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Brasil amplia exportações de carnes e mantém liderança global, mesmo com restrições da China e dos EUA

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Mesmo diante de novas barreiras comerciais impostas por grandes compradores, o Brasil manteve em 2025 um desempenho histórico nas exportações de carnes e consolidou sua posição como um dos principais fornecedores globais de proteínas animais.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, 5,324 milhões de toneladas de frango e 3,619 milhões de toneladas de carne suína — este último, um recorde histórico absoluto.

Com esses resultados, o Brasil manteve a liderança mundial nas exportações de carne de frango e bovina e ocupou a terceira posição global na carne suína, reafirmando seu papel estratégico no comércio internacional de alimentos.

Restrições da China não freiam avanço do Brasil

A decisão da China, principal parceira comercial do Brasil, de limitar a 1,1 milhão de toneladas a cota de importação de carne bovina em 2026, não deve comprometer o bom momento do setor.

De acordo com Altair Albuquerque, diretor da Texto Assessoria de Comunicações, mesmo diante de obstáculos como o tarifaço dos Estados Unidos e episódios de gripe aviária, o país vem apresentando crescimento consistente e diversificação de mercados, reduzindo sua dependência de compradores específicos.

“O Brasil construiu uma base sólida de competitividade e ampliou sua presença em mercados alternativos, garantindo estabilidade mesmo em cenários desafiadores”, destaca Albuquerque.

Crescimento expressivo em todas as proteínas

Os números da última década reforçam a trajetória ascendente das exportações brasileiras.

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Entre 2016 e 2025, o volume de carne de frango exportado cresceu de 4,384 milhões para 5,324 milhões de toneladas, um aumento de 21,4%. Em receita, o avanço foi ainda maior: de US$ 6,849 bilhões para US$ 9,79 bilhões, alta de 42,9%.

Na carne suína, o crescimento foi ainda mais significativo — as exportações praticamente dobraram, passando de 732 mil toneladas para 1,51 milhão, enquanto a receita saltou de US$ 1,483 bilhão para US$ 3,619 bilhões, uma expansão de 144%.

Carne bovina registra maior salto em valor

O desempenho da carne bovina foi o mais expressivo da série histórica. Em 2016, o Brasil exportava 1,4 milhão de toneladas, e em 2025 esse volume chegou a 3,5 milhões de toneladas, representando um aumento de 150%.

O valor das exportações mais do que triplicou em dez anos, passando de US$ 5,5 bilhões para US$ 18 bilhões, um crescimento de 227%.

Esse avanço reflete investimentos em qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade — fatores cada vez mais valorizados no mercado internacional.

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Brasil consolida posição de potência global em proteínas animais

A soma dos resultados coloca o Brasil como um dos pilares do abastecimento mundial de carnes, capaz de superar restrições temporárias e conquistar novos mercados.

Com produção tecnificada, diversificação de destinos e produtos com maior valor agregado, o país segue fortalecendo sua imagem como fornecedor confiável e competitivo de alimentos de origem animal.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode multiplicar área irrigada, mas água e energia limitam avanço

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O Brasil possui aproximadamente 10 milhões de hectares equipados para irrigação, mas poderia incorporar mais de 55 milhões de hectares à tecnologia, segundo estimativas oficiais. A expansão permitiria aumentar a produção dentro de áreas já ocupadas e reduzir perdas provocadas por estiagens, mas depende de investimentos em reservatórios, energia elétrica, licenciamento e gestão dos recursos hídricos.

Os números variam conforme a metodologia. O Portal da Irrigação, do governo federal, trabalha com cerca de 10 milhões de hectares equipados. Já o Atlas Irrigação, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), contabiliza 8,2 milhões de hectares irrigados e fertirrigados em sua base nacional mais abrangente.

O mesmo levantamento identifica potencial adicional de 55,85 milhões de hectares. Desse total, 26,69 milhões estão sobre áreas agrícolas de sequeiro, que dependem das chuvas, e outros 26,73 milhões sobre pastagens. A estimativa exclui áreas ambientalmente protegidas, mas representa uma possibilidade física, não uma expansão que possa ocorrer imediatamente.

Uma parcela entre 6 milhões e 8 milhões de hectares apresenta condições mais favoráveis para incorporação em prazo menor. Ainda assim, seriam necessários investimentos elevados na aquisição de equipamentos, ampliação das redes elétricas e construção de estruturas de captação, armazenamento e distribuição de água.

O avanço dos pivôs centrais mostra que o produtor já procura reduzir a dependência das chuvas. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificou 33.846 pivôs em funcionamento em 2024, responsáveis pela irrigação de 2,2 milhões de hectares.

A tecnologia permite fornecer água em momentos decisivos, como germinação, floração e enchimento de grãos. No milho, a falta de umidade nessas fases pode provocar perdas mesmo quando o volume total de chuva da temporada fica próximo da média.

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A irrigação também aumenta a previsibilidade para cooperativas, fábricas de ração, usinas de etanol e outras indústrias que dependem do fornecimento regular de grãos. Com menor oscilação na produção, a cadeia consegue organizar melhor compras, estoques e processamento.

Estudos realizados em regiões de agricultura irrigada encontraram indicadores econômicos superiores aos observados em municípios sem a mesma estrutura. As áreas analisadas, embora representassem cerca de 8% do espaço agrícola considerado, concentravam 704 mil hectares irrigados por pivôs e respondiam por aproximadamente 15% das exportações do agronegócio.

Uma simulação com a incorporação de 1.500 hectares irrigados apontou aumento inicial de R$ 8,27 milhões no valor adicionado pela agropecuária. Em uma segunda etapa, após os efeitos sobre fornecedores, serviços e empregos, o acréscimo poderia superar R$ 13 milhões.

Essas comparações, entretanto, não significam que a irrigação seja a única responsável pelo desempenho econômico. Municípios irrigantes também costumam concentrar propriedades tecnificadas, agroindústrias, crédito, armazenagem e melhor infraestrutura.

O principal limite é a disponibilidade de água em cada bacia. A ANA calcula que a irrigação responde por 46% de toda a água retirada de rios, reservatórios e aquíferos no Brasil e por 67% do consumo, parcela que não retorna imediatamente aos mananciais.

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Por isso, o potencial nacional não pode ser interpretado como autorização para irrigar qualquer área. Cada projeto depende da disponibilidade local, dos demais usos da água e da obtenção de outorga, documento que estabelece quanto poderá ser captado, por quanto tempo e em quais condições.

A construção de reservatórios pode guardar água durante o período chuvoso para utilização em momentos críticos. Esses projetos, porém, também precisam respeitar regras ambientais, segurança das barragens e limites de captação para não prejudicar o abastecimento das cidades, a indústria e outros produtores.

A energia elétrica é outro obstáculo. Sistemas de irrigação demandam potência elevada e funcionamento regular, mas parte das regiões com maior potencial agrícola ainda não dispõe de redes trifásicas ou capacidade suficiente para atender novos equipamentos. O custo da energia também interfere diretamente na viabilidade do investimento.

A expansão sustentável exige ainda sensores de umidade, acompanhamento meteorológico e equipamentos capazes de aplicar somente o volume necessário. Irrigar sem monitoramento pode desperdiçar água, elevar custos e provocar erosão, encharcamento ou perda de nutrientes.

Diante da maior frequência de veranicos e estiagens em períodos críticos, a irrigação tende a ganhar importância na agricultura brasileira. O avanço, contudo, dependerá menos da simples compra de pivôs e mais de planejamento por bacia, segurança jurídica, energia disponível e infraestrutura para armazenar água sem comprometer os demais usuários.

Fonte: Pensar Agro

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