RIO BRANCO
Search
Close this search box.

AGRONEGÓCIO

Boi gordo sobe em São Paulo e avança em Mato Grosso com oferta restrita

Publicados

AGRONEGÓCIO

O mercado do boi gordo iniciou o período mais recente com valorização nas principais praças pecuárias do país, impulsionado pela combinação de oferta restrita e demanda aquecida por parte dos frigoríficos. Em São Paulo e em regiões estratégicas de Mato Grosso, o cenário tem favorecido a alta das cotações, especialmente para animais terminados.

Alta do boi gordo em São Paulo é sustentada por menor oferta

Em São Paulo, a redução na disponibilidade de animais prontos para abate, aliada à necessidade de recomposição das escalas por parte de frigoríficos menores, contribuiu para a elevação dos preços.

Essas indústrias, com maior dificuldade em alongar suas programações, passaram a ofertar valores mais altos pela arroba. Já os frigoríficos com escalas mais confortáveis conseguiram negociar com maior tranquilidade.

Nesse contexto, a cotação do boi gordo registrou alta de R$ 3,00/@, enquanto o chamado “boi China” teve valorização de R$ 2,00/@. As demais categorias permaneceram estáveis.

As escalas de abate no estado ficaram, em média, em sete dias, indicando relativa estabilidade no abastecimento, ainda que com viés de firmeza nos preços.

Leia Também:  Noz-pecã brasileira ganha força global: Divinut apresenta inovações e aposta na abertura do mercado asiático durante a FENARROZ 2026
Mato Grosso registra valorização generalizada nas cotações

No Mato Grosso, o movimento também foi de alta, com frigoríficos atuando de forma mais ativa na compra de animais para completar suas escalas, diante da oferta restrita.

  • Região Norte: Na região Norte do estado, todas as categorias apresentaram valorização de R$ 2,00/@. As escalas de abate ficaram, em média, em oito dias.
  • Região Sudoeste; Na região Sudoeste, o boi gordo teve alta de R$ 3,00/@, enquanto a novilha avançou R$ 5,00/@. A cotação da vaca permaneceu estável. As escalas estavam mais curtas, com média de quatro dias.
  • Região de Cuiabá: Na região de Cuiabá, a cotação do boi gordo subiu R$ 3,00/@, e a vaca teve valorização de R$ 2,00/@. A novilha manteve estabilidade. As escalas de abate estavam, em média, em seis dias.
  • Região Sudeste: Já na região Sudeste do estado, o boi gordo e a vaca registraram alta de R$ 2,00/@, enquanto a novilha teve valorização de R$ 3,00/@. As escalas ficaram, em média, em cinco dias.
Leia Também:  Custo da cria bovina sobe 29% em 2025, mas pecuaristas recuperam margens com alta do bezerro

Além disso, o “boi China” no estado também apresentou valorização de R$ 2,00/@, acompanhando a tendência observada em outras praças.

Cenário atual do boi gordo indica mercado firme no curto prazo

O cenário atual do mercado do boi gordo aponta para manutenção da firmeza nas cotações no curto prazo. A combinação de oferta limitada de animais terminados e demanda consistente da indústria frigorífica continua sendo o principal fator de sustentação dos preços.

Mesmo com escalas de abate relativamente ajustadas, a necessidade de reposição por parte de algumas indústrias mantém o ambiente favorável para novas altas, especialmente em regiões onde a disponibilidade de gado segue mais restrita.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGÓCIO

Trump taxa o Brasil por “trabalho escravo”, mas compra 30 vezes mais de “países suspeitos”

Publicados

em

Por

Os Estados Unidos começaram a cobrar, nesta sexta-feira (24.07), uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de que o país não impediria de maneira efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo.

Para parte das exportações brasileiras, a nova tarifa será somada à sobretaxa de 25% (veja aqui) que entrou em vigor na quarta-feira (22), elevando o adicional a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a cobrança acumulada alcança setores como calçados, máquinas e equipamentos, incluindo maquinário agrícola, peças, vestuário e produtos químicos não farmacêuticos. Café e suco de laranja ficaram isentos das duas medidas, enquanto a celulose será atingida somente pelos 12,5%. A incidência final dependerá do código tarifário de cada mercadoria.

O argumento norte-americano, porém, esbarra nos próprios números e mostra que a decisão é eminentemente política. Segundo levantamento do Global Slavery Index, elaborado pela fundação Walk Free e apresentado ao G20, os Estados Unidos importam anualmente US$ 169,6 bilhões em mercadorias suspeitas de terem sido produzidas com trabalho forçado e nenhum desses países foi sobretaxado. No caso brasileiro, o montante é de US$ 5,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,5 bilhões, ou seja 30 vezes mais.

