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Boletim Focus eleva projeção da Selic para 2026 e mantém inflação acima da meta

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As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central do Brasil revisaram parte das projeções para a economia brasileira no mais recente Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (9). O relatório semanal reúne estimativas de mais de 100 instituições do mercado financeiro e indica leve aumento na projeção da taxa básica de juros (Selic) para 2026, enquanto as expectativas para inflação e crescimento econômico permaneceram praticamente estáveis.

Os dados mostram que, apesar da política monetária restritiva, o mercado continua projetando redução gradual dos juros nos próximos anos, com inflação ainda acima da meta definida pelas autoridades monetárias.

Inflação permanece próxima de 4% nas projeções do mercado

De acordo com o levantamento do Banco Central, a previsão para a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 foi mantida em 3,91%. O índice segue acima da meta central de 3,00% estabelecida para o período.

Para 2027, a estimativa apresentou leve ajuste, passando de 3,79% para 3,80%, também acima do objetivo definido pelo Conselho Monetário Nacional.

Outros indicadores de preços monitorados pelo mercado financeiro também apresentaram estabilidade ou pequenas variações nas projeções:

  • Preços administrados – aqueles controlados por contratos ou pelo poder público
    • 2026: mantidos em 3,67%
    • 2027: mantidos em 3,74%
  • IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)
    • 2026: passou de 3,18% para 3,19%
    • 2027: mantido em 4,00%
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As estimativas reforçam a percepção de que a inflação brasileira tende a permanecer sob controle nos próximos anos, mas ainda acima da meta central perseguida pela autoridade monetária.

Mercado ajusta projeção da Selic para 2026

O Boletim Focus também trouxe atualização nas expectativas para a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic).

Atualmente em 15,00% ao ano, a taxa foi mantida nesse nível pelo Banco Central na última reunião de política monetária, permanecendo no patamar mais elevado em quase duas décadas.

Segundo as projeções do mercado financeiro:

  • Selic no fim de 2026: subiu de 12,00% para 12,13% ao ano
  • Selic em 2027: mantida em 10,50% ao ano

Mesmo com o leve aumento na projeção para 2026, os economistas ainda esperam redução gradual dos juros ao longo dos próximos anos, caso a trajetória da inflação permita um ciclo de flexibilização monetária.

Há quatro semanas, a expectativa para a Selic ao final de 2026 estava em 12,25%, indicando pequenas oscilações nas projeções do mercado.

Expectativa para crescimento do PIB permanece estável

No campo da atividade econômica, o relatório manteve estáveis as projeções para o crescimento da economia brasileira.

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Segundo o levantamento:

  • PIB de 2026: expansão de 1,82%
  • PIB de 2027: crescimento de 1,80%

O Produto Interno Bruto (PIB) representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é considerado o principal indicador de desempenho da economia.

Mercado reduz levemente projeção para o dólar

No cenário cambial, os economistas consultados pelo Banco Central fizeram pequeno ajuste para baixo na previsão do dólar.

As estimativas atuais indicam:

  • Dólar no fim de 2026: passou de R$ 5,42 para R$ 5,41
  • Dólar no encerramento de 2027: mantido em R$ 5,50

As projeções refletem a expectativa de relativa estabilidade cambial, influenciada pelo nível de juros domésticos e pelo ambiente econômico internacional.

Boletim Focus reúne expectativas do mercado financeiro

O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central do Brasil e reúne as projeções de economistas de bancos, corretoras e instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira, como inflação, juros, câmbio e crescimento do PIB.

O relatório é considerado uma das principais referências para acompanhar a percepção do mercado financeiro sobre os rumos da economia do país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

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Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

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A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

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Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

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