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Agenda da 36ª Abertura da Colheita do Arroz reúne debates sobre agricultura de baixo carbono e ILP em Capão do Leão

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Programação principal abordará sustentabilidade e eficiência no cultivo

A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas está marcada para 24 a 26 de fevereiro, na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS). A programação técnica do evento inclui painéis sobre produção com baixo impacto climático, rastreabilidade e Integração Lavoura-Pecuária (ILP), reunindo pesquisadores, produtores e especialistas do setor.

Um dos destaques será a discussão sobre manejo sustentável do arroz irrigado, com foco na redução de emissões de gases de efeito estufa sem comprometer a produtividade do cultivo. O tema será apresentado no Auditório Frederico Costa, reforçando as tendências da agricultura sustentável para a próxima safra.

Redução de emissões no arroz irrigado: práticas e evidências científicas

O professor Cimélio Bayer, da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, apresentará estratégias capazes de reduzir emissões de gases de efeito estufa em lavouras de arroz irrigado. Segundo ele, práticas de manejo podem equilibrar produtividade, qualidade do solo e sustentabilidade ambiental.

Pesquisa realizada ao longo de mais de duas décadas — em parceria com instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Universidade Federal de Pelotas e outras universidades — já avaliou diversas técnicas. Entre as práticas mais eficazes estão:

  • Preparo antecipado do solo e plantio direto, com potencial de redução de até 25% nas emissões;
  • Sistemas de irrigação alternativos (intermitente ou por aspersão), que podem reduzir emissões em até 50%;
  • Uso de variedades de ciclo médio com alto potencial produtivo, diminuindo o metano por ciclo;
  • Rotação de culturas com soja ou milho, capaz de reduzir emissões em até 50% comparado ao monocultivo.
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A palestra de Bayer está prevista para 25 de fevereiro, às 10h, e integra o cronograma de painéis técnicos que também abordarão comércio internacional e perspectivas de mercado para arroz, soja, milho e trigo.

Sustentabilidade e ILP na Arena da Inovação

No dia 25, às 14h, a Arena da Inovação receberá palestra de Jackson Brilhante, coordenador do Plano ABC+RS junto à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), com foco nos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária em terras baixas. Segundo Brilhante, a combinação de culturas de verão com pecuária pode gerar ganhos econômicos e incrementar o estoque de carbono no solo, contribuindo para a descarbonização da produção agropecuária.

A agenda do eixo sustentabilidade começa já no dia 24, às 16h, com o painel Lavoura de Carne: a nova Pecuária do Brasil, que reunirá representantes do setor produtivo e órgãos públicos para debater perspectivas e inovações na pecuária sustentável.

No dia 25, às 16h, outro painel da Arena tratará da rastreabilidade bovina, reunindo especialistas em pecuária, identificação animal e serviços de extensão rural.

Encerrando os debates no dia 26, às 14h, haverá discussão sobre ILP em Terras Baixas: da Produtividade à Descarbonização, com participação de pesquisadores, técnicos e representantes da Rede ILPF.

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Crédito rural e Agenda de Sustentabilidade do Crédito no Brasil

A 36ª Abertura acontece em um momento em que o crédito rural no Brasil mantém crescimento, impulsionando os investimentos do setor agrícola. Segundo dados do governo federal, o crédito rural alcançou R$ 316,57 bilhões entre julho de 2025 e janeiro de 2026, um crescimento de 6% em relação ao mesmo período da safra anterior. Desses, R$ 307,11 bilhões foram efetivamente liberados aos produtores, conforme o Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro, do Banco Central do Brasil.

Além disso, políticas públicas nacionais voltadas à agricultura de baixo carbono, como o Plano ABC e sua expansão ABC+, continuam estruturando mecanismos financeiros e técnicos para apoiar práticas sustentáveis. Líneas de crédito específicas já vinculam incentivos a práticas que reduzem emissões, como plantio direto e sistemas de integração, fortalecendo a transição para uma agricultura mais resiliente ao clima.

