AGRONEGÓCIO
Embrapa lança novas variedades de abacaxi resistentes à fusariose e com alta produtividade
AGRONEGÓCIO
A Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) apresentou duas novas variedades de abacaxi — BRS Sol Bahia e BRS Diamante — com resistência comprovada à fusariose, principal doença da cultura no país. O lançamento ocorreu no dia 12 de novembro, em um dia de campo na Fazenda Agrícola Boa Vista, no município de Frutal (MG), e reuniu produtores, técnicos e instituições de pesquisa.
As novas cultivares apresentam frutos mais firmes, resistentes ao transporte e com excelente sabor, além de elevado potencial produtivo e maior vida de prateleira.
Fusariose: doença que ameaça a abacaxicultura
A fusariose, causada pelo fungo Fusarium guttiforme, pode destruir lavouras inteiras de abacaxi e gerar grandes prejuízos econômicos. A enfermidade afeta o desenvolvimento das plantas e inviabiliza o aproveitamento de frutos e mudas infectadas.
Com as novas variedades, os produtores terão redução significativa de perdas e de custos com fungicidas, aumentando a sustentabilidade da produção.
“Esses materiais representam um salto de qualidade e segurança para a abacaxicultura brasileira, com resistência total à fusariose”, explica o pesquisador Davi Junghans, líder do programa de melhoramento genético da Embrapa.
Lançamento em Frutal reúne instituições parceiras
O evento de lançamento foi organizado em parceria com Epamig, Emater-MG, Prefeitura e Câmara de Frutal, Coopercisco, Sebrae, Sicredi e Sicoob. A Fazenda Boa Vista, do produtor Júlio Cesar Leonel, foi palco dos experimentos que comprovaram a resistência das novas cultivares.
Em 2023, uma imagem registrada em Frutal chamou atenção: enquanto lavouras de Pérola foram quase totalmente destruídas pela fusariose, as áreas com os abacaxis da Embrapa permaneceram intactas.
Resistência e produtividade superiores
A produtividade das novas variedades chega a 56 toneladas por hectare, mais que o dobro da média nacional, estimada em 26 toneladas por hectare, segundo dados do IBGE (2024).
“A fusariose é devastadora e pode eliminar uma plantação inteira. O Pérola é o mais afetado, mas o BRS Sol Bahia e o BRS Diamante chegam para substituir essa variedade com muito mais segurança”, destaca Junghans.
Além da resistência total à doença, os novos abacaxis são adaptados às principais regiões produtoras do país, têm poucos espinhos nas folhas e teor elevado de açúcares, com acidez equilibrada — características que agradam consumidores e facilitam o manejo nas lavouras.
Pesquisa e desenvolvimento das novas cultivares
Os estudos começaram em 2018, em Frutal, com cinco genótipos — três da Embrapa e dois de controle (Pérola e Smooth Cayenne). As variedades BRS Sol Bahia e BRS Diamante, chamadas de “irmãos germanos” por compartilharem a mesma origem genética, são resultado do cruzamento entre uma variedade amazônica (FRF 632) e a cultivar Gold (MD-2).
Após anos de seleção, as cultivares foram registradas em 2022 e testadas em lavouras comerciais em Bahia, Minas Gerais, Pará, Ceará, Paraíba, Espírito Santo, Mato Grosso e Rio de Janeiro.
Características e vantagens dos novos abacaxis
- Peso médio dos frutos: 1,37 kg (BRS Sol Bahia) e 1,67 kg (BRS Diamante)
- Polpa: creme, doce e com média acidez
- Folhas: com poucos espinhos
- Manejo facilitado: dispensa poda para acesso à lavoura
- Colheita ideal: quando o fruto apresenta entre 50% e 75% da casca amarela
Segundo os pesquisadores, o BRS Sol Bahia tem maturação cerca de duas semanas mais tardia que o Pérola, enquanto o BRS Diamante amadurece 30 dias depois, permitindo ampliar a janela de comercialização.
As análises sensoriais da Embrapa indicaram alta aceitação entre os consumidores.
Rede Ananás garante mudas com qualidade genética
As mudas das novas cultivares estão sendo produzidas por micropropagação em biofábricas e devem ser utilizadas como plantas-matrizes. A multiplicação em larga escala ocorrerá por meio da Rede Ananás, criada pela Embrapa para garantir material genético de alta qualidade aos produtores.
“É essencial que o agricultor adquira mudas de licenciados oficiais, que seguem protocolos da Embrapa e garantem a origem e a sanidade das plantas”, destaca Herminio Rocha, coordenador da Rede Ananás.
Importância econômica do abacaxi em Minas Gerais
O estado de Minas Gerais é o terceiro maior produtor de abacaxi do Brasil, atrás apenas de Paraíba e Pará, segundo o IBGE (2024). São cerca de 5,2 mil hectares em produção e 3,6 mil hectares em formação, com 160 mil toneladas anuais, das quais 80% são produzidas pela agricultura familiar.
O município de Frutal concentra 2,6 mil hectares de cultivo, sendo o maior produtor do estado. No cenário nacional, o Brasil colhe 1,5 bilhão de frutos por ano, ocupando a quarta posição entre os maiores produtores mundiais, conforme dados da FAO (2024).
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas
A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.
A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.
Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.
No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.
Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.
A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.
O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.
As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.
Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.
Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.
A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.
Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.
A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.
No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.
Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.
O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.
Fonte: Pensar Agro
-
SEM CATEGORIA5 dias atrásPrefeitura de Rio Branco reforça prevenção às queimadas na APA Raimundo Irineu Serra
-
SEM CATEGORIA5 dias atrásPrefeitura de Rio Branco intensifica recuperação de vias no bairro Bonsucesso com ações do programa Prefeitura nas Ruas
-
POLÍTICA NACIONAL7 dias atrásProjeto reconhece seleções brasileiras de futebol como símbolos da identidade nacional
-
AGRONEGÓCIO7 dias atrásNova plataforma acelera seleção de trigo resistente a doenças
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásAbertura do plantio da soja vai debater alimentos, biocombustíveis e energia
-
ESPORTES5 dias atrásPalmeiras vence o Coritiba e segue isolado na liderança do Brasileirão
-
AGRONEGÓCIO7 dias atrásMudança no ITR pode impedir cobrança sobre terras invadidas e limitar avaliações abusivas
-
FAMOSOS5 dias atrásMarina Ruy Barbosa curte folga e faz topless durante pausa na Toscana