AGRONEGÓCIO
Exportações do agronegócio gaúcho caem 13,7% em janeiro de 2026
AGRONEGÓCIO
Agro gaúcho registra retração nas vendas externas
As exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul apresentaram queda significativa em janeiro de 2026, segundo levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). O setor movimentou US$ 1,06 bilhão, recuo de 13,7% em relação aos US$ 1,2 bilhão exportados no mesmo mês de 2025.
O volume embarcado também diminuiu 12,1%, passando de 1,6 milhão para 1,4 milhão de toneladas. O agronegócio representou 73% do valor total exportado pelo estado e 87% do volume total, refletindo um cenário de menor oferta e condições econômicas menos favoráveis em alguns mercados.
Soja e trigo pressionam desempenho
Os dois principais produtos da pauta agroexportadora gaúcha — soja e trigo — registraram retração no mês. A estiagem reduziu a disponibilidade de soja em grão para embarque, enquanto o trigo foi afetado por preços mais baixos no mercado internacional.
Mesmo com o resultado negativo desses segmentos, outros produtos apresentaram alta. As exportações de arroz atingiram recorde histórico para o mês de janeiro, com crescimento em valor e volume. O arroz em casca teve como principal destino a Venezuela, enquanto o arroz quebrado foi exportado para o Senegal e os Países Baixos.
Proteínas animais ampliam presença no mercado externo
O setor de proteínas animais registrou desempenho misto, com avanços relevantes em algumas frentes. As exportações de boi vivo para a Turquia triplicaram, passando de US$ 15 milhões e 6 mil toneladas em janeiro de 2025 para US$ 45 milhões e 15 mil toneladas em 2026.
A carne bovina manteve a China como principal destino, totalizando US$ 9,6 milhões e 1,5 mil toneladas, com aumentos nas vendas para Canadá e México, que compensaram reduções nos embarques para os Estados Unidos. O Reino Unido também ampliou suas compras, fortalecendo a presença da carne gaúcha na Europa.
Já as exportações de carne de frango cresceram, mesmo com queda nos embarques para o Oriente Médio e suspensão temporária das vendas para a China. Os principais compradores foram Países Baixos, México, África do Sul, Bélgica e Espanha. No caso da carne suína, as Filipinas seguiram como principal destino, com US$ 37,8 milhões e 16 mil toneladas, seguidas pelo Chile, com US$ 7,6 milhões e 3,2 mil toneladas.
Queda nas exportações de fumo e celulose
O setor fumageiro, tradicional na pauta de exportações gaúchas, teve queda nas vendas para a China, totalizando US$ 117 milhões e 14,6 mil toneladas, número inferior ao de janeiro de 2025.
Os produtos florestais, especialmente a celulose, também recuaram, passando de US$ 74 milhões e 131 mil toneladas em janeiro de 2025 para US$ 51 milhões e 103 mil toneladas neste início de 2026. Já as exportações para os Estados Unidos caíram de US$ 61 milhões para US$ 38 milhões, com o volume reduzido de 38 mil para 34 mil toneladas.
China mantém liderança como principal mercado do agro gaúcho
A Ásia, excluindo o Oriente Médio, manteve-se como o principal destino das exportações do agronegócio gaúcho, com US$ 514 milhões e 766 mil toneladas em embarques no mês.
A Europa ocupou a segunda posição, com US$ 197 milhões (dos quais US$ 131 milhões foram destinados à União Europeia), seguida pelo Oriente Médio, com US$ 103 milhões.
Entre os países, a China segue como maior parceira comercial do agronegócio do Rio Grande do Sul, com US$ 191 milhões exportados — o equivalente a 18% do total das vendas externas do setor. Índia, Indonésia, Países Baixos e Vietnã completam a lista dos principais destinos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Reino Unido amplia pressão e setor do agro brasileiro reage a novas restrições à carne
O agronegócio brasileiro enfrenta um novo cenário de pressão no comércio internacional após a decisão da União Europeia (UE) de suspender, a partir de setembro, as exportações de carne brasileira, somada ao anúncio de que o Reino Unido também avalia impor restrições adicionais ao produto nacional.
