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Governo do Acre amplia treinamentos e reforça o cuidado especializado em infarto e AVC

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Visando expandir o uso do Projeto Conecta Coração e AVC – Segundos Importam para todas as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Rio Branco, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), realizou, nesta quarta-feira, 5, uma capacitação sobre a utilização da ferramenta voltada aos profissionais da UPA do Segundo Distrito.

Em funcionamento desde maio na capital acreana, o projeto de telemedicina possui uma plataforma de comunicação médica segura que tem como objetivo otimizar protocolos clínicos e oferecer suporte técnico às unidades de saúde que não dispõem de especialistas nas áreas de cardiologia e neurologia.

A iniciativa integra o Projeto Conecta Coração e AVC – Segundos Importam, que reúne programas de atendimento ao Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). O projeto busca salvar vidas e reduzir sequelas, garantindo diagnóstico e tratamento mais ágeis.

Durante o treinamento, a coordenação destacou que a adesão à plataforma representa um avanço significativo para a rede de urgência e emergência do estado. “Estamos fazendo atualizações de fluxos e protocolos para oferecer um melhor atendimento à população com suporte técnico contínuo, onde o paciente recebe o primeiro atendimento e precisa de uma avaliação rápida e precisa do seu caso”, destacou Dayane Pontes, coordenadora do programa e ministrante da capacitação.

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Iniciativa integra o Projeto Conecta Coração e AVC – Segundos Importam. Foto: Tiago Araújo/Sesacre

A gerente de assistência da UPA do Segundo Distrito, Wanessa Lopes, ressaltou a importância da iniciativa ao destacar que essas ações fortalecem a integração entre as equipes e otimizam o atendimento aos pacientes. “Essas reuniões de alinhamento são fundamentais para evitar falhas no processo de assistência ao paciente. Dessa forma, conseguimos manter os médicos e o setor de enfermagem alinhados com a farmácia e o serviço móvel de atendimento, que na maioria das vezes traz esses pacientes até nós, garantindo qualidade e eficiência”.

O Projeto Conecta Coração e AVC – Segundos Importam, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), funciona como uma rede médica integrada, permitindo que exames e informações clínicas sejam compartilhados e avaliados em tempo real por cardiologistas e neurologistas.

O investimento estadual garante suporte especializado 24 horas por dia em todas as unidades de saúde conectadas. No atendimento de urgência, o paciente realiza um eletrocardiograma (ECG) em até 10 minutos após a chegada à unidade. O exame é transmitido pela plataforma, e um cardiologista online orienta a equipe sobre o tratamento adequado, assegurando resposta dentro do chamado “tempo ouro”, de até 20 minutos, essencial para evitar sequelas e salvar vidas.

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Projeto funciona como uma rede médica integrada, permitindo que exames e informações clínicas sejam compartilhados e avaliados em tempo real por cardiologistas e neurologistas. Foto: Tiago Araújo/Sesacre

A médica Suellen Carlos destacou que a utilização da telemedicina e o processo de capacitação representam um avanço importante para a qualificação da assistência e a agilidade no atendimento aos pacientes. “A capacitação é fundamental não apenas para garantir um cuidado mais eficaz aos pacientes críticos, como os acometidos por AVC e infarto, mas também para fortalecer o diálogo entre nós, médicos da linha de frente, e os especialistas. Essa integração nos permite conduzir o caso com mais rapidez e precisão, assegurando que o paciente seja inserido no programa o mais breve possível e receba o tratamento adequado dentro do tempo ideal”.

Atualmente, 18 dos 22 municípios acreanos já contam com cobertura do projeto: Acrelândia, Assis Brasil, Brasileia, Bujari, Capixaba, Cruzeiro do Sul, Epitaciolândia, Feijó, Mâncio Lima, Manoel Urbano, Plácido de Castro, Porto Acre, Rio Branco, Rodrigues Alves, Sena Madureira, Senador Guiomard, Tarauacá e Xapuri. Até dezembro deste ano, todos os municípios devem contar com a plataforma.

Fonte: Governo AC

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Povo Noke Koî preserva tradição do kambô e fortalece proteção da floresta no Acre

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Na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, onde a floresta permanece em pé graças à relação ancestral entre os povos indígenas e a natureza, o povo Noke Koî mantém viva uma das mais importantes medicinas tradicionais da floresta: o kambô, conhecimento sagrado transmitido pelos ancestrais há gerações.

