AGRONEGÓCIO
Fim da safra no Centro-Sul e superávit global pressionam preços do açúcar
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O mercado brasileiro de açúcar registrou recuo em janeiro, refletindo o avanço do encerramento da safra 2025/26 e o cenário de oferta ainda elevada. Segundo dados do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o indicador Cepea/Esalq para Ribeirão Preto (SP) teve retração de 5,2% no mês, fechando a R$ 104 por saca de 50 quilos.
A safra 2025/26 no Centro-Sul, principal região produtora do país, está praticamente concluída. Até 16 de janeiro, a moagem somou 601 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, cerca de 14 milhões a menos que no ciclo anterior. O mix açucareiro, que começou mais elevado, perdeu força nos últimos meses, mas encerrou o ciclo em 50,8%, acima dos 48,2% do ano anterior.
O ATR médio ficou em 138,4 quilos por tonelada de cana, inferior aos 141,4 quilos registrados na temporada passada. Mesmo assim, a produção total de açúcar alcançou 40,2 milhões de toneladas, crescimento de 1% em relação ao ciclo anterior.
Atualmente, apenas nove usinas seguem com moagem ativa, e ajustes pontuais devem ocorrer até o fechamento oficial da safra, previsto para março.
Condições climáticas e projeções para a próxima temporada
Com o encerramento da colheita, as atenções se voltam para as condições climáticas que podem influenciar a próxima safra. O clima foi favorável no fim de 2025, mas apresentou restrição hídrica em 2026, especialmente no estado de São Paulo.
Embora a umidade do solo ainda seja considerada adequada, a persistência do tempo seco nas próximas semanas pode levar a revisões nas estimativas para a safra 2026/27, atualmente projetada em 620 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
Preços internacionais do açúcar recuam em Nova York e oscilam em Londres
No mercado externo, o açúcar encerrou a sexta-feira (27) com novas perdas na ICE Futures U.S., leve volatilidade em Londres e pequena reação no mercado físico brasileiro.
Em Nova York, o contrato março/26 do açúcar bruto caiu 0,11 centavo, fechando a 14,30 cents de dólar por libra-peso. O maio/26 recuou 0,06 cent, para 13,89 cents/lbp, e o julho/26 teve queda semelhante, encerrando a 13,87 cents/lbp. Já o outubro/26 fechou a 14,20 cents/lbp, com baixa de 0,08 cent.
Na London Stock Exchange, o açúcar branco apresentou comportamento misto: o contrato maio/26 caiu US$ 0,20, para US$ 407,70 por tonelada, enquanto o agosto/26 subiu US$ 0,40, para US$ 405,70, e o outubro/26 avançou US$ 0,10, chegando a US$ 405,00.
Mercado interno reage, mas acumula queda no mês
Apesar da pressão internacional, o Indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal branco em São Paulo apresentou leve recuperação após sucessivas quedas. A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 98,59 na sexta-feira (27), alta diária de 0,46%.
Mesmo com a reação pontual, o acumulado de fevereiro mostra retração de 6,01%, refletindo o impacto do aumento da oferta e da aproximação do fim da moagem.
Superávit global limita valorização do açúcar no curto prazo
A Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta superávit global de 1,22 milhão de toneladas na safra 2025/26, revertendo o déficit de 3,46 milhões de toneladas estimado no ciclo anterior.
Mesmo com cortes nas projeções de produção da Índia (29,5 milhões de toneladas) e da Tailândia (10,86 milhões), a produção mundial deve alcançar 181,29 milhões de toneladas, um aumento de 3% em relação à temporada passada. Já o consumo global é estimado em 180,07 milhões de toneladas.
De acordo com a OIA, o cenário de preços no curto prazo tende à estabilidade, uma vez que o superávit é considerado moderado e o déficit anterior foi parcialmente compensado pela liberação de estoques indianos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Reforma tributária pressiona supermercados e pode impactar preços e margens no varejo alimentar
A regulamentação da reforma tributária entrou em fase operacional com a publicação das novas regras da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). No varejo alimentar, especialmente no segmento de supermercados, o avanço das mudanças acende um alerta para possíveis impactos sobre preços ao consumidor, margens de lucro e estrutura de gestão fiscal das empresas.
