AGRONEGÓCIO
Açúcar tem recuperação no mercado interno, mas recua nas bolsas internacionais
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O mercado doméstico de açúcar cristal apresentou forte valorização na última semana. De acordo com dados do Cepea/Esalq, o Indicador do cristal (Icumsa 130-180) atingiu R$ 120,45 por saca de 50 kg na sexta-feira (19), avanço de 2,75% em relação à semana anterior e o maior patamar em quase um mês.
A alta reflete a baixa disponibilidade do produto no spot paulista, já que boa parte da produção tem sido destinada a contratos de exportação e fornecimento interno de longo prazo. Pesquisadores destacam que a valorização ocorre mesmo diante do avanço significativo da safra. Somente na segunda quinzena de agosto, as usinas paulistas produziram 2,521 milhões de toneladas de açúcar, aumento de 21,32% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia).
Produção brasileira pressiona o mercado internacional
No cenário global, os preços do açúcar seguem pressionados pela ampla oferta. Em Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto permanecem abaixo de 16 cents de dólar por libra-peso. Nesta terça-feira (23), o contrato outubro/25 avançou 0,26%, para 15,29 cents, enquanto o março/26 subiu 0,13%, a 15,93 cents.
Na ICE Europe, em Londres, o açúcar branco encerrou em alta no contrato de dezembro/25, cotado a US$ 456,20 por tonelada, mas ainda acumula quedas expressivas nos últimos meses. Na segunda-feira (22), por exemplo, os papéis chegaram a recuar para US$ 451,00 por tonelada, pressionados pelo aumento da produção em países como Índia e Tailândia.
O avanço da safra brasileira segue como principal fator de pressão. A Unica informou que o Centro-Sul produziu 3,872 milhões de toneladas de açúcar na segunda quinzena de agosto, volume 18% maior que em 2024. O mix açucareiro também cresceu, passando de 48,78% para 54,20%.
Índia e Tailândia reforçam expectativa de superávit
Além do Brasil, outros grandes produtores ampliam a oferta global. Na Índia, a Sucden projeta que o país pode direcionar até 4 milhões de toneladas de açúcar para a produção de etanol em 2025/26, mas ainda assim exportar volume semelhante, superando as expectativas iniciais. A Federação Nacional das Fábricas Cooperativas de Açúcar da Índia estima que a produção pode crescer 19% no próximo ciclo, alcançando 34,9 milhões de toneladas.
A Tailândia, terceiro maior produtor mundial, também deve registrar expansão, reforçando a perspectiva de maior disponibilidade no mercado.
Enquanto isso, as projeções globais divergem. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) calcula déficit de 231 mil toneladas em 2025/26, mas a consultoria Czarnikow fala em superávit de 7,5 milhões de toneladas, o maior em oito anos. Já o USDA projeta safra recorde de 189,3 milhões de toneladas, com estoques finais em 41,2 milhões de toneladas, alta de 7,5%.
Etanol recua após duas semanas de queda
No mercado interno de biocombustíveis, os preços do etanol hidratado e anidro apresentaram desvalorização. Entre 15 e 19 de setembro, o hidratado recuou 1,23%, para R$ 2,7471/litro (líquido de tributos), enquanto o anidro caiu 1,8%, para R$ 3,2155/litro.
Segundo o Cepea, a demanda seguiu restrita e muitos vendedores adotaram maior flexibilidade nas negociações, contribuindo para o movimento de queda.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro
A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.
O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.
Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.
Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.
Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.
O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.
Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.
O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.
Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência
Fonte: Pensar Agro
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