AGRONEGÓCIO
Circuito Nelore de Qualidade 2025 premia melhores lotes em Água Boa (MT)
AGRONEGÓCIO
A oitava etapa nacional do Circuito Nelore de Qualidade 2025 foi realizada em 8 de agosto na cidade de Água Boa (MT), promovida pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB). O evento contou com a avaliação de 500 animais de seis pecuaristas, divididos em oito lotes de cinco municípios do estado, sendo 314 terminados a pasto e 186 em confinamento.
As avaliações ocorreram nas instalações da Friboi, uma das apoiadoras da iniciativa, ao lado da Matsuda Sementes e Nutrição Animal. A Associação dos Criadores de Nelore do Mato Grosso (ACNMT) também colaborou na organização desta etapa, que marca a 27ª edição do Circuito.
Perfil dos animais avaliados
Entre os machos, 86 não cadastrados foram avaliados, sendo que 70% possuíam até dois dentes incisivos permanentes, indicando idade inferior a dois anos, com peso médio de 24,5 arrobas.
Das 414 fêmeas, 90% apresentavam até dois dentes incisivos permanentes, 83% possuíam cobertura de gordura mediana e peso médio de 14,7 arrobas.
Segundo Victor Paulo Silva Miranda, presidente da ACNB, o aumento de 20% no número de animais avaliados em relação à edição anterior reforça a confiança dos pecuaristas na iniciativa: “A cada edição, percebemos maior participação dos produtores, que reconhecem o valor do Circuito como ferramenta de avaliação do Nelore”, afirmou.
Premiação: melhores lotes de machos e fêmeas
- Melhor Lote de Carcaças de Machos:
- Ouro: Sérgio Eduardo Marcon, Fazenda Conquista (Nova Xavantina/MT)
- Prata: Giongo Agropecuária LTDA, Fazenda Victória (Paranatinga/MT)
- Melhor Lote de Carcaças de Fêmeas:
- Ouro: Aelcio Arruda Moraes, Fazenda Santa Cruz da Serra (Barra do Garças/MT)
- Prata: Rodrigo da Silva dos Reis, Fazenda Estância Bahia II (Água Boa/MT)
- Bronze: Eduardo Zago Machado, Fazenda Eldorado (Nova Xavantina/MT)
Thiago Lima, gestor da Fazenda Santa Cruz da Serra, destacou a importância do evento: “Participamos com fêmeas precoces do nosso núcleo de genética, certificadas pelo CEIP. A seleção rigorosa tem nos entregado resultados fantásticos e reforça o potencial do Nelore na produção de carne de qualidade”, comentou.
Circuito Nelore de Qualidade: histórico e relevância
Realizado desde 1999, o Circuito Nelore de Qualidade promove a genética Nelore, fortalecendo a raça e seu posicionamento como produtora de carne de excelência. O programa avalia o desempenho de produtores em diferentes sistemas de produção, destacando avanços em produtividade e qualidade.
O Circuito conta com apoio de Friboi, Frisa, Cooperfrigu, Fribal, Masterboi e Matsuda Sementes e Nutrição Animal no Brasil. No exterior, possui parcerias com Fridosa na Bolívia e com a Associação Paraguaia dos Criadores de Nelore e Minerva Foods no Paraguai, consolidando-se como o maior campeonato de avaliação de carcaças de bovinos do mundo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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