AGRONEGÓCIO
Mercado do café: robusta recua em Londres com NY fechada, enquanto colheita avança no Brasil
AGRONEGÓCIO
O mercado internacional do café opera com liquidez reduzida nesta sexta-feira (3), reflexo do fechamento da Bolsa de Nova York (ICE Futures US), principal referência para os contratos de café arábica. A paralisação ocorre em razão do feriado da Independência dos Estados Unidos, comemorado em 4 de julho, cuja observância foi antecipada para esta sexta-feira devido ao calendário oficial. As negociações serão retomadas normalmente na próxima segunda-feira.
Com a ausência das operações em Nova York, os investidores concentram suas atenções exclusivamente na Bolsa de Londres (ICE Europe), onde são negociados os contratos futuros de café robusta. No início da manhã, o contrato com vencimento em setembro/2026 era negociado a US$ 3.739 por tonelada, queda de 44 dólares, enquanto o contrato novembro/2026 recuava 42 dólares, cotado a US$ 3.703 por tonelada.
A sessão ocorre após uma sequência de valorização do robusta, movimento sustentado pela oferta ainda limitada no mercado global e pelos baixos estoques certificados. Entretanto, o avanço consistente da colheita brasileira e a expectativa de maior disponibilidade de café nas próximas semanas estimulam ajustes técnicos e realização de lucros nas bolsas internacionais.
Clima favorece a colheita nas principais regiões produtoras
No Brasil, as condições climáticas permanecem favoráveis às atividades no campo. A predominância de tempo seco nas principais regiões produtoras permite o avanço da colheita e melhora as condições para secagem e beneficiamento dos grãos.
As previsões meteorológicas indicam apenas chuvas isoladas no litoral do Sudeste e no Espírito Santo, sem volumes significativos capazes de comprometer os trabalhos nas lavouras. Além disso, apesar da chegada de uma frente fria durante o fim de semana, os modelos climáticos não apontam risco de geadas ou frio intenso nas principais áreas cafeeiras, fator que reduz a preocupação dos produtores neste início de julho.
Mercado segue dividido entre oferta da safra e estoques reduzidos
Analistas avaliam que o mercado do café continua sustentado por fundamentos importantes, especialmente os estoques globais ainda apertados e a demanda internacional consistente. Por outro lado, a entrada da nova safra brasileira aumenta gradualmente a oferta disponível, limitando movimentos mais expressivos de alta no curto prazo.
Com Nova York fechada nesta sexta-feira, a tendência é de menor volatilidade e baixo volume de negócios. A partir da reabertura das negociações na próxima semana, o mercado deverá voltar a precificar o avanço da colheita brasileira, a evolução das exportações, o comportamento do dólar e as condições climáticas nas principais regiões produtoras.
No mercado físico brasileiro, produtores permanecem atentos às oportunidades de comercialização, acompanhando a relação entre câmbio, ritmo da colheita e demanda dos exportadores. A expectativa do setor é de que a volatilidade continue elevada durante julho, à medida que novos dados sobre produção e oferta global sejam incorporados às cotações internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Raízen reduz moagem de cana em quase 10% na safra 2025/26, mas amplia produção de açúcar e etanol de segunda geração
A Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar, etanol e bioenergia do mundo, encerrou a safra 2025/26 (abril de 2025 a março de 2026) com uma moagem de 70,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 9,8% inferior ao registrado no ciclo anterior, quando foram processadas 78,2 milhões de toneladas.
Segundo a companhia, o desempenho foi impactado principalmente pelas condições climáticas adversas ao longo da safra, que reduziram a disponibilidade de matéria-prima e afetaram a produtividade agrícola dos canaviais. Além dos efeitos do clima, decisões estratégicas relacionadas à otimização dos ativos industriais também contribuíram para a retração do volume processado.
Clima reduziu oferta de cana
Em comunicado ao mercado, a Raízen informou que a principal razão para a queda da moagem foi o impacto das condições climáticas registradas durante o ano-safra.
A empresa estima que a menor produtividade agrícola provocou uma redução de aproximadamente 900 mil toneladas de cana disponível para processamento, refletindo os desafios enfrentados pelos canaviais em diferentes regiões produtoras.
A menor oferta de matéria-prima confirma os efeitos das adversidades climáticas sobre o setor sucroenergético brasileiro, que também atingiram outros produtores ao longo da temporada.
Estratégia operacional também reduziu o volume processado
Além do clima, a Raízen destacou que parte da redução da moagem decorreu de decisões estratégicas voltadas à otimização do portfólio de ativos.
Entre as medidas adotadas estão:
- venda de aproximadamente 2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar;
- hibernação da usina MB, paralisada desde novembro de 2024 e sem operação durante a safra 2025/26;
- hibernação da usina Santa Elisa, que interrompeu as atividades em julho de 2025.
De acordo com a companhia, desconsiderando esses efeitos extraordinários, a moagem teria alcançado 69,2 milhões de toneladas, o que representaria uma retração mais moderada, de 3,9% em relação à safra anterior.
Mix priorizou açúcar para aumentar rentabilidade
Mesmo diante da menor moagem, a Raízen manteve sua estratégia de direcionar uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar, aproveitando as condições mais favoráveis do mercado internacional.
Na safra 2025/26, o mix de produção ficou em:
- 53% destinado ao açúcar
- 47% destinado ao etanol
No ciclo anterior, a divisão havia sido equilibrada, com 50% para açúcar e 50% para etanol.
Segundo a companhia, a alteração do mix acompanhou sua estratégia de maximização de rentabilidade, sustentada pelos preços previamente fixados para o açúcar e pela qualidade da matéria-prima disponível durante a safra.
Produção de etanol de segunda geração avança
Outro destaque apresentado pela empresa foi a evolução da produção de etanol de segunda geração (E2G).
A Raízen informou que os volumes produzidos cresceram na comparação anual, impulsionados pela estabilização operacional das unidades de:
- Bonfim;
- Univalem;
- Barra.
O desempenho dessas plantas reforça a estratégia da companhia de ampliar a produção de biocombustíveis de maior valor agregado, utilizando resíduos da cana-de-açúcar como matéria-prima e contribuindo para a expansão da oferta de combustíveis renováveis de baixa emissão de carbono.
Perspectivas para o setor sucroenergético
O resultado da safra 2025/26 evidencia os desafios enfrentados pelo setor sucroenergético brasileiro diante das oscilações climáticas, que vêm afetando a produtividade dos canaviais em diversas regiões do país.
Ao mesmo tempo, a decisão da Raízen de ampliar a participação do açúcar no mix de produção demonstra a busca por maior rentabilidade em um cenário de preços internacionais mais atrativos, enquanto os investimentos em etanol de segunda geração reforçam a estratégia de diversificação e fortalecimento da matriz de biocombustíveis.
Mesmo com a redução na moagem, a companhia mantém o foco na eficiência operacional, na otimização de ativos industriais e na expansão de tecnologias voltadas à produção de energia renovável, consolidando sua posição entre as principais empresas do agronegócio e do setor sucroenergético brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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