ 11,35 por quilo.
Frango vivo permanece estável nas principais regiões produtoras
O levantamento mensal da Safras & Mercado aponta estabilidade nas cotações do frango vivo em praticamente todas as praças acompanhadas.
Em São Paulo, o quilo permaneceu em R$ 5,20. Nas regiões integradas do Sul do país, os preços seguiram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, enquanto o Oeste do Paraná manteve cotação de R$ 4,60 por quilo.
No Centro-Oeste, o Mato Grosso do Sul permaneceu em R$ 5,30 e Goiás em R$ 5,40. Em Minas Gerais, o valor ficou estável em R$ 5,40, enquanto o Distrito Federal manteve R$ 5,30 por quilo.
Nas regiões Norte e Nordeste, as cotações também não registraram alterações, permanecendo em R$ 6,80 no Ceará, R$ 7,00 em Pernambuco e R$ 7,20 no Pará.
Exportações avançam mais de 111% em receita diária
Os dados mais recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) reforçam o forte momento da avicultura brasileira no mercado internacional.
Nos quatro primeiros dias úteis de junho, as exportações brasileiras de carne de aves e miudezas comestíveis frescas, refrigeradas ou congeladas somaram US$ 237,64 milhões, com média diária de US$ 59,41 milhões.
O volume embarcado atingiu 119,29 mil toneladas, resultando em média diária de 29,82 mil toneladas. O preço médio da tonelada exportada foi de US$ 1.992,10.
Na comparação com o mesmo período de junho de 2025, a receita média diária apresentou crescimento expressivo de 111,4%. O volume médio diário embarcado avançou 90,6%, enquanto o preço médio da tonelada registrou valorização de 10,9%.
O desempenho confirma a força da carne de frango brasileira no mercado internacional e reforça as perspectivas positivas para o setor ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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