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Agro lidera geração de empregos formais em junho: 25,8 mil vagas

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O setor agropecuário voltou a apresentar saldo positivo na geração de empregos em junho, conforme dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Foram registradas 25,8 mil contratações a mais do que demissões no período, colocando o campo como o terceiro maior gerador de vagas no país.

O cultivo de soja liderou a criação de empregos dentro do setor, com a abertura de 4,4 mil novas vagas. Outras atividades que se destacaram foram o cultivo de laranja, com 3,2 mil postos; alho, com 2,6 mil; café, com 2,4 mil; e atividades de apoio à pecuária, que somaram 1,8 mil empregos.

Por outro lado, algumas culturas enfrentaram queda no número de trabalhadores, com destaque para o cultivo de batata inglesa, que registrou 445 empregos a menos. Pimenta-do-reino (-339), dendê (-264), arroz (-259) e sementes certificadas, exceto para forrageiras, (-217) também apresentaram saldo negativo.

A distribuição regional mostra que todas as grandes regiões do país tiveram mais admissões do que desligamentos no setor agropecuário. O Sudeste liderou com saldo de 14 mil vagas, seguido pelo Centro-Oeste (6,7 mil), Nordeste (3,9 mil), Norte (790) e Sul (239). Entre os estados, Minas Gerais (+12,2 mil), São Paulo (+6,3 mil) e Mato Grosso (+5,3 mil) destacaram-se pela geração expressiva de empregos. Já Espírito Santo (-4.893), Rio Grande do Sul (-196), Paraná (-54) e Roraima (-11) tiveram mais demissões que contratações.

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No panorama geral do mercado de trabalho, o Brasil criou 166,6 mil empregos formais em junho. O setor de Serviços foi o principal responsável pelo crescimento, com 77 mil vagas, seguido pelo Comércio (32,9 mil), Indústria (20,1 mil) e Construção (10,6 mil), além do próprio agronegócio, que manteve seu desempenho positivo.

Esses números indicam que, apesar dos desafios econômicos, o campo segue firme como um motor importante da economia e do emprego formal no país, reforçando seu papel estratégico na recuperação e estabilidade do mercado de trabalho brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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