AGRONEGÓCIO
Agrodefesa Elimina Mudas de Citros Contaminadas por Cancro Cítrico em Itumbiara
AGRONEGÓCIO
A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) realizou, na quarta-feira (25), uma operação de apreensão e destruição de mudas cítricas contaminadas pelo cancro cítrico no município de Itumbiara, região sul de Goiás. A medida foi tomada após a confirmação laboratorial da presença da bactéria Xanthomonas citri subsp. citri, agente causador da doença, que representa uma das principais ameaças à citricultura brasileira.
Ação Seguiu Protocolo Fitossanitário
Durante uma vistoria técnica em viveiros e floriculturas para renovação de cadastro, fiscais da Agrodefesa identificaram suspeitas nas mudas e coletaram amostras de folhas, encaminhadas à Gerência de Sanidade Vegetal da Agrodefesa. O material foi posteriormente analisado no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás, que confirmou a presença da bactéria.
Com base no diagnóstico, a Agência determinou a apreensão e destruição de 350 mudas contaminadas e sem documentação, conforme prevê a legislação fitossanitária. A medida tem caráter preventivo e busca evitar a disseminação do patógeno, protegendo não apenas as áreas comerciais de citricultura, mas também pomares domésticos, chácaras e quintais urbanos.
Cancro Cítrico: Risco Elevado à Produção
O cancro cítrico é uma doença bacteriana de caráter quarentenário que afeta todas as variedades de citros. Causada pela Xanthomonas citri pv. citri, provoca desfolha, queda prematura dos frutos, perda de produtividade e desvalorização comercial devido às lesões que surgem na casca.
Segundo o presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, a eliminação imediata das mudas infectadas é fundamental para manter o estado livre da doença.
“A destruição é uma ação necessária para impedir a propagação do cancro cítrico e preservar a produção de citros em Goiás. A atuação rápida da Agência garante segurança fitossanitária e protege os produtores”, afirmou.
Cuidados e Recomendações aos Produtores
De acordo com Felipe Dantas, coordenador da Unidade Regional Rio Paranaíba da Agrodefesa, a principal forma de disseminação da doença ocorre por meio de mudas contaminadas, além de chuvas, ventos, equipamentos agrícolas e restos de colheita.
“O controle rigoroso na produção e comercialização de mudas é essencial. Os produtores devem comprar apenas de viveiros certificados pela Agrodefesa e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que passam por inspeções periódicas e reduzem o risco de contaminação”, destacou.
Sintomas São Visíveis a Olho Nu
A coordenadora do Programa de Citros da Agrodefesa, Mariza da Silva Mendanha, alerta que os sintomas do cancro cítrico podem ser facilmente identificados nas plantas.
“As lesões aparecem primeiro na parte inferior das folhas e, depois, na superior. São circulares, salientes e com halo amarelado. Com o avanço da doença, tornam-se maiores, mais escuras e em alto relevo, atingindo folhas, frutos e ramos”, explicou.
Proteção Contínua à Citricultura Goiana
A Agrodefesa reforça a importância do monitoramento constante e da adoção de boas práticas fitossanitárias para manter o estado de Goiás protegido contra pragas quarentenárias. A eliminação das mudas contaminadas em Itumbiara integra as ações permanentes da Agência para preservar a sanidade vegetal e a competitividade da citricultura regional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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