Informações práticas e inscrições

A Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas tem como tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”. O evento é uma realização da Federarroz, com correalização da Embrapa e Senar, e patrocínio principal do Instituto Rio Grandense do Arroz.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site oficial www.colheitadoarroz.com.br.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito privado do agro supera R$ 1,34 trilhão e CPR lidera financiamento

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O estoque dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio superou R$ 1,34 trilhão em julho, primeiro mês da safra 2026/27. O resultado mostra o aumento da participação do mercado de capitais no custeio da produção, na comercialização antecipada da safra e no financiamento de empresas ligadas às cadeias agroindustriais.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e abrangem as Cédulas de Produto Rural (CPR), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA).

A CPR manteve a liderança entre os instrumentos analisados, com estoque de R$ 580,78 bilhões. O volume estava distribuído em 372 mil títulos, com valor médio de R$ 1,56 milhão por cédula.

Somente em julho foram emitidos R$ 37,53 bilhões em novas CPR. Esse é o dado que melhor indica o ingresso de operações no primeiro mês da nova temporada. O estoque total também inclui títulos emitidos anteriormente que ainda não foram liquidados.

A CPR permite ao produtor ou à cooperativa antecipar recursos para financiar a atividade. Na modalidade física, o compromisso pode ser liquidado com a entrega futura do produto agropecuário. Na CPR financeira, a quitação ocorre em dinheiro. O instrumento também é usado como garantia em operações para a compra de sementes, fertilizantes, defensivos e outros insumos.

O avanço das CPR amplia as alternativas ao crédito rural bancário, especialmente em períodos de juros elevados ou de maior restrição nas linhas oficiais. Ao mesmo tempo, exige atenção às condições estabelecidas no contrato, como taxa de juros, forma de liquidação, garantias, vencimento e consequências em caso de frustração da safra.

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As Letras de Crédito do Agronegócio apresentaram o segundo maior estoque, com R$ 560,37 bilhões. As LCA são emitidas por instituições financeiras para captar dinheiro de investidores e financiar operações relacionadas ao setor.

Pelas regras atuais do Manual de Crédito Rural, pelo menos 60% do estoque das LCA deve ser reaplicado no financiamento da atividade agropecuária. Isso representa aproximadamente R$ 336,22 bilhões.

Dentro desse volume, ao menos 45% devem ser destinados ao crédito rural oficial, o equivalente a R$ 151,30 bilhões. Os valores incluem tanto operações da safra 2026/27 quanto contratos de temporadas anteriores que continuam em aberto.

Isso significa que o estoque divulgado não corresponde integralmente a recursos novos disponíveis para contratação imediata. Parte representa financiamentos já concedidos e títulos que ainda não chegaram ao vencimento.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio somaram R$ 174,20 bilhões em julho. O CRA permite transformar créditos originados em negócios do setor em títulos negociados com investidores, aproximando empresas e cadeias produtivas do mercado de capitais.

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Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio alcançaram estoque de R$ 30,21 bilhões. O CDCA é emitido por cooperativas e empresas que atuam na comercialização, no beneficiamento ou na industrialização de produtos agropecuários e tem como lastro direitos de crédito ligados ao setor.

Fora da soma de R$ 1,34 trilhão, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) também avançaram como fonte privada de recursos. Os dados mais recentes, referentes a junho, mostram patrimônio líquido de R$ 64,13 bilhões distribuído entre 285 fundos.

Os Fiagro podem investir em imóveis rurais, participações em empresas, direitos creditórios e outros ativos ligados ao agronegócio. Para o setor produtivo, funcionam como uma ponte entre investidores e projetos de produção, armazenagem, logística, agroindústria e aquisição de ativos.

O crescimento desses instrumentos reforça a diversificação do financiamento rural, historicamente concentrado nos bancos e nos recursos do Plano Safra. Para o produtor, porém, maior oferta de alternativas não elimina a necessidade de comparar custos, garantias e riscos. O volume disponível no mercado é elevado, mas o acesso e as condições de pagamento variam conforme a atividade, o porte da operação e a capacidade financeira de cada tomador.

Fonte: Pensar Agro

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