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Algodão registra semana de baixa comercialização e recuo nos preços no mercado interno

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Mercado cauteloso e negociações lentas

O mercado doméstico de algodão encerrou a semana com fraca comercialização e preços em queda. Segundo a Safras Consultoria, compradores seguem operando apenas conforme a necessidade, enquanto aguardam maior clareza sobre os volumes da nova safra e o desempenho das exportações. A pressão sobre as cotações é reforçada por ofertas pontuais de pluma no mercado físico.

Queda nas cotações

Na quinta-feira (7), o algodão colocado na indústria paulista recuou 0,50%, encerrando a R$ 3,98/libra-peso. Na comparação com a quinta-feira anterior (31), quando estava em R$ 4,08/libra-peso, a queda acumulada foi de 2,45%.

Em Rondonópolis (MT), a pluma foi negociada a R$ 3,86/libra-peso, equivalente a R$ 127,78 por arroba, queda de R$ 1,67/arroba no dia e de R$ 2,80/arroba em relação à semana anterior.

Produção em Mato Grosso – Imea

O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima que a produção de algodão em pluma no estado, na safra 2024/25, alcance 2,85 milhões de toneladas, alta de 9,54% frente ao ciclo anterior. Já o algodão em caroço deve somar 6,92 milhões de toneladas, avanço de 8,21%.

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O desempenho positivo é atribuído ao aumento na produtividade média, estimada em 302,99 arrobas/hectare, 2% acima da previsão de julho. Apesar do atraso na colheita, o instituto mantém uma visão otimista, destacando que as chuvas tardias favoreceram especialmente as áreas de segunda safra.

A área plantada foi mantida em 1,52 milhão de hectares, aumento de 4,18% sobre 2023/24, sendo 297,4 mil hectares na primeira safra e 1,23 milhão de hectares na segunda.

Exportações brasileiras – Secex

Em julho, o Brasil exportou 127,049 mil toneladas de algodão (23 dias úteis), com média diária de 5,523 mil toneladas. A receita totalizou US$ 205,887 milhões, média de US$ 8,951 milhões por dia.

Na comparação com julho de 2024, houve queda de 24% no volume diário embarcado e retração de 33,7% na receita diária, quando as médias foram de 7,270 mil toneladas e US$ 13,493 milhões, respectivamente.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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