AGRONEGÓCIO
Selic desacelera e cenário global pressiona custos, elevando desafios para o agronegócio brasileiro
AGRONEGÓCIO
A recente decisão do Banco Central do Brasil de reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual, abaixo das expectativas do mercado, sinaliza uma mudança relevante no cenário econômico. O movimento reflete o aumento das incertezas globais e as pressões fiscais internas, com impactos diretos sobre o agronegócio brasileiro.
Corte menor da Selic indica mudança na percepção de risco
Segundo análise do administrador de empresas Wolney Arruda, a desaceleração no ritmo de queda da Selic vai além de um ajuste técnico e revela uma reavaliação do risco macroeconômico.
Até recentemente, o mercado projetava cortes mais intensos, com a taxa básica podendo atingir níveis próximos de 11% até o fim de 2026. No entanto, o cenário mudou, e as estimativas foram revisadas para uma faixa entre 13,5% e 14% ao final do ano.
Guerra no Oriente Médio pressiona fertilizantes e energia
Um dos principais fatores por trás dessa mudança é o agravamento das tensões geopolíticas envolvendo o Irã, importante exportador global de fertilizantes nitrogenados, especialmente ureia.
Qualquer restrição logística ou sanção internacional pode elevar os preços desses insumos, fundamentais para culturas como milho, trigo e cana-de-açúcar, aumentando os custos de produção agrícola.
Além disso, o risco de interrupções no Estreito de Ormuz mantém a volatilidade nos preços do petróleo, impactando diretamente o custo do diesel — um dos principais componentes de despesas no campo, especialmente em transporte, mecanização e energia.
Inflação global limita cortes mais agressivos nos juros
O aumento dos preços de energia e fertilizantes contribui para a chamada inflação importada, reduzindo o espaço para cortes mais rápidos na taxa de juros.
Esse cenário cria um efeito em cadeia, elevando o custo do dinheiro e dificultando o acesso ao crédito em diversos setores da economia, especialmente no agronegócio.
Crédito rural fica mais caro e pressiona produtores
Com a Selic mais alta por mais tempo, o custo de equalização das taxas subsidiadas do Plano Safra aumenta, pressionando as contas públicas.
Na prática, isso pode levar à redução da oferta de crédito subsidiado e ao aumento da migração de produtores para linhas de crédito livre, atreladas ao CDI e diretamente influenciadas pela taxa básica de juros.
Fragilidade fiscal agrava cenário econômico
O pano de fundo dessa dinâmica é a situação fiscal do país. O Brasil entra em um ciclo eleitoral com déficit público elevado, o que limita a capacidade do governo de ampliar subsídios sem aumentar a percepção de risco.
Relatórios de instituições como o Fundo Monetário Internacional indicam que a trajetória da dívida pública brasileira segue como um dos principais pontos de atenção para investidores.
Esse cenário eleva o prêmio de risco exigido pelo mercado, dificultando ainda mais a redução dos juros.
Impactos diretos no agronegócio
Para o produtor rural, os efeitos são imediatos e múltiplos:
- Crédito mais caro e restrito
- Aumento nos custos de insumos, como fertilizantes
- Elevação do custo do diesel e do frete
- Maior incerteza sobre políticas públicas
Mesmo com a possibilidade de ampliação dos recursos do Plano Safra em função do calendário eleitoral, o custo dessa expansão tende a ser mais elevado.
Perspectiva para 2026: margens pressionadas e maior volatilidade
O cenário projetado para 2026 é de maior complexidade para o agronegócio brasileiro. A combinação de fatores internos e externos deve resultar em margens mais apertadas e decisões mais estratégicas por parte dos produtores.
Com a geopolítica influenciando o preço dos insumos, o petróleo impactando o custo logístico e o desequilíbrio fiscal limitando o crédito, o setor passa a operar em um ambiente cada vez mais globalizado e imprevisível.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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