O tema ganha ainda mais relevância em um cenário de alta dos alimentos. Segundo o IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas registrou aumento de 1,34% em abril, com alta acumulada de 3,44% no primeiro quadrimestre de 2026, o que eleva a sensibilidade do consumidor a qualquer reajuste no setor.
Varejo alimentar avalia impactos da nova estrutura tributária
A reforma tributária prevê a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI por um modelo unificado baseado na CBS e no IBS. Apesar da proposta de simplificação, empresários do varejo ainda analisam os efeitos práticos da nova sistemática sobre créditos tributários, formação de preços e dinâmica operacional.
Para o especialista em gestão de supermercados e porta-voz da Meta Contabilidade, Márcio Goulart, o setor já enfrenta desafios imediatos de adaptação.
“O supermercadista está diante de uma mudança que afeta diretamente precificação, controle fiscal, margem e tomada de decisão. Não é só entender a nova regra. É saber como ela muda a rotina do negócio e como evitar perda de competitividade nesse processo”, afirma.
Precificação se torna principal ponto de atenção no setor
Nos supermercados, a definição de preços é considerada o ponto mais sensível da operação. Isso ocorre porque o setor trabalha com alto giro de produtos, margens reduzidas e consumidores altamente sensíveis a variações de preços.
Nesse contexto, qualquer falha na parametrização tributária ou nos sistemas de gestão pode gerar impactos imediatos no caixa das empresas.
Segundo Goulart, há uma percepção inicial equivocada de que a simplificação tributária necessariamente reduzirá custos.
“Existe uma leitura equivocada de que simplificação significa automaticamente redução de custo. Nem sempre será assim na prática operacional. Dependendo da estrutura do negócio, pode haver aumento de pressão sobre margem até a adaptação estar consolidada”, explica.
Transição tributária exige atualização de sistemas e processos
Mesmo com a implementação gradual do novo modelo tributário, o período de transição já exige adequações importantes por parte das empresas.
Entre as principais medidas necessárias estão:
- Revisão dos sistemas fiscais e contábeis
- Atualização de softwares de gestão (ERPs)
- Reclassificação tributária de produtos
- Ajustes nas políticas de precificação
- Capacitação das equipes administrativas e financeiras
Na prática, especialistas recomendam que os supermercados iniciem imediatamente a reestruturação interna para evitar inconsistências fiscais e perdas de créditos tributários ao longo da transição.
Pequenos e médios supermercados são os mais vulneráveis
A adaptação ao novo modelo tributário tende a ser mais desafiadora para pequenos e médios supermercadistas, que geralmente operam com equipes reduzidas e menor especialização em gestão fiscal.
Para Goulart, esse grupo pode sentir os impactos de forma mais intensa.
“O pequeno supermercadista normalmente está focado na operação do dia a dia e nem sempre percebe que uma mudança tributária mal parametrizada pode corroer margem silenciosamente”, afirma.
Segundo ele, muitos negócios só perceberão os efeitos quando houver impacto direto no fluxo de caixa.
Pressão sobre preços pode afetar comportamento do consumidor
O cenário de inflação persistente nos alimentos adiciona mais complexidade ao setor. Com o consumidor cada vez mais sensível a preços, qualquer aumento tende a influenciar diretamente o comportamento de compra, incluindo migração para marcas mais baratas e crescimento de formatos como atacarejos.
Esse movimento intensifica a pressão sobre os supermercados, que precisam equilibrar competitividade, custos operacionais e manutenção de margens em um ambiente tributário em transformação.
Gestão antecipada será diferencial na adaptação à reforma
Para especialistas, o momento exige planejamento e antecipação estratégica por parte dos empresários do varejo alimentar.
“O empresário que começar a organizar processos, tecnologia e inteligência tributária agora terá mais capacidade de proteger margem, manter competitividade e atravessar a transição com menos impacto operacional”, conclui Goulart.
A tendência é que a capacidade de adaptação ao novo sistema tributário se torne um dos principais fatores de competitividade no setor supermercadista nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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