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Cessar-fogo no Oriente Médio não elimina riscos e pressiona inflação e mercados no Brasil
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O cenário econômico global e brasileiro segue marcado por incertezas, mesmo após a tentativa de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. De acordo com análise recente da RaboResearch, os riscos geopolíticos continuam elevados e já impactam diretamente indicadores como inflação, câmbio e mercado de commodities.
Cessar-fogo frágil mantém tensão no mercado global
Apesar do anúncio de um cessar-fogo temporário de duas semanas, as negociações entre Estados Unidos e Irã foram interrompidas sem avanços concretos, especialmente sobre questões nucleares.
Esse impasse aumenta a incerteza quanto à estabilidade do acordo e ao fornecimento global de energia, especialmente diante da importância estratégica do Estreito de Ormuz para o fluxo de petróleo.
O cenário mantém os mercados internacionais em alerta, com reflexos diretos nos preços de energia e na inflação global.
Inflação acelera no Brasil com impacto de combustíveis e alimentos
No Brasil, a inflação já reflete os efeitos do conflito no Oriente Médio. O IPCA de março registrou alta de 0,88% no mês, acima das expectativas do mercado.
No acumulado em 12 meses, o índice avançou para 4,1%, ficando acima da meta estabelecida.
Os principais fatores de pressão foram:
- Combustíveis, com forte alta da gasolina e do diesel;
- Alimentos, com destaque para produtos como tomate, cebola e leite;
- Aumento generalizado de preços, com alta em todos os grupos analisados.
O avanço dos combustíveis está diretamente ligado à valorização do petróleo no cenário internacional, influenciado pelo conflito geopolítico.
Preços administrados sobem e pressionam índice
Os preços administrados apresentaram aceleração relevante, impulsionados principalmente pelo aumento dos combustíveis.
Já os preços livres mostraram desaceleração, especialmente no setor de serviços, embora ainda pressionados por itens como alimentação fora do domicílio.
A inflação de serviços perdeu força no mês, mas segue em patamar elevado no acumulado anual, indicando persistência das pressões inflacionárias.
Projeção de inflação segue com viés de alta em 2026
A estimativa para a inflação em 2026 foi mantida em 4,4%, porém com viés de alta, diante da incerteza sobre a duração e intensidade do conflito no Oriente Médio.
Segundo a análise, a permanência do petróleo em níveis elevados tende a impactar não apenas combustíveis, mas também insumos como fertilizantes, ampliando os efeitos sobre a economia.
Por outro lado, o comportamento mais favorável do real tem ajudado a reduzir parte desses impactos, limitando o repasse para outros setores.
Balança comercial registra superávit com avanço das exportações
A balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 6,4 bilhões em março, mesmo com aumento das importações.
Os dados mostram:
- Exportações de US$ 31,6 bilhões;
- Importações de US$ 25,2 bilhões;
- Superávit acumulado no ano de US$ 14,2 bilhões.
Entre os destaques das exportações estão:
- Soja e algodão no setor agropecuário;
- Petróleo no setor extrativo;
- Carne bovina e ouro na indústria de transformação.
Já nas importações, houve aumento significativo na compra de fertilizantes e combustíveis, refletindo a antecipação de compras diante da alta de preços e incertezas externas.
Política econômica reage ao impacto dos combustíveis
O governo brasileiro adotou medidas para conter os efeitos da alta do diesel, incluindo redução de tributos e criação de subsídios temporários.
Entre as ações estão:
- Zeragem de PIS/Cofins sobre o biodiesel;
- Subvenções para importação e produção de diesel;
- Medidas fiscais para compensação de receitas.
Além disso, o governo estuda medidas para estimular a economia, como a liberação parcial do FGTS para pagamento de dívidas.
Banco Central reforça compromisso com controle da inflação
O Banco Central tem sinalizado postura firme no combate à inflação, destacando que não permitirá efeitos secundários prolongados do choque de preços causado pelo petróleo.
A autoridade monetária reconhece o ambiente de alta incerteza global e avalia que o conflito pode impactar negativamente o crescimento econômico, tanto no Brasil quanto no exterior.
Câmbio, commodities e mercado financeiro refletem cenário global
O real apresentou valorização recente frente ao dólar, com a moeda americana encerrando próxima de R$ 5,00, em um dos melhores desempenhos entre emergentes na semana.
No entanto, a expectativa é de desvalorização ao longo de 2026, com projeção de câmbio em torno de R$ 5,55 ao final do período.
No mercado de commodities:
- O petróleo segue em patamares elevados, apesar de recente correção;
- Commodities agrícolas e metálicas apresentam desempenho misto;
- O milho e o trigo registraram quedas recentes no mercado internacional.
Já os mercados acionários tiveram desempenho positivo, com o Ibovespa atingindo novas máximas e acompanhando o movimento global de valorização.
Perspectiva: incerteza segue como principal fator de risco
A análise aponta que o cenário econômico continuará dependente da evolução do conflito no Oriente Médio e de seus impactos sobre energia e inflação.
Além disso, permanecem no radar:
Incertezas fiscais no Brasil;
- Possível redução do diferencial de juros;
- Volatilidade no câmbio e nos mercados globais.
Diante desse contexto, o ambiente econômico segue desafiador, exigindo cautela por parte de investidores e agentes do agronegócio, especialmente diante da influência direta dos preços de energia e insumos sobre a produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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