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Bactérias endofíticas fortalecem cultivo de pimenta-do-reino e reduzem uso de químicos

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Microrganismos podem transformar o cultivo da pimenta-do-reino

Pesquisadores brasileiros identificaram duas bactérias endofíticas — Priestia sp. T2.2 e Lysinibacillus sp. C5.11 — com potencial para melhorar o crescimento e o enraizamento de estacas de pimenteira-do-reino, uma das especiarias mais importantes para a economia nacional.

A pesquisa foi conduzida entre 2023 e 2024 na Embrapa Amazônia Oriental, e os experimentos mostraram resultados expressivos no desenvolvimento de mudas da variedade Singapura, destacando-se pelo aumento do tamanho das plantas e da massa seca das raízes e parte aérea.

Estacas mais vigorosas garantem mudas produtivas

A estaquia, técnica de reprodução vegetativa que utiliza pequenos galhos da planta-mãe, enfrenta um desafio histórico: muitas estacas apresentam baixo enraizamento, prejudicando a produção de mudas uniformes e sadias.

Segundo Alessandra Nakasone, “um pimental produtivo se inicia com uma muda sadia. A descoberta de bioinsumos que aumentam o enraizamento traz mais segurança aos pequenos produtores e plantas mais vigorosas e produtivas.”

Resultados dos experimentos com bactérias endofíticas

Os experimentos mostraram que:

  • Priestia sp. T2.2 aumentou em até 75% a altura das plantas e 136% a massa seca da parte aérea.
  • Lysinibacillus sp. C5.11 promoveu crescimento de 333% na massa seca das raízes.
  • Uma terceira linhagem, Bacillus sp. C1.4, apresentou efeitos positivos na parte aérea, porém em menor escala.

Os efeitos positivos foram atribuídos à produção de ácido indolacético (AIA), hormônio natural que regula o crescimento vegetal, e sideróforos, compostos que tornam o ferro mais disponível para as plantas.

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Sustentabilidade e redução do uso de químicos

O uso de microrganismos benéficos contribui para reduzir a dependência de fertilizantes e defensivos químicos, promovendo maior sustentabilidade na produção de pimenta-do-reino.

“Essas bactérias solubilizam nutrientes do solo, tornando-os mais disponíveis para absorção pelas raízes e garantindo plantas mais saudáveis”, explica Nakasone.

Produção nacional e relevância econômica

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de pimenta-do-reino, com quase 125 mil toneladas em 2024, segundo o IBGE. O valor da produção nacional saltou de R$ 1,65 bilhão em 2023 para mais de R$ 3,67 bilhões em 2024, um aumento de 122% em apenas um ano.

Os estados do Espírito Santo e Pará concentram mais de 90% da produção nacional, com destaque para a agricultura familiar e práticas sustentáveis na produção paraense.

Microrganismos aliados do crescimento e enraizamento

Bactérias endofíticas vivem dentro dos tecidos das plantas sem causar doenças e podem desempenhar funções essenciais, como produção de fitormônios, fixação de nitrogênio, solubilização de nutrientes e aumento da resistência a estresses ambientais.

Em outras culturas, como cítricas, milho e cana-de-açúcar, esses microrganismos já demonstraram benefícios semelhantes. No caso da pimenta-do-reino, as novas linhagens detalham os mecanismos fisiológicos responsáveis pelo crescimento e enraizamento, reforçando a importância da biotecnologia no manejo sustentável.

Vantagens da propagação por estacas

A propagação por estacas mantém as características genéticas da planta-mãe e reduz o tempo até a frutificação, mas enfrenta o desafio do baixo enraizamento. A inoculação com bactérias endofíticas surge como solução para garantir mudas mais vigorosas, uniformes e produtivas, aumentando o retorno financeiro para os produtores.

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Regulamentação de bioinsumos fortalece o setor

A Lei Federal nº 15.070/2024 trouxe mais segurança jurídica ao uso de bioinsumos no Brasil. Produtos biológicos desenvolvidos a partir de microrganismos, como Priestia e Lysinibacillus, não são classificados como pesticidas e podem ser utilizados na agricultura, desde que comprovada sua segurança.