A classificação da fundação Walk Free não significa que todas essas mercadorias tenham sido comprovadamente produzidas por trabalhadores escravizados, mas mostra que o mercado norte-americano permanece como um dos principais destinos mundiais de bens provenientes dessas cadeias que se utilizam de mão de obra escravizada.

Entre as compras dos Estados Unidos classificadas como de risco estão US$ 107,6 bilhões em eletrônicos procedentes principalmente da China e da Malásia. Também aparecem US$ 52,4 bilhões em roupas produzidas em países como China, Vietnã, Bangladesh, Índia e Malásia. A lista inclui ainda pescados, madeira e produtos têxteis.

Outra incoerência: a nova cobrança não proíbe a entrada dessas mercadorias. Os produtos originados em cadeias apontadas como vulneráveis ao trabalho forçado poderão continuar chegando aos Estados Unidos desde que os importadores paguem o imposto adicional.

Leia Também:  Frango inicia 2026 em queda, mas setor mantém otimismo com exportações recordes e custos sob controle

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que “investigou” o Brasil não formalizou uma acusação de que os produtos brasileiros estão sendo fabricados com trabalho escravo. Apenas frisou que inexiste uma proibição de importação considerada suficientemente abrangente, para impedir que mercadorias produzidas nessas condições em terceiros países entrem no Brasil, e daqui cheguem aos Estados Unidos .

Essa foi uma forma de justificar o injustificável, já que o Brasil possui uma estrutura própria de repressão ao trabalho análogo à escravidão. O artigo 149 do Código Penal enquadra como crime situações envolvendo trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição da liberdade por dívida. O país também mantém grupos móveis de fiscalização e um cadastro público de empregadores responsabilizados administrativamente, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo.

Desde 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão em mais de 8 mil ações fiscais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Somente em 2025, foram resgatadas 2.772 pessoas, enquanto as fiscalizações resultaram no pagamento de aproximadamente R$ 9,4 milhões em verbas trabalhistas e rescisórias. A versão mais recente da Lista Suja foi atualizada em 14 de julho deste ano.

Esses números não significam que o problema esteja eliminado no território brasileiro. Eles demonstram, entretanto, que o país reconhece a existência das irregularidades, investiga denúncias, responsabiliza empregadores e retira trabalhadores das situações encontradas. O próprio relatório produzido pelo USTR registra manifestações apresentadas durante a investigação que destacaram a existência de uma estrutura legal e institucional consolidada no Brasil.

Leia Também:  Custo da cria bovina sobe 29% em 2025, mas pecuaristas recuperam margens com alta do bezerro

Outro ponto que relativiza a justificativa humanitária está no amplo conjunto de exceções definido pelos Estados Unidos. Ficaram protegidas da nova tarifa matérias-primas que possam provocar desabastecimento, produtos capazes de gerar impactos econômicos mais amplos e mercadorias que não possam ser produzidas em quantidade suficiente no território norte-americano.

A lista de exceções alcança itens de interesse direto do agronegócio, como determinados produtos de origem animal, sementes, insumos para fertilizantes e defensivos, couros, madeira, café solúvel sem aromatização e volumes de açúcar importados dentro das cotas estabelecidas. Na prática, a aplicação da medida será determinada não apenas pelo argumento relacionado ao trabalho forçado, mas também pela necessidade de preservar o abastecimento e os custos da economia americana.

Para o agro brasileiro, o impacto será desigual. Produtos incluídos nas exceções poderão continuar entrando sem a nova cobrança, enquanto os demais ficarão sujeitos aos 12,5%. Nos casos em que a tarifa se somar à sobretaxa de 25% estabelecida em outra investigação comercial, a cobrança nominal poderá alcançar 37,5%, dependendo da classificação aduaneira de cada mercadoria.

O momento escolhido para colocar a medida em vigor também chama atenção. A nova tarifa começou a valer exatamente quando terminou a cobrança global temporária de 10% criada anteriormente pelo governo norte-americano. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as chamadas tarifas recíprocas, que variavam de 10% a 50%. Agora, Washington recorreu à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para recompor uma barreira de alcance semelhante sob outra fundamentação jurídica.

A coincidência entre o calendário eleitoral e o aumento das barreiras comerciais mostra que as tarifas norte-americanas deixaram de ser apenas um instrumento de política comercial e passaram a integrar o ambiente político brasileiro.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

RIO BRANCO

ACRE

POLÍCIA

FAMOSOS

MAIS LIDAS DA SEMANA