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Reforma de escola indígena beneficia 241 estudantes e valoriza símbolo da cultura Puyanawa
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Quem passa pela Escola Estadual Ixubãy Rabui Puyanawa, localizada na Terra Indígena Puyanawa, em Mâncio Lima, logo percebe na entrada o Kēde Ewete Tãdaya, grafismo que marca a fachada e os muros da unidade. O símbolo representa a construção de conhecimentos, a defesa do território, a valorização da cultura e a sabedoria ancestral. A pintura integra a reforma realizada pela Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), que aliou melhorias na estrutura física da escola ao fortalecimento da identidade cultural da comunidade.

Com investimento de R$ 650 mil, a obra beneficiou diretamente 241 estudantes e 33 servidores. As intervenções contemplaram a substituição da cobertura por telhas de zinco, troca de peças de madeira, pintura geral, recuperação de portas e janelas, além de melhorias nos banheiros e na cozinha. A revitalização do muro e de outros serviços estruturais agora garantem mais segurança e conforto para o desenvolvimento das atividades escolares.
Antes da reforma, a unidade enfrentava problemas que comprometiam a rotina das aulas. Infiltrações no telhado atingiam as salas, a secretaria e a biblioteca, exigindo constantes adaptações do corpo docente e dos estudantes, principalmente durante o período chuvoso.

Segundo o coordenador geral da SEE em Mâncio Lima, José Alcione de Carvalho Benevides, o investimento na infraestrutura das escolas indígenas é fundamental para fortalecer a educação diferenciada e contribuir para a preservação da cultura dos povos originários.
“Investir na infraestrutura das escolas indígenas é essencial para evitar a evasão escolar e manter vivas a língua materna, a história e os saberes tradicionais, valorizando a identidade e o modo de vida de cada povo” , disse.

Para a gestora da unidade, Edevania de Araújo Alves Puyanawa, a transformação do espaço trouxe dignidade para o dia a dia de todos.
“Essa iniciativa trouxe melhoria em todos os sentidos. Melhorou a pintura, a cobertura e toda a estrutura da nossa instituição. Até o próprio muro foi reformado e recebeu grafismos que representa a nossa pintura. Hoje temos um ambiente muito mais agradável e seguro para nossos estudantes, professores e servidores “, diz.
A gestora ressalta que a nova estrutura trouxe tranquilidade para o calendário pedagógico, eliminando os antigos transtornos causados pelo inverno amazônico.
“Quando chovia, precisávamos retirar os materiais das salas por causa das goteiras. Hoje temos um ambiente adequado para o ensino e a aprendizagem, lIvre desses problemas. É muito gratificante ver esse investimento na educação escolar indígena. Esperamos que outras escolas também sejam contempladas com ações como esta “, disse.

Mais do que renovar o espaço físico, a intervenção fortaleceu um local onde educação e cultura caminham juntas. Revitalizado, o Kēde Ewete Tãdaya permanece na fachada como um símbolo de resistência e pertencimento do povo Puyanawa, acolhendo diariamente toda a comunidade.
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Acre lidera inclusão de estudantes de educação especial em classes comuns no país, aponta Censo Escolar
O Acre se consolidou como referência nacional em inclusão escolar de estudantes de educação especial. Dados do Censo Escolar 2025 mostram que 98,9% dos alunos com deficiência matriculados na rede estadual frequentam classes comuns, o maior índice entre as unidades da Federação. No estado todo, o percentual chega a 98,7%, acima da média nacional, que é de 93,5%.
Na rede estadual do Acre, 98,9% dos estudantes da educação especial estão matriculados em salas comuns da educação básica. Foto: Mardilson Gomes/SEEOutro dado que coloca o Acre em destaque é a proporção de matrículas da Educação Especial em relação ao total da Educação Básica. Segundo o levantamento, 9,8% das matrículas no estado são de estudantes público-alvo da Educação Especial, praticamente o dobro da média brasileira, que é de 5,3%. Ao todo, o Acre possui 23.739 matrículas em educação especial, sendo 12.926 apenas na rede estadual.
Os números foram apresentados pela Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) e refletem uma política de inclusão baseada na permanência dos estudantes nas escolas regulares, com suporte pedagógico e profissionais especializados.
Segundo a chefe do Departamento de Educação Especial da SEE, Hadhianne Peres, o Acre se diferencia de outros estados por contratar professores para atuar diretamente na mediação dentro das salas de aula.
Chefe do Departamento de Educação Especial da SEE, Hadhianne Peres, destaca o modelo acreano de inclusão escolar com professores mediadores efetivos. Foto: Mardilson Gomes/SEE“O Acre é pioneiro, com esses professores que atendem os alunos autistas e os alunos com deficiência nas salas. O Ministério da Educação prevê um profissional de apoio, mas não menciona se é de nível médio ou superior. Com isso, a maioria dos estados contrata estagiários ou profissionais de nível médio. Aqui, a gente contrata docentes para fazer essa mediação em sala de aula”, informa.
A gestora destaca ainda que, em 2026, a rede estadual ampliou a estrutura da Educação Especial com a contratação de 500 professores efetivos para atuar na mediação escolar.
Inclusão na prática
Na Escola Estadual Djalma Teles, em Rio Branco, a inclusão se dá diariamente em sala de aula. A professora Thaís Cristine Freitas acompanha uma turma de 19 alunos do 1º ano do ensino fundamental, dos quais oito possuem dificuldades, como autismo e deficiência física.
Escola Estadual Djalma Teles atende mais de 100 estudantes de educação especial e conta com 38 mediadores nos três turnos. Foto: Douglas Bocardi/SEEThaís reporta que, no início, teve receio de não conseguir atender todos os estudantes. “Quando me trouxeram os laudos, até me desesperei. Pensei: ‘Não vou dar conta’. Mas fui trazendo as dinâmicas que eu tinha aprendido trabalhando na Apae e eles foram se adaptando”, relata.
Entre as histórias que marcaram a professora está a evolução do aluno C.E., de 6 anos, diagnosticado com autismo. “Ele não falava nada. Eu perguntava se queria ir ao banheiro e ele não sinalizava. Hoje ele conversa, já consegue sinalizar quando quer ir ao banheiro e até fechar a própria bolsa. Cada pequena evolução é uma grande conquista para mim”, conta.
Segundo a SEE, o Acre possui quase 15 mil estudantes público-alvo de educação especial, sendo cerca de seis mil com TEA. Foto: Douglas Bocardi/SEEOutro exemplo é o aluno A.M., de 7 anos. Segundo a professora, a participação do estudante nas brincadeiras da turma ajudou a fortalecer sua autonomia e integração com os colegas: “A avó dizia que ele não ia conseguir brincar de corda. E eu dizia: ‘Vai sim’. Hoje ele participa de todas as atividades com os colegas”.
Thaís destaca que a inclusão também depende da convivência entre os estudantes. “Eu não trato eles de forma diferente. Não tem isso de sair primeiro porque é autista. Eles participam de tudo com os outros. A inclusão, para mim, é isso”, disse.
Arthur Miguel, de 7 anos, participa das atividades com colegas, em sala de aula na Escola Estadual Djalma Teles, em Rio Branco. Foto: Douglas Bocardi/SEEA docente também ressalta a importância das formações oferecidas pela Secretaria de Educação. “Cada palestra ajuda muito, com dicas, orientações e materiais de apoio, para que a gente consiga incluir os alunos da melhor forma possível”, afirma.
A Escola Estadual Djalma Teles atende atualmente 920 estudantes nos três turnos e possui mais de cem alunos da educação especial. A unidade conta com 38 mediadores atuando ao longo do dia, a maioria proveniente do novo concurso público da Educação Especial.
Aluno é da escola
De acordo com Hadhianne Peres, a política do Acre prioriza a inclusão em escolas comuns, sem atendimento em escolas exclusivas. O suporte é definido a partir de estudos de caso realizados individualmente em cada unidade escolar.
Acre lidera no país a inclusão de estudantes de educação especial em classes comuns, segundo dados do Censo Escolar 2025. Foto: Mardilson Gomes/SEE“O aluno é da escola. E a gente entra com os profissionais da Educação Especial para, com os regentes, a coordenação pedagógica e a gestão, promover acessibilidade. Esses professores são promotores de acessibilidade”, explica.
A gestora detalha que o atendimento varia conforme a necessidade de cada estudante. “Se ele apresenta necessidade de maior suporte, tem maior suporte. Se apresenta necessidade de suporte médio, ele vai ter suporte médio. Se apresenta pouca necessidade de suporte, vai ter o seu suporte pontual, baseado na sua necessidade”, contextualiza.
Acre possui uma das maiores proporções de matrículas de educação especial do Brasil, com quase 10% dos estudantes de educação básica incluídos na modalidade. Foto: Mardilson Gomes/SEEO crescimento da Educação Especial no Acre também acompanha o aumento dos diagnósticos de estudantes neurodivergentes. Segundo a gestora, o Estado registrou um aumento superior a 600% nos diagnósticos e identificações de estudantes com autismo na rede estadual.
“O SUS tem melhorado muito esse acesso ao diagnóstico. Hoje, quando a criança apresenta um comportamento diferente, já se inicia uma investigação. A gente imagina que isso tenha causado essa crescente no número de alunos identificados como autistas”, analisa.
Dados do Censo Escolar de 2025 mostram que o Acre possui atualmente quase 15 mil estudantes que compõem o público-alvo da Educação Especial. Desse total, cerca de seis mil são alunos com transtorno do espectro autista (TEA).
Na Educação Básica do Acre, 9,8% das matrículas são da Educação Especial. Foto: Mardilson Gomes/SEEA formação dos profissionais também aparece como diferencial. Segundo o Censo Escolar, 9,1% dos docentes da rede estadual possuem formação específica em educação especial, acima da média nacional, que é de 7%. Atualmente, a rede estadual conta com 595 docentes com essa formação.
Fonte: Governo AC
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Foto: Cedida.
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