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Mercado global de celulose deve reagir no fim de 2026 com queda dos estoques e cortes de produção, aponta Rabobank

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O mercado internacional de celulose começa a apresentar sinais de recuperação após um primeiro semestre marcado por preços pressionados e margens reduzidas. A avaliação faz parte da edição de junho do relatório AgroInfo 2026, elaborado pelo Rabobank, que projeta uma melhora gradual das cotações da celulose de fibra curta (BHKP) a partir do quarto trimestre deste ano, sustentada pela redução dos estoques globais e pelos cortes de produção promovidos em diversas regiões produtoras.

Segundo a análise do banco, os estoques mundiais de celulose de fibra curta encerram o segundo trimestre abaixo do nível considerado de equilíbrio, enquanto a oferta de fibra longa (BSKP) permanece elevada. Esse movimento tende a favorecer uma recuperação dos preços nos próximos meses, especialmente diante de um ambiente de demanda mais estável.

Cortes de produção ajudam a equilibrar o mercado

De acordo com o levantamento, os baixos preços da celulose e a redução das margens levaram empresas do setor a ampliar significativamente as paradas de produção ao longo de 2026.

As interrupções anunciadas já representam uma perda de aproximadamente 900 mil toneladas de produção no primeiro semestre, volume quase quatro vezes superior ao registrado em 2025. O Rabobank avalia que novas paralisações ainda poderão ocorrer durante o terceiro trimestre, reforçando o processo de ajuste entre oferta e demanda.

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Preços da fibra curta devem iniciar recuperação no quarto trimestre

As projeções da Fastmarkets utilizadas pelo Rabobank indicam que a celulose de fibra curta deverá atingir seu piso de preços em agosto, ao redor de US$ 570 por tonelada, iniciando uma trajetória de recuperação nos meses seguintes.

Após registrar preço médio de US$ 540 por tonelada em 2025, pressionado pelo forte crescimento da oferta global, a expectativa é que a média de 2026 alcance aproximadamente US$ 595 por tonelada, refletindo a melhora gradual das condições de mercado.

Exportadores brasileiros podem ampliar receitas

Para o Brasil, um dos principais fornecedores mundiais de celulose, o cenário tende a ser mais favorável na segunda metade do ano.

Além da perspectiva de preços internacionais ligeiramente superiores, o Rabobank destaca que uma eventual desvalorização adicional do real frente ao dólar poderá fortalecer a receita das empresas exportadoras brasileiras, ampliando a competitividade do setor no mercado internacional.

Custos logísticos seguem como desafio

Apesar da melhora esperada nos preços, o setor ainda enfrenta desafios decorrentes do cenário geopolítico internacional.

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Segundo o relatório, os efeitos indiretos do conflito envolvendo o Oriente Médio continuam pressionando os custos de transporte marítimo, embora a celulose permaneça fora das propostas de aumento tarifário para importações pelos Estados Unidos, reduzindo riscos adicionais para as exportações brasileiras.

Clima também entra no radar

Outro fator monitorado pelo Rabobank é a provável chegada do fenômeno El Niño.

A instituição alerta que o comportamento climático poderá influenciar a produtividade das florestas plantadas, com possibilidade de chuvas abaixo da média no Nordeste e excesso de precipitações na Região Sul, condições que exigem acompanhamento ao longo do segundo semestre.

Perspectiva

Na avaliação do Rabobank, a ausência de novos grandes projetos industriais de celulose no curto prazo favorece um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda ao longo de 2027. Ainda assim, o banco ressalta que o crescimento econômico global mais moderado e a inflação elevada tendem a limitar a expansão dos mercados de papel e papelão ondulado, mantendo a recuperação do setor em ritmo gradual.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

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A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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