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Alta do pão francês acelera modernização da cadeia do trigo no Brasil com uso de tecnologia e agricultura de precisão

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A alta nos preços do pão francês e de outros derivados da farinha vem ampliando a pressão sobre a cadeia produtiva do trigo no Brasil e acelerando o avanço da tecnologia no setor. Diante da redução da safra nacional, maior dependência de importações e aumento da volatilidade no mercado internacional, produtores, moinhos e indústrias intensificam investimentos em automação, inteligência de dados e agricultura de precisão para reduzir perdas e preservar competitividade.

Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo deve recuar 19% até o final de 2026, atingindo cerca de 6,3 milhões de toneladas.

A retração ocorre principalmente devido à redução de 12,5% na área plantada do cereal. Enquanto isso, o consumo interno segue elevado, entre 12 e 13 milhões de toneladas anuais, aumentando a necessidade de importações para aproximadamente 7 milhões de toneladas — o maior volume registrado desde 2013.

Dependência externa aumenta pressão sobre preços do trigo e da farinha

O cenário de menor oferta interna e maior exposição ao mercado externo eleva a sensibilidade da cadeia do trigo às oscilações cambiais, custos logísticos e políticas comerciais internacionais.

O impacto já começa a chegar ao consumidor final, especialmente em produtos como:

  • Pão francês;
  • Massas;
  • Biscoitos;
  • Produtos panificados em geral.

Segundo o economista Adenauer Rockenmeyer, delegado do Conselho Regional de Economia de São Paulo, a volatilidade afeta todas as etapas da cadeia produtiva.

“Produtores enfrentam margens comprimidas, indústrias lidam com custos imprevisíveis e moinhos recorrem a contratos futuros para reduzir riscos. A dependência de importações deixa o Brasil mais vulnerável às oscilações cambiais e às políticas comerciais de países fornecedores, como a Argentina”, afirma.

Tecnologia ganha papel estratégico na cadeia do trigo

Diante desse cenário, especialistas defendem que a modernização tecnológica será decisiva para ampliar eficiência, reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade operacional.

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A automação de análises laboratoriais, o uso de sensores inteligentes e a agricultura de precisão vêm deixando de ser apenas diferenciais competitivos e passam a ocupar posição estratégica dentro da cadeia do trigo.

A adoção de sistemas baseados em dados permite decisões mais rápidas e precisas, reduzindo falhas operacionais e melhorando o controle de qualidade da matéria-prima e dos produtos finais.

Entre as tecnologias utilizadas pelo setor estão equipamentos como:

  • Mixolab;
  • SpectraStar XT-F;
  • AgriCheck;
  • Rheo F4.

As soluções são fornecidas por empresas como a Pensalab e permitem monitorar parâmetros fundamentais da produção, incluindo:

  • Teor de umidade;
  • Estabilidade da massa;
  • Propriedades reológicas;
  • Composição química;
  • Atividade enzimática.
Controle de qualidade ajuda indústria a reduzir perdas

Segundo especialistas, o uso dessas ferramentas permite prever com maior precisão o comportamento do trigo e da farinha durante os processos industriais.

Na prática, isso contribui para:

  • Ajuste mais eficiente das formulações;
  • Redução de retrabalho;
  • Menores perdas produtivas;
  • Padronização entre lotes;
  • Melhor aproveitamento de insumos.

De acordo com Rafael Soares, diretor de produto e mercado da Pensalab, a inteligência de dados passou a ser essencial em um mercado pressionado por custos elevados e oferta limitada.

“Mais do que medir qualidade, essas tecnologias ajudam a antecipar desvios e permitem ações preventivas. A capacidade de tomar decisões rápidas e precisas se torna determinante para preservar margens e garantir regularidade ao consumidor”, explica.

Modernização busca tornar cadeia mais resiliente

Além da eficiência operacional, especialistas apontam que a transformação tecnológica pode ajudar o setor de trigo a construir uma estrutura produtiva menos vulnerável às crises externas.

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Mesmo com a recente valorização do real frente ao dólar, fatores como clima, frete internacional, custos logísticos e decisões comerciais de países exportadores seguem influenciando diretamente o mercado brasileiro.

Para o setor, a estratégia não deve se limitar apenas à recomposição de estoques ou ao repasse de preços ao consumidor.

“A indústria brasileira do trigo pode transformar o atual cenário de retração em um ciclo de reconstrução baseado em produtividade, controle e autonomia”, afirma Rafael Soares.

Investimentos e financiamento serão decisivos para transformação do setor

Apesar dos ganhos potenciais, a modernização tecnológica da cadeia do trigo exige investimentos robustos em infraestrutura, automação e inteligência analítica.

Segundo Adenauer Rockenmeyer, a busca por novas fontes de financiamento será fundamental para acelerar essa transformação.

