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Açúcar recua nas bolsas internacionais e no mercado brasileiro diante de cenário de ampla oferta

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O mercado global de açúcar registrou nova queda nas cotações nesta quarta-feira (11), refletindo o sentimento de ampla oferta no cenário internacional. O movimento foi observado tanto nas bolsas externas quanto no mercado físico brasileiro, com recuo nos preços do açúcar e leve queda também nas cotações do etanol.

Bolsas internacionais registram nova queda nas cotações do açúcar

Os contratos futuros de açúcar bruto negociados na bolsa ICE Futures, em Nova York, encerraram o pregão com perdas.

O contrato com vencimento em maio de 2026 fechou cotado a 14,25 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 0,13 centavo (-0,90%) em relação ao fechamento anterior. Já o contrato julho/2026 caiu 0,10 centavo, encerrando o dia a 14,41 cents/lbp.

Outros vencimentos também registraram perdas moderadas. O contrato outubro/2026 terminou o pregão a 14,81 cents/lbp, com queda de 0,08 centavo.

Segundo analistas do mercado, os preços receberam suporte recente da valorização da energia, mas não conseguiram romper a faixa entre 13 e 15 centavos de dólar por libra, o que desencadeou um movimento de correção técnica.

Açúcar branco acompanha queda na bolsa de Londres

Na bolsa de Londres, onde são negociados os contratos de açúcar branco, o movimento também foi negativo.

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O contrato maio/2026 recuou US$ 4,80, sendo negociado a US$ 413,60 por tonelada.

O vencimento agosto/2026 caiu US$ 4,50, para US$ 418,70 por tonelada, enquanto o contrato outubro/2026 perdeu US$ 3,60, encerrando o pregão a US$ 421,40 por tonelada.

A queda acompanha o sentimento predominante no mercado internacional de que a oferta global segue confortável.

Mercado físico brasileiro também registra recuo nos preços

No Brasil, o mercado físico acompanhou a tendência observada no exterior.

O Indicador do Açúcar Cristal Branco em São Paulo, calculado pelo Cepea/Esalq, registrou queda nesta quarta-feira (11). A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 97,28, representando uma baixa diária de 1,26%.

Com esse resultado, o indicador acumula queda de 1,33% em março, refletindo a continuidade da pressão sobre os preços no mercado físico paulista.

Cenário de oferta global limita recuperação dos preços

De acordo com análise do especialista da StoneX, Marcelo Di Bonifácio Filho, o mercado internacional de açúcar passa por ajustes na oferta, mas ainda sem mudanças relevantes no equilíbrio global.

Mesmo com revisões para baixo na produção de países como Brasil e Índia, o cenário global ainda aponta para leve superávit de açúcar, o que limita movimentos de alta mais consistentes nos preços.

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Outro fator que contribui para manter o mercado pressionado é o bom desempenho de regiões produtoras como a Europa, que registrou uma safra de beterraba acima do esperado, ampliando a disponibilidade mundial do produto.

Além disso, sinais de demanda global mais fraca também ajudam a restringir uma recuperação mais forte das cotações.

Etanol registra leve queda no mercado paulista

O mercado de biocombustíveis também apresentou ajuste nas cotações.

O Indicador Diário de Paulínia (SP) registrou queda no preço do etanol hidratado, que foi negociado a R$ 3.040,00 por metro cúbico, baixa de 0,38% na comparação diária.

Apesar do recuo no dia, o indicador ainda acumula valorização de 2,34% no mês de março.

Raízen negocia reestruturação extrajudicial de dívida

Em meio ao cenário de mercado, a produtora brasileira de açúcar e etanol Raízen chegou a um acordo com credores e detentores de títulos para realizar uma reestruturação extrajudicial de dívida, segundo informou o jornal O Globo.

A medida faz parte da estratégia da companhia para reorganizar sua estrutura financeira em um momento de maior volatilidade no mercado global de commodities agrícolas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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