RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Açúcar recua em abril, mas mercado global reage e pode impulsionar preços no Brasil

Publicados

AGRONEGÓCIO

O mercado de açúcar encerrou abril com queda acumulada nos preços no Brasil, mas inicia maio com sinais de possível recuperação, sustentada pela valorização nas bolsas internacionais e por mudanças no mix de produção das usinas.

Levantamentos do Cepea indicam que, apesar da firmeza nas cotações ao longo das últimas semanas de abril, o mês registrou retração expressiva nos preços do açúcar cristal. A baixa liquidez no mercado spot refletiu a postura cautelosa dos compradores, que se mantiveram afastados das negociações à espera de novas quedas.

Ainda assim, o ritmo mais lento de negócios revelou resistência por parte dos vendedores, limitando recuos mais acentuados. Outro fator relevante foi a predominância de açúcares de menor qualidade nas negociações, indicando que a safra 2026/27 ainda não atingiu seu pleno potencial, restringindo a oferta de produto cristal de melhor padrão no curto prazo.

Mercado internacional sustenta viés positivo

No cenário externo, o açúcar apresenta trajetória de valorização na ICE Futures US. Os contratos do açúcar bruto registraram alta consistente no início de maio, com o vencimento julho/2026 cotado a 15,29 cents de dólar por libra-peso e o outubro/2026 a 15,76 cents/lbp. O movimento altista também se estende aos contratos de longo prazo.

Leia Também:  Dólar inicia em queda com impasse entre Brasil e EUA e expectativa pela ata do Fed

Esse cenário é reforçado por fundamentos mais apertados de oferta global. A consultoria Green Pool elevou sua projeção de déficit mundial de açúcar na safra 2026/27 para 4,3 milhões de toneladas, mais que o dobro da estimativa anterior.

Petróleo e gasolina mudam dinâmica do setor

A principal força por trás da alta internacional está ligada ao avanço dos preços da energia, especialmente do petróleo e da gasolina. Esse movimento aumenta a competitividade do etanol, incentivando usinas — sobretudo no Brasil — a destinarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção do biocombustível.

Na prática, isso reduz a oferta global de açúcar e sustenta os preços no mercado futuro. Dados recentes já mostram essa mudança: houve redução na produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro na primeira quinzena de abril, acompanhada por maior direcionamento da matéria-prima para o etanol.

Além disso, fatores macroeconômicos, como a valorização do real e possíveis ajustes na política de combustíveis, reforçam essa tendência de migração do mix produtivo.

Mercado interno inicia maio estável

No Brasil, o início de maio foi marcado por leve ajuste negativo. O indicador do açúcar cristal branco em São Paulo, também apurado pelo Cepea, registrou queda marginal de 0,08%, com a saca de 50 quilos negociada a R$ 97,83.

Leia Também:  Mercado interno de algodão segue com poucos negócios e indústria comprando pontualmente

O movimento reflete um mercado ainda em transição, com maior disponibilidade de produto devido ao avanço da safra, mas equilibrado pelo suporte externo.

Já o etanol hidratado apresentou leve valorização. O Indicador Diário Paulínia apontou preço de R$ 2.408,00 por metro cúbico, com alta de 0,08%, indicando maior estabilidade após as quedas observadas ao longo de abril.

Perspectivas: recuperação no radar

A combinação entre oferta global mais restrita, valorização do petróleo e fortalecimento do etanol coloca o mercado de açúcar em um ponto de inflexão. Caso a tendência de alta nas cotações internacionais se mantenha, os preços domésticos tendem a reagir nas próximas semanas.

O cenário segue dependente de variáveis externas e do comportamento das usinas brasileiras, que devem continuar ajustando sua produção conforme a rentabilidade entre açúcar e etanol — fator decisivo para o equilíbrio global do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

Publicados

em

Por

A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

Leia Também:  Exportações brasileiras de açúcar para os EUA despencam mais de 80% após tarifa de Trump

Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

Leia Também:  Embrapa lança Rede de Extensão e Inovação em Aquicultura para capacitar técnicos e produtores

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA