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Governo e MCTI firmam parceria para fortalecer o Ecossistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Acre

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O governo do Estado, por meio da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict), e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) firmaram na última quarta-feira, 22, uma intenção de Acordo de Cooperação Técnica para fortalecer o Ecossistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Acre (ECTI-AC). O ato foi firmado durante o encerramento do Seminário Pró-Amazônia e Instrumentos de Incentivo à Inovação, promovido pelas instituições em Rio Branco.

Realizado na sede da Federação das Indústrias (Fieac), o evento reuniu gestores, pesquisadores, empreendedores e representantes do setor produtivo em dois dias de debates e capacitações sobre políticas nacionais de fomento à pesquisa e tecnologia. O objetivo foi capacitar e fortalecer os quadros locais para a elaboração e execução de projetos inovadores junto à União, além de promover a integração entre governo, empresas locais, universidades e instituições de fomento.

Assinatura da intenção de Acordo de Cooperação Técnica foi assinada no encerramento do Seminário Pró-Amazônia e Instrumentos de Incentivo à Inovação. Foto: Luan Cesar/Seict

“O evento cumpriu uma meta do governo em formar capital humano para especializarmos o estado nessa área, além de captar mais recursos de financiamento. A intenção de Acordo de Cooperação para o ECTI-AC tem o papel estratégico de aproximar o Acre das políticas nacionais de Ciência e Tecnologia. Isso fortalece nossa capacidade técnica para implementar projetos e gerar resultados reais na nossa economia. A inovação é vetor de desenvolvimento e o Acre se posiciona como território de oportunidades”, declarou o secretário Assurbanípal Mesquita, titular da Seict.

A cooperação estabelece intercâmbio de conhecimento técnico e acesso facilitado a programas federais, como os da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e os do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de capacitações. Representante da Subsecretaria de Ciência e Tecnologia para a Amazônia (SCTA), ligada à Secretaria-Executiva (Sexec) do MCTI, Dorival dos Santos considerou a parceria um avanço importante para o Acre.

Titular da Seict, Assurbanípal Mesquita destacou o papel estratégico do evento no estado. Foto: Alice Leão/Secom

“É o primeiro passo para que gente torne a parceria entre o Ministério e a Seict efetiva com agendas rotineiras que colaborem com formação, treinamento, divulgação e assessoramento de projetos na área de Inovação. O intuito é desenvolver Ciência, Tecnologia e Inovação no Acre como algo concreto que afete de forma positiva a vidas das pessoas, a sociedade acreana e a economia do estado de forma justa e equilibrada para dar qualidade de vida a todos”, disse Santos.

A diretora de Tecnologia da Seict, Priscila Messias, destacou que a parceria é um avanço concreto na consolidação do Acre como território de Inovação. “O seminário não foi apenas uma troca de informações, mas um passo estratégico para que o estado fortaleça suas capacidades técnicas e amplie a participação nas políticas federais de fomento. A aproximação com o MCTI abre um novo ciclo de oportunidades para universidades, empresas e empreendedores locais desenvolverem soluções que gerem alto valor e grande impacto à sociedade acreana”, afirmou.

Evento reuniu gestores públicos, pesquisadores, empresas, universidades e alunos. Foto: Alice Leão/Secom

Coordenadora-geral de Articulação e Fomento da SCTA/MCTI, Cássia Damiani explicou que o Seminário faz parte de uma agenda itinerante da pasta federal que percorre os estados da Amazônia Legal para alavancar a área. “Identificamos no Acre um ambiente propício e uma demanda real por aproximação com o MCTI. Nosso papel é apoiar e orientar pesquisadores, gestores e empresários a acessar as linhas de fomento e transformá-las em projetos de impacto”.

