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Artigo: A sobrevivência das plantas em ambientes restritivos

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As plantas cultivadas sofrem com o ataque de pragas, doenças e com a concorrência imposta pelas plantas daninhas. Para minimizar os danos, os agricultores lançam mão de uma série de estratégias, que normalmente tem impacto muito grande nos custos de produção. Algumas espécies de plantas daninhas são capazes de provocar queda significativa na produtividade de uma cultura.
 
A Buva, espécies de planta daninha muito comum nas lavouras da região centro-sul do Brasil, de acordo com alguns pesquisadores apresenta grande potencial de redução da produtividade.  No caso da soja, 2,7 plantas de buva m-2 são capazes de reduzir em até 50% a produtividade. No caso do milho, a Buva pode comprometer até 92% da produtividade, quando não controlada.
 
Com esses dois exemplos fica claro o poder de competição desta terrível planta daninha. Quando analisamos a sua capacidade de produzir sementes verifica-se que apenas uma planta é capaz de produzir de 100 a 200 mil sementes. Essa quantidade de sementes dá ideia do quanto é grande a capacidade de dispersão desta espécie. Também apresenta uma capacidade de sobrevivência em ambientes que apresentam as maiores restrições para o crescimento e desenvolvimento de qualquer espécie vegetal. 
 
Na imagem desse Artigo, pode-se observar uma planta de buva crescendo e desenvolvendo-se em uma das avenidas mais movimentadas de uma cidade de porte médio de uma importante região agrícola do Brasil. A planta cresce numa pequena fenda localizada entre o asfalto da avenida e o meio fio, mesmo num período prolongado de crise hídrica. Essa foto foi feita no dia 27 de novembro de 2021.
 
Esta agressividade e rusticidade não deixa qualquer dúvida do potencial desta planta de competir com a soja, com o milho com o algodão, dentre outras espécies de interesse econômico. Quase que nas mesmas condições de onde encontramos a buva, encontramos duas outras espécies de plantas daninhas com elevado potencial de causar dano econômico e de difícil controle, que é o capim-amargoso e o capim-de-galinha.
 
O capim-amargoso também se reproduz por sementes, sendo que em uma única planta chegam a ser produzidas 100 mil sementes que apresentam alta capacidade de dispersão. O capim pé-de-galinha chega a produzir até 120 mil sementes por planta, que são disseminadas pelo vento durante todo o ano.
 
Vários são os métodos de controle de plantas daninhas, talvez o mais importante deles seja o da prevenção. Que consiste na adoção de práticas que retardam ao máximo ao estabelecimento de uma planta daninha numa área cultivada. Plantas daninhas que se propagam através de sementes, mesmo que em locais distantes, constituem um grande potencial para causar danos, pois suas sementes podem ser levadas pelo vento, pelo homem, veículos, pássaros, entre outros. Daí a importância de se controlar as espécies de plantas daninhas, especialmente as de difícil controle em qualquer lugar que elas estejam.
 
As plantas daninhas com o passar do tempo vão adquirindo resistência aos herbicidas, dificultando e tornando cada vez mais caro o seu controle. As três espécies de plantas daninhas citadas neste artigo apresentam resistência a alguns grupos de herbicidas, dificultando sobre maneira o seu controle.
 
De acordo com trabalho realizado pela Embrapa Trigo, o custo de controle quando essas espécies se tornam resistentes a alguns herbicidas pode aumentar em até cinco vezes, alcançando a cifra dos U$ 160. ha-1. Pelos dados apresentados até aqui, não fica dúvida que as espécies citadas, que se desenvolvem e crescem até em ambientes com grandes restrições de recursos, especialmente água, são capazes de impactarem negativamente a agricultura de uma região.
 
Em condições de lavoura, o agricultor pode minimizar os efeitos das plantas daninhas utilizando vária práticas agronômica, talvez, uma das mais eficientes para algumas espécies como exemplo a buva, é cobertura do solo com palha. As sementes de buva necessitam de luz para germinarem e a palha reduz drasticamente a incidência de luz na superfície do solo impedindo a germinação das sementes de buva. Não só para buva; a palhada na superfície do solo, de maneira uniforme assegurando uma boa cobertura é uma estratégia extremamente importante para o manejo de plantas daninhas.
 