Conhecida como “vacina do sapo”, a prática indígena utiliza a secreção da rã, aplicada em pequenas queimaduras na pele (geralmente braço ou perna) com o objetivo de revigorar o corpo e curar doenças. Para os Noke Koî da aldeia Sumaúma, muito mais do que medicina tradicional e cura física; ela simboliza proteção espiritual, fortalecimento do corpo, equilíbrio emocional e conexão com a natureza.

Sapo de cor verde brilhante vive principalmente na selva amazônica do Acre. Foto: Cleiton Lopes/Secom

O cacique Mõcha Noke Koî explica que o kambô é um ensinamento ancestral deixado pelos antigos e guiado pelo grande espírito.

“Para nós, o kambô é uma medicina sagrada ensinada pelo grande espírito. Ele traz força, coragem, alegria e limpa o pensamento e a espiritualidade. Desde as crianças pequenas, nosso povo utiliza o kambô como proteção espiritual e fortalecimento do corpo. É uma energia muito forte que vem da floresta e do espírito da medicina”, relata.

Cacique Mõcha Noke Koî segura o animal demonstrando respeito. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Segundo o cacique, o conhecimento sobre a aplicação da medicina atravessa gerações e carrega um profundo compromisso de respeito à natureza.

“A medicina kambô é espírito de proteção. Desde o surgimento, nossos bisavôs e tataravôs preservam, cuidam e respeitam essa medicina. Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta. O kambô vive perto das nossas casas porque nosso povo protege e respeita a natureza e a criação do grande espírito”, afirma.

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Preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Para os Noke Koî, a preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. A retirada da secreção do kambô acontece sem causar danos ao animal, reforçando uma relação de equilíbrio com a biodiversidade amazônica.

Mõcha alerta ainda para o uso inadequado da medicina fora dos territórios indígenas e destaca a importância do conhecimento tradicional para a aplicação correta do kambô.

“Hoje muita gente no mundo usa o kambô, mas sem preparo e sem conhecer a tradição. A medicina não é brincadeira. A gente pode brincar com a medicina, mas a medicina não brinca com a gente. Nosso povo aprendeu com o espírito da medicina a maneira correta de aplicar. Por isso respeitamos e preservamos esse conhecimento ancestral”, destaca.

Primeiro Festival Noke Koî – União dos Povos. Foto: Cleiton Lopes/Secom

De acordo com o cacique, entre os Noke Koî, o kambô faz parte da formação espiritual e cultural do povo desde a infância. Os ensinamentos tradicionais orientam a aplicação da medicina em homens, mulheres e crianças, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.

Brincadeiras do Festival Noke Koî. Foto: Cleiton Lopes/Secom

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, ressalta que o kambô integra um conjunto de conhecimentos ancestrais utilizados historicamente pelos povos indígenas muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.

Titular da Secretaria de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara destaca que a medicina tradicional está ligada à preservação das matas.  Foto: Cleiton Lopes/Secom

“Os povos indígenas, desde a origem, utilizam muitos conhecimentos tradicionais para cura e fortalecimento espiritual. Um deles é o kambô, que no nosso povo também chamamos de kampô, por conta da língua Pano. Minha mãe conta que meu avô utilizava o kampô para tirar a preguiça, o cansaço e fortalecer os homens antes da caça. Era uma forma de limpar as energias ruins e fortalecer o corpo e o espírito”, explica.

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Francisca também destaca que a medicina tradicional está diretamente ligada à preservação da fauna e da floresta amazônica.

“Ninguém mata esse sapo. Nosso povo protege, porque ele faz parte da nossa ciência ancestral. Além da medicina, ele também avisa sobre a mudança do tempo, quando chegam o inverno e o verão. Por isso é muito importante preservar a fauna, a flora e os animais da floresta. O kampô é uma cura espiritual, para tirar tudo que é ruim de dentro da gente”, afirma.

Preservar o kambô, para os povos indígenas do Acre é manter viva uma sabedoria ancestral. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Em um estado reconhecido pela preservação ambiental, com mais de 84% das floresta nativa intacta, os conhecimentos indígenas seguem sendo fundamentais para a proteção da Amazônia. Nas aldeias acreanas, tradição, espiritualidade e sustentabilidade caminham juntas.

Povos indígenas do Acre contribuem para a preservação da floresta em pé. Foto: Cleiton Lopes/Secom

Em cada ritual, canto e ensinamento repassado pelos anciãos, o povo Noke Koî reafirma que a floresta não é apenas território: é espírito, memória e vida. Preservar o kambô, para eles, é manter viva uma sabedoria ancestral que continua ensinando ao mundo sobre cuidado, equilíbrio e respeito à natureza.

Fonte: Governo AC

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