O edital Finep Amazônia, que destina R$ 150 milhões em recursos não reembolsáveis para apoiar empresas que desenvolvem projetos de inovação de alto risco tecnológico; a Lei do Bem, que permite que empresas invistam em pesquisa e desenvolvimento tecnológico com redução de até 34% no Imposto de Renda e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); e a Lei de TICs, voltada às empresas de tecnologia da informação e comunicação com contrapartidas financeiras em forma de investimento direto em pesquisa, parcerias com universidades e formação de recursos humanos, foram alguns dos instrumentos de financiamento discutidos no evento.

Evento capacitou participantes em projetos de inovação durante dois dias. Foto: Alice Leão/Secom

Estudante de Ciências Biológicas do Instituto Federal do Acre (Ifac) em Rio Branco, Emmili Santos elogiou a iniciativa da Seict e do MCTI. Ela também reforçou que a integração entre Ciência e Tecnologia amplia as oportunidades de novos avanços para o estado. “Foi um evento muito importante para a gente por ressaltar a importância da preservação da Amazônia a partir da inovação e da tecnologia aliadas às pesquisas. Isso mostra o quanto o governo dá atenção à área.”

Fonte: Governo AC

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Acre lidera inclusão de estudantes de educação especial em classes comuns no país, aponta Censo Escolar

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O Acre se consolidou como referência nacional em inclusão escolar de estudantes de educação especial. Dados do Censo Escolar 2025 mostram que 98,9% dos alunos com deficiência matriculados na rede estadual frequentam classes comuns, o maior índice entre as unidades da Federação. No estado todo, o percentual chega a 98,7%, acima da média nacional, que é de 93,5%.

Na rede estadual do Acre, 98,9% dos estudantes da educação especial estão matriculados em salas comuns da educação básica. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Outro dado que coloca o Acre em destaque é a proporção de matrículas da Educação Especial em relação ao total da Educação Básica. Segundo o levantamento, 9,8% das matrículas no estado são de estudantes público-alvo da Educação Especial, praticamente o dobro da média brasileira, que é de 5,3%. Ao todo, o Acre possui 23.739 matrículas em educação especial, sendo 12.926 apenas na rede estadual.

Os números foram apresentados pela Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) e refletem uma política de inclusão baseada na permanência dos estudantes nas escolas regulares, com suporte pedagógico e profissionais especializados.

Segundo a chefe do Departamento de Educação Especial da SEE, Hadhianne Peres, o Acre se diferencia de outros estados por contratar professores para atuar diretamente na mediação dentro das salas de aula.

Chefe do Departamento de Educação Especial da SEE, Hadhianne Peres, destaca o modelo acreano de inclusão escolar com professores mediadores efetivos. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“O Acre é pioneiro, com esses professores que atendem os alunos autistas e os alunos com deficiência nas salas. O Ministério da Educação prevê um profissional de apoio, mas não menciona se é de nível médio ou superior. Com isso, a maioria dos estados contrata estagiários ou profissionais de nível médio. Aqui, a gente contrata docentes para fazer essa mediação em sala de aula”, informa.

A gestora destaca ainda que, em 2026, a rede estadual ampliou a estrutura da Educação Especial com a contratação de 500 professores efetivos para atuar na mediação escolar.

Inclusão na prática

Na Escola Estadual Djalma Teles, em Rio Branco, a inclusão se dá diariamente em sala de aula. A professora Thaís Cristine Freitas acompanha uma turma de 19 alunos do 1º ano do ensino fundamental, dos quais oito possuem dificuldades, como autismo e deficiência física.

Escola Estadual Djalma Teles atende mais de 100 estudantes de educação especial e conta com 38 mediadores nos três turnos. Foto: Douglas Bocardi/SEE

Thaís reporta que, no início, teve receio de não conseguir atender todos os estudantes. “Quando me trouxeram os laudos, até me desesperei. Pensei: ‘Não vou dar conta’. Mas fui trazendo as dinâmicas que eu tinha aprendido trabalhando na Apae e eles foram se adaptando”, relata.