Segundo Katia Nechet, essas linhagens poderão se transformar em produtos acessíveis para controle de doenças e promoção do crescimento das mudas, fortalecendo toda a cadeia produtiva da pimenta-do-reino.

Próximos passos e testes em campo

Os pesquisadores planejam testar as bactérias em campo, em diferentes variedades e sistemas de cultivo, como o plantio em tutor vivo de gliricídia. O objetivo é confirmar o desempenho das cepas em larga escala e verificar sua aplicação em diferentes condições agrícolas.

Segundo Oriel Lemos, “a biotecnologia se mostra como uma ferramenta estratégica para a agricultura familiar, promovendo sustentabilidade ambiental, econômica e social.”

Equipe de pesquisa

O estudo contou com a participação de pesquisadores de diversas instituições: Unifesspa, Embrapa Florestas, UFLA, UFRPE, UFPA e Embrapa Meio Ambiente.

A pesquisa reforça a importância da ciência aplicada na agricultura sustentável e no fortalecimento da produção de pimenta-do-reino no Brasil.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de arroz segue travado em abril, com preços firmes e baixa liquidez no Brasil

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A primeira quinzena de abril consolidou um cenário de baixa liquidez no mercado de arroz, marcado pelo desalinhamento entre a oferta potencial e a disponibilidade efetiva do produto. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a formação de preços segue descolada do fluxo de negociações.

De acordo com ele, o comportamento do produtor tem sido determinante nesse contexto. A retenção estratégica dos estoques, motivada por margens abaixo do custo de produção, limita a oferta no mercado e reduz o volume de negócios.

Intervalo de preços indica estabilidade artificial no mercado

Durante o período, as cotações oscilaram dentro de uma faixa entre R$ 61 e R$ 68 por saca de 50 quilos, configurando um piso no curto prazo. No entanto, essa estabilidade não reflete um mercado ativo.

Segundo o analista, trata-se de uma estabilidade artificial, com preços ofertados, mas sem efetivação de negociações, em um ambiente de baixa profundidade no mercado spot.

Indústria compra apenas para reposição imediata

Do lado da demanda, a indústria manteve uma postura cautelosa, realizando aquisições pontuais e voltadas exclusivamente à reposição de curto prazo. Esse comportamento reforça o cenário de poucos negócios e contribui para a manutenção do mercado travado.

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Exportações perdem competitividade com queda do dólar

No mercado externo, a competitividade do arroz brasileiro apresentou deterioração significativa ao longo da quinzena. O principal fator foi a valorização do real frente ao dólar, com a moeda norte-americana operando abaixo de R$ 5,00.

Esse movimento reduziu as margens de exportação (FOB), tornando inviável a participação do Brasil em mercados internacionais. Como consequência, o país atingiu paridade com os Estados Unidos, eliminando o diferencial competitivo necessário para exportações nas Américas.

Queda na demanda externa reduz ritmo de embarques

Após um início de ano com volumes expressivos, superiores a 600 mil toneladas no trimestre, o mercado registrou desaceleração nas exportações. A redução da atratividade do produto brasileiro resultou em retração da demanda internacional.

Com isso, as exportações deixaram de cumprir o papel de escoamento da produção, ampliando a pressão sobre o mercado interno.

Entrada da nova safra amplia oferta e pressiona dinâmica do mercado

O período também foi marcado pela transição entre o fim da entressafra e a chegada da nova safra, com avanço da colheita e consolidação de uma produção volumosa, com boa produtividade.

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Esse aumento na oferta potencial, somado à retração das exportações e à baixa liquidez interna, reforça o cenário de desequilíbrio entre produção e comercialização.

Cotação do arroz registra leve alta na semana, mas segue abaixo de 2025

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a média da saca de 50 quilos (58% a 62% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi cotada a R$ 63,14 na quinta-feira (16), registrando alta de 0,77% em relação à semana anterior.

Na comparação mensal, o avanço foi de 7,12%. No entanto, em relação ao mesmo período de 2025, o preço ainda acumula queda de 18,14%, evidenciando o cenário desafiador para o setor orizícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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