Além das linhas tradicionais de crédito rural, o setor deverá ampliar a captação de recursos via mercado de capitais e fundos de investimento, movimento que ganha espaço em diferentes segmentos do agronegócio brasileiro.

Em um ambiente de juros elevados e maior competitividade global, especialistas avaliam que a tecnologia será decisiva não apenas para ampliar a competitividade da cadeia do trigo, mas também para fortalecer a sustentabilidade e a adaptação do setor aos desafios climáticos e econômicos dos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Milho pode perder o equivalente a 87 quilos de ureia por hectare

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Um estudo realizado durante duas safras de milho na Argentina mostrou que o uso de um inibidor de urease pode reduzir pela metade, ou até mais, a quantidade de nitrogênio perdida para a atmosfera depois da adubação. Nos ensaios, a ureia convencional perdeu até 20% do nutriente aplicado, enquanto a tratada com o inibidor limitou as perdas a, no máximo, 7%.

O trabalho foi conduzido em campo pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta), na região argentina de Paraná, nas temporadas 2024/25 e 2025/26. O objetivo era comparar o comportamento da ureia comum com o de uma formulação tratada para retardar a volatilização de amônia.

A volatilização ocorre quando parte do nitrogênio presente na ureia se transforma em amônia e escapa para a atmosfera. Isso significa que uma parcela do fertilizante comprado, transportado e distribuído na lavoura deixa de estar disponível para as raízes do milho.

A urease é uma enzima naturalmente presente no solo e responsável por acelerar a transformação da ureia. O inibidor desacelera esse processo durante alguns dias, ampliando a possibilidade de o fertilizante ser incorporado ao solo pela chuva e reduzindo sua exposição na superfície.

Para fazer a comparação, os pesquisadores aplicaram doses de 100 e 200 quilos de nitrogênio por hectare, além de manter uma área sem adubação. As aplicações foram realizadas após chuvas de 24 a 39 milímetros, quando o solo ainda estava úmido e apresentava condições favoráveis à volatilização. As perdas foram acompanhadas nos dias seguintes.

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A maior liberação de amônia pela ureia convencional ocorreu entre o segundo e o terceiro dia depois da aplicação. Na safra 2024/25, entre 14% e 15% do nitrogênio aplicado com essa fonte foi perdido. Com o inibidor, o índice caiu para uma faixa de 6% a 7%.

Na temporada 2025/26, a diferença aumentou. A ureia convencional perdeu entre 13% e 20% do nitrogênio, enquanto a formulação tratada ficou entre 5% e 6%. Os resultados mostram que o inibidor não elimina a volatilização, mas reduz de maneira significativa o volume desperdiçado em situações de maior risco.

Na prática, o prejuízo pode ser expressivo. Em uma adubação de 200 quilos de nitrogênio por hectare, uma perda de 20% representa 40 quilos do nutriente. Como a ureia contém aproximadamente 46% de nitrogênio, isso equivale a cerca de 87 quilos do fertilizante por hectare.

Com o inibidor, a perda observada na mesma dose corresponderia a aproximadamente 22 a 30 quilos de ureia por hectare. Na maior diferença registrada pelo estudo, o tratamento preservou o equivalente a cerca de 65 quilos de ureia em cada hectare.

Se a tonelada do fertilizante custar R$ 3 mil, apenas para ilustrar o tamanho econômico do problema, a perda máxima identificada no estudo corresponderia a R$ 261 por hectare. Em uma lavoura de mil hectares, o desperdício chegaria a R$ 261 mil. O uso do inibidor poderia preservar até R$ 196 mil desse valor, antes de descontar o custo adicional do tratamento.

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O estudo, entretanto, não encontrou diferença estatística de produtividade entre a ureia convencional e a tratada. Os rendimentos variaram de 5.277 a 11.915 quilos de milho por hectare e responderam principalmente à quantidade de nitrogênio aplicada.

Isso significa que conservar mais nitrogênio no solo não garante, isoladamente, uma colheita maior. A resposta do milho também depende da disponibilidade de água, da fertilidade, do potencial da lavoura e do equilíbrio com os demais nutrientes. O benefício imediato demonstrado pela pesquisa foi a redução do desperdício, e não um aumento comprovado da produtividade.

Os resultados também não significam que o inibidor será economicamente vantajoso em todas as aplicações. A decisão depende da diferença de preço entre as duas fontes, do risco de volatilização, das condições do solo e da possibilidade de chuva suficiente para incorporar a ureia depois da adubação.

Embora tenha sido realizado na Argentina, o estudo ajuda a dimensionar um problema enfrentado pelos produtores brasileiros. Ele mostra que, sob condições favoráveis à volatilização, o prejuízo não está apenas na eventual perda de rendimento da lavoura, mas no fertilizante pago pelo produtor que desaparece antes de cumprir sua função.

Fonte: Pensar Agro

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