AGRONEGÓCIO
Cepea divulga agromensais de outubro com destaques para açúcar firme, algodão em queda e alta do milho
AGRONEGÓCIO
Açúcar mantém preços firmes com oferta restrita
Os preços do açúcar cristal branco permaneceram firmes no estado de São Paulo durante outubro. A demanda por novos lotes, especialmente do tipo Icumsa 150, manteve o mercado aquecido. A oferta limitada, resultado do maior volume destinado às exportações, levou as usinas paulistas a comercializarem no mercado spot a valores estáveis e sustentados.
Algodão registra menor preço em 16 anos
O algodão em pluma apresentou forte queda em outubro, alcançando o menor patamar mensal desde outubro de 2009, em valores reais. A desvalorização está ligada à safra recorde no Brasil, ao consumo interno e externo reduzido, à instabilidade geopolítica e à desvalorização do dólar. Esses fatores reduziram a competitividade das exportações e pressionaram os preços no mercado doméstico.
Arroz segue em queda e desanima produtores
No Rio Grande do Sul, o mercado de arroz em casca teve baixa liquidez ao longo de outubro. Mesmo com o avanço satisfatório da semeadura da safra 2025/26, os preços permanecem abaixo dos custos de produção, desmotivando os orizicultores. Muitos produtores optaram por migrar para culturas mais rentáveis ou reduziram a área plantada, mantendo as vendas pontuais e focando nas atividades de campo.
Boi gordo tem valorização tímida em outubro
Tradicionalmente, outubro é um mês de alta nos preços da arroba bovina, mas em 2025 o aumento foi mais contido. O principal motivo foi o avanço dos contratos entre confinadores e indústrias, que preencheram boa parte das escalas de abate, reduzindo a demanda no mercado de balcão — referência para a formação dos preços.
Café registra forte volatilidade e baixa liquidez
Os preços do café arábica e robusta oscilaram intensamente ao longo de outubro. Agentes do setor monitoraram possíveis mudanças na tarifação dos Estados Unidos, além das condições climáticas no Brasil e no Vietnã. A instabilidade limitou as negociações no mercado interno, com produtores cautelosos e pouco dispostos a vender sua produção.
Etanol tem preços firmes, mas médias menores
No mercado paulista, os preços do etanol se mantiveram firmes em outubro, com o hidratado negociado em torno de R$ 2,70/litro e o anidro próximo de R$ 3,10/litro. Apesar da estabilidade, as médias mensais ficaram levemente abaixo das registradas em setembro.
Feijão completa um ano de acompanhamento pelo Cepea e CNA
O Cepea, em parceria com a CNA, completou um ano de acompanhamento dos preços dos feijões carioca e preto. Desde outubro de 2024, o monitoramento inclui 45 microrregiões em 14 estados brasileiros, ampliando a transparência e o acesso a informações de mercado.
Exportações de frango seguem afetadas pela gripe aviária
A China manteve a suspensão das compras de carne de frango do Brasil até o fim de outubro, após o caso de gripe aviária registrado em maio. Outros países já haviam retomado as importações, mas o mercado chinês continua afastado, impactando o setor avícola nacional.
Milho sobe pelo terceiro mês consecutivo
Os preços internos do milho avançaram pelo terceiro mês seguido, impulsionados pela retração de vendedores. Muitos produtores priorizaram as atividades de campo e o desenvolvimento das lavouras da safra de verão, liberando novos lotes apenas quando necessário para fazer caixa ou liberar espaço nos armazéns.
Ovinos têm valorização em várias regiões
O preço do cordeiro vivo subiu na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea entre setembro e outubro, mesmo com o ritmo lento das negociações. A exceção foi o Paraná, onde as cotações caíram 5%, atingindo média de R$ 14,20/kg, pressionadas pela demanda enfraquecida.
Soja reage com sinal de retomada das compras pela China
O anúncio de que a China retomaria parcialmente as compras de soja dos Estados Unidos elevou os preços do grão na Bolsa de Chicago (CME Group). O contrato de primeiro vencimento voltou ao maior valor desde julho de 2024. Na média de outubro, o futuro da oleaginosa subiu 1,5% em relação a setembro e 3,2% frente ao mesmo mês do ano anterior, cotado a US$ 10,35/bushel (equivalente a US$ 22,82 por saca de 60 kg).
Chuvas preocupam produtores de trigo no Sul
As chuvas que atingiram o Sul do Brasil em outubro acenderam o alerta entre os produtores de trigo. Apesar da melhora nas condições climáticas no fim do mês, novas precipitações podem comprometer lavouras já em fase de maturação, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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