Assim, o cultivo do trigo, da aveia e do milho com braquiária, constitui estratégias a serem utilizadas, para manejo de plantas daninhas, minimizando o impacto destas sobre as culturas de interesse econômico e os custos de produção. Oportuno também destacar que plantas daninhas podem interferir negativamente na qualidade do produto e serem hospedeiras de pragas e doenças.
 
Em síntese, controlar plantas daninhas, especialmente as de difícil controle como as citadas neste artigo, deve ser uma preocupação de todos, inclusive da população urbana, que assim contribuirá para evitar a sua disseminação, principalmente das espécies citadas que tem nas sementes o seu principal meio de propagação. Plantas daninhas que crescem e desenvolvem em ambientes com restrição de água, luz, nutrientes e, em condições de temperaturas extremas, podem dar origem a populações de mais difícil controle. 
 
Fonte: Embrapa

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Mais terra, crédito e tecnologia para mulheres podem ampliar produção e renda no campo

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Ampliar o acesso das mulheres à terra, ao crédito e à tecnologia pode aumentar a produção de alimentos e a renda no campo. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), eliminar as diferenças de produtividade e remuneração entre mulheres e homens nos sistemas agroalimentares elevaria o Produto Interno Bruto (PIB) mundial em aproximadamente 1% e reduziria em 45 milhões o número de pessoas em insegurança alimentar.

A estimativa dá dimensão econômica ao apelo feito pela ONU Mulheres nesta quinta-feira (15), Dia Internacional da Mulher Rural. A entidade cobrou de governos, bancos e empresas investimentos diretamente nas produtoras e a retirada de obstáculos que limitam sua participação nos negócios. A mobilização ocorre em 2026, declarado pelas Nações Unidas o Ano Internacional das Mulheres na Agricultura.

No Brasil, o Censo Agropecuário de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou mulheres na direção de 18,7% dos estabelecimentos, ante 12,7% em 2006. Eram cerca de 947 mil unidades sob comando feminino.

A diferença aparece também no tamanho das áreas. Uma análise dos dados censitários feita pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o IBGE e o Ministério da Agricultura, mostrou que os estabelecimentos dirigidos por mulheres somavam aproximadamente 30 milhões de hectares, apenas 8,5% da área total. O Nordeste concentrava 57% das unidades comandadas por produtoras.

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A presença feminina na gestão é maior quando se considera a administração compartilhada. Segundo o IBGE, cerca de 817 mil mulheres dividiam a direção com o cônjuge. Somadas às que apareciam como dirigentes, eram aproximadamente 1,76 milhão na condução dos estabelecimentos em 2017.

O avanço também aparece em dados recentes de trabalho. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apontou aumento da participação relativa feminina no agronegócio no primeiro trimestre de 2026. Isso ocorreu porque a ocupação caiu menos entre as mulheres, 0,5%, do que entre os homens, 1,2%. A pesquisa abrange toda a cadeia, incluindo indústria e serviços.

No cenário mundial, a FAO identifica uma diferença de 24% na produtividade da terra entre propriedades de mesmo tamanho conduzidas por mulheres e homens. O relatório, publicado em 2023, relaciona essa distância à discriminação e ao acesso desigual a financiamento, capacitação, tecnologia e direitos sobre a terra.

Isso significa que comparar apenas o volume colhido deixa parte do problema de fora. A disponibilidade de dinheiro para comprar insumos, de equipamentos adequados e de orientação técnica interfere no resultado da lavoura. As mulheres também acumulam com maior frequência o trabalho produtivo e os cuidados domésticos não remunerados, o que reduz o tempo disponível para formação e negócios. fao.org

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A vulnerabilidade aumenta diante de secas, calor e enchentes. A FAO aponta que o acesso limitado a recursos dificulta a adaptação das famílias chefiadas por mulheres às mudanças climáticas. Investir em orientação técnica, infraestrutura e financiamento também faz parte da preparação para enfrentar perdas na produção.

recuperação de terras. A cobrança inclui proteção social e serviços que reduzam a sobrecarga de cuidados. O objetivo é permitir que a participação das mulheres na produção se traduza também em renda e poder de decisão sobre o próprio negócio.

Fonte: Pensar Agro

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