O movimento conjunto dos mercados mais exigentes do mundo acende um alerta no setor pecuário e reforça a necessidade de adequação às regras sanitárias internacionais, especialmente no que se refere à rastreabilidade, uso de antimicrobianos e comprovação de conformidade produtiva.
Pressão internacional exige maior comprovação sanitária do Brasil
Especialistas avaliam que o principal desafio do Brasil não está apenas no cumprimento formal das normas, mas na capacidade de demonstrar, de forma auditável e contínua, que toda a cadeia produtiva atende aos padrões exigidos por mercados como o europeu e o britânico.
De acordo com a coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, Ieda Queiroz, a União Europeia adota critérios rigorosos baseados em evidências verificáveis.
“A UE não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Sem demonstrar, de forma verificável, o uso adequado de antimicrobianos e a rastreabilidade animal, o impacto será duradouro — e afeta a credibilidade global do país”, afirma.
A especialista ressalta que o avanço das restrições britânicas reforça que o tema não é pontual, mas sistêmico dentro do comércio internacional de proteínas animais.
“Quando outro mercado de alta exigência sanitária sinaliza restrições, fica claro que a governança sanitária brasileira está sob escrutínio internacional”, acrescenta.
MAPA articula resposta técnica para evitar ampliação das restrições
Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) trabalha na consolidação de relatórios técnicos para responder às exigências das autoridades europeias e buscar a reversão das medidas anunciadas.
A estratégia do governo envolve a apresentação de dados sobre controle sanitário, práticas de produção e sistemas de fiscalização adotados no país.
No entanto, especialistas destacam que a reabertura ou manutenção de mercados dependerá diretamente da capacidade de comprovação prática de conformidade ao longo de toda a cadeia produtiva da carne bovina.
Rastreamento e uso de antibióticos seguem no centro do debate
Embora o Brasil possua regulamentação que proíbe o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, esse fator, isoladamente, não é suficiente para atender às exigências dos mercados europeu e britânico.
As autoridades internacionais também demandam rastreabilidade individual dos animais, auditorias independentes e documentação completa de todas as etapas do processo produtivo, desde a origem até o abate e processamento.
Segundo especialistas, a diferença entre a legislação vigente e a implementação prática desses controles ainda representa um dos principais entraves para o acesso pleno a mercados mais rigorosos.
“A distância entre norma e prática ainda é grande”, avalia Ieda Queiroz.
Competitividade da carne brasileira pode ser impactada
O aumento das exigências internacionais ocorre em um momento em que o Brasil ocupa posição de destaque no comércio global de proteínas animais, com forte participação em mercados da Ásia, Oriente Médio e Europa.
No entanto, a ampliação das barreiras sanitárias pode impactar diretamente a competitividade do setor, caso o país não consiga comprovar com robustez a conformidade de seus sistemas produtivos.
Especialistas alertam que a manutenção e expansão da presença brasileira no mercado internacional dependerá cada vez mais de transparência, rastreabilidade e alinhamento com padrões globais de governança sanitária.
Setor agropecuário entra em fase de adaptação e resposta
O cenário reforça a necessidade de adaptação estrutural do setor agropecuário brasileiro, especialmente na pecuária de corte, que depende fortemente do mercado externo.
A tendência é de maior pressão por sistemas integrados de controle, digitalização de processos e fortalecimento de auditorias independentes, com foco na comprovação de origem e conformidade sanitária.
Com a União Europeia avançando em restrições e o Reino Unido sinalizando medidas semelhantes, o Brasil enfrenta um momento decisivo para consolidar sua reputação como fornecedor global de carne dentro dos padrões exigidos pelos mercados mais rigorosos do mundo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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