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Bolsas globais avançam e Ibovespa mantém alta acima de 187 mil pontos com foco em juros e inflação

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Bolsas globais fecham em alta com otimismo dos investidores

Os mercados internacionais encerraram o último pregão em forte alta, refletindo um aumento do apetite por risco entre investidores diante de perspectivas mais positivas para a economia global.

Em Wall Street, os principais índices registraram ganhos consistentes:

  • Dow Jones Industrial Average subiu 0,48%, aos 46.565,86 pontos
  • S&P 500 avançou 0,69%, aos 6.573,89 pontos
  • Nasdaq Composite teve alta de 1,16%, encerrando aos 21.840,95 pontos

Na Europa, o movimento positivo foi ainda mais intenso. O índice pan-europeu Stoxx Europe 600 subiu 2,41%, aos 597,19 pontos, com destaque para os principais mercados:

  • FTSE 100 (Londres): +1,85%, aos 10.364,79 pontos
  • DAX (Frankfurt): +2,73%, aos 23.298,89 pontos
  • CAC 40 (Paris): +2,10%, aos 7.981,27 pontos

Na Ásia, o tom também foi de valorização:

  • Hang Seng Index (Hong Kong): +2,2%, aos 25.339,45 pontos
  • Shanghai Composite Index: +1,5%, aos 3.948,55 pontos
  • Nikkei 225 (Tóquio): +5,2%, aos 53.739,68 pontos

O cenário global reflete maior confiança dos investidores, com expectativas de estabilidade econômica e ajustes moderados nas políticas monetárias das principais economias.

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Ibovespa acompanha cenário externo e mantém viés positivo

No Brasil, o Ibovespa opera em alta nesta quarta-feira, 2 de abril de 2026, seguindo o movimento positivo das bolsas internacionais.

O principal índice da B3 avança cerca de 0,26%, sustentando-se acima dos 187 mil pontos, com destaque para o fluxo comprador em setores estratégicos da economia.

Dados do pregão:

  • Pontuação: aproximadamente 187.952 pontos
  • Variação: +0,26%
  • Máxima do dia: 189.130,90 pontos
  • Mínima do dia: 187.255,65 pontos
  • Volume financeiro: cerca de R$ 35,90 bilhões
Ações em destaque: bancos sobem e Petrobras pressiona

Entre os papéis mais negociados, o setor financeiro tem impulsionado o desempenho do índice:

  • Bradesco PN (BBDC4) registra alta
  • Itaúsa (ITSA4) também opera em campo positivo

Por outro lado, a Petrobras (PETR4) apresenta desempenho mais fraco, limitando ganhos mais expressivos do Ibovespa ao longo do pregão.

Cenário econômico: inflação e juros no radar

O mercado doméstico segue atento a indicadores macroeconômicos relevantes, como:

  • A prévia da inflação oficial, IPCA-15
  • Sinais do Banco Central do Brasil sobre a trajetória da taxa de juros
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A política monetária permanece como um dos principais direcionadores do mercado, especialmente para ativos sensíveis ao custo do crédito.

Mercado futuro indica volatilidade

O mercado futuro do Ibovespa aponta para volatilidade nas negociações de abril, refletindo:

  • Ajustes de posição de investidores
  • Repercussão de dados econômicos globais
  • Expectativas sobre decisões de bancos centrais
Perspectiva geral dos mercados

A combinação entre o cenário externo favorável e a atenção a indicadores econômicos no Brasil indica um momento de confiança moderada dos investidores, com tendência de cautela diante da trajetória de juros e inflação. O desempenho das bolsas e das ações estratégicas deverá seguir guiado por esses fatores nos próximos dias.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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