Entre as histórias que marcaram a professora está a evolução do aluno C.E., de 6 anos, diagnosticado com autismo. “Ele não falava nada. Eu perguntava se queria ir ao banheiro e ele não sinalizava. Hoje ele conversa, já consegue sinalizar quando quer ir ao banheiro e até fechar a própria bolsa. Cada pequena evolução é uma grande conquista para mim”, conta.

Segundo a SEE, o Acre possui quase 15 mil estudantes público-alvo de educação especial, sendo cerca de seis mil com TEA. Foto: Douglas Bocardi/SEE

Outro exemplo é o aluno A.M., de 7 anos. Segundo a professora, a participação do estudante nas brincadeiras da turma ajudou a fortalecer sua autonomia e integração com os colegas: “A avó dizia que ele não ia conseguir brincar de corda. E eu dizia: ‘Vai sim’. Hoje ele participa de todas as atividades com os colegas”.

Thaís destaca que a inclusão também depende da convivência entre os estudantes. “Eu não trato eles de forma diferente. Não tem isso de sair primeiro porque é autista. Eles participam de tudo com os outros. A inclusão, para mim, é isso”, disse.

Arthur Miguel, de 7 anos, participa das atividades com colegas, em sala de aula na Escola Estadual Djalma Teles, em Rio Branco. Foto: Douglas Bocardi/SEE

A docente também ressalta a importância das formações oferecidas pela Secretaria de Educação. “Cada palestra ajuda muito, com dicas, orientações e materiais de apoio, para que a gente consiga incluir os alunos da melhor forma possível”, afirma.

A Escola Estadual Djalma Teles atende atualmente 920 estudantes nos três turnos e possui mais de cem alunos da educação especial. A unidade conta com 38 mediadores atuando ao longo do dia, a maioria proveniente do novo concurso público da Educação Especial.

Aluno é da escola

De acordo com Hadhianne Peres, a política do Acre prioriza a inclusão em escolas comuns, sem atendimento em escolas exclusivas. O suporte é definido a partir de estudos de caso realizados individualmente em cada unidade escolar.

Acre lidera no país a inclusão de estudantes de educação especial em classes comuns, segundo dados do Censo Escolar 2025. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“O aluno é da escola. E a gente entra com os profissionais da Educação Especial para, com os regentes, a coordenação pedagógica e a gestão, promover acessibilidade. Esses professores são promotores de acessibilidade”, explica.

A gestora detalha que o atendimento varia conforme a necessidade de cada estudante. “Se ele apresenta necessidade de maior suporte, tem maior suporte. Se apresenta necessidade de suporte médio, ele vai ter suporte médio. Se apresenta pouca necessidade de suporte, vai ter o seu suporte pontual, baseado na sua necessidade”, contextualiza.

Acre possui uma das maiores proporções de matrículas de educação especial do Brasil, com quase 10% dos estudantes de educação básica incluídos na modalidade. Foto: Mardilson Gomes/SEE

O crescimento da Educação Especial no Acre também acompanha o aumento dos diagnósticos de estudantes neurodivergentes. Segundo a gestora, o Estado registrou um aumento superior a 600% nos diagnósticos e identificações de estudantes com autismo na rede estadual.

“O SUS tem melhorado muito esse acesso ao diagnóstico. Hoje, quando a criança apresenta um comportamento diferente, já se inicia uma investigação. A gente imagina que isso tenha causado essa crescente no número de alunos identificados como autistas”, analisa.

Dados do Censo Escolar de 2025 mostram que o Acre possui atualmente quase 15 mil estudantes que compõem o público-alvo da Educação Especial. Desse total, cerca de seis mil são alunos com transtorno do espectro autista (TEA).

Na Educação Básica do Acre, 9,8% das matrículas são da Educação Especial. Foto: Mardilson Gomes/SEE

A formação dos profissionais também aparece como diferencial. Segundo o Censo Escolar, 9,1% dos docentes da rede estadual possuem formação específica em educação especial, acima da média nacional, que é de 7%. Atualmente, a rede estadual conta com 595 docentes com essa formação.

Fonte: Governo AC

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