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CNA reúne especialistas para discutir desafios e soluções logísticas do agronegócio

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil sediou, na última quinta-feira (26), a reunião da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística, onde foram debatidos temas estratégicos para o setor agropecuário, incluindo produção de grãos, ferrovias, hidrovias, balança comercial e a política nacional de frete.

O encontro foi o primeiro sob a presidência de Mário Borba, que também comanda a Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA e a Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba. Também participaram das discussões o vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, e representantes de órgãos públicos e entidades do setor logístico.

Safra 2025/26: Brasil deve colher 353,4 milhões de toneladas de grãos

Durante a reunião, o gerente de safras da Companhia Nacional de Abastecimento, Fabiano Vasconcelos, apresentou o relatório atualizado da safra 2025/26, que prevê uma produção total de 353,4 milhões de toneladas, um aumento de 0,4% em relação ao ciclo anterior.

Entre os destaques estão:

  • Soja: estimada em 178 milhões de toneladas (+3,8% frente à safra passada);
  • Milho total: 138,4 milhões de toneladas, sendo 109,3 milhões apenas da segunda safra;
  • Algodão em pluma: 3,85 milhões de toneladas;
  • Arroz: 10,9 milhões de toneladas;
  • Feijão: 2,96 milhões de toneladas;
  • Café: 66,1 milhões de sacas, beneficiado por um ano de bienalidade positiva.

Vasconcelos ressaltou, no entanto, que as condições climáticas ainda representam um fator de incerteza, com possíveis impactos sobre o plantio e o desenvolvimento das culturas, principalmente do milho.

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Balança comercial e custo logístico em debate

Outro tema central do encontro foi o desempenho da balança comercial brasileira em 2025 e sua relação direta com a infraestrutura de escoamento da safra.

O presidente executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga, Luis Henrique Baldez, destacou a importância do agronegócio para o superávit comercial e alertou para o peso do piso mínimo do frete nos custos de produção. Segundo ele, a política atual influencia diretamente a competitividade do setor e demanda uma revisão estratégica.

Baldez também defendeu medidas para enfrentar os gargalos logísticos, como:

  • Criação de um núcleo de acompanhamento de políticas públicas;
  • Ampliação de recursos para infraestrutura;
  • Retomada de programas de incentivo às hidrovias;
  • Redução do chamado “Custo Brasil”;
  • Definição de pautas prioritárias junto aos candidatos à Presidência.
Ferrovias ganham destaque na agenda de descarbonização

O diretor de Dados e Autorregulação da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, Paulo Oliveira, enfatizou o papel das ferrovias na descarbonização e na eficiência do transporte nacional.

Segundo ele, a ampliação da participação dos modais ferroviário e hidroviário é essencial para atingir as metas do Plano Nacional de Logística 2035. “Colocar mais cargas nas ferrovias e hidrovias reduz emissões, acidentes e custos, além de atrair investimentos sustentáveis”, afirmou.

Projetos de hidrovias prometem ganhos logísticos e ambientais

A coordenadora-geral de Política de Navegação Interior do Ministério de Portos e Aeroportos, Bruna Arruda Santoyo, apresentou os projetos de concessões 2024–2026, que incluem as hidrovias dos rios Madeira, Paraguai, Tocantins e Tapajós, além das regiões da Lagoa Mirim e Verde.

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Essas obras devem gerar benefícios ambientais e sociais, como a redução de emissões, criação de empregos e estímulo ao desenvolvimento regional, além de elevar a eficiência e a capacidade de transporte de cargas no país.

Política de frete mínimo é revisitada sob nova perspectiva

O encontro foi encerrado com uma análise sobre a Política Nacional de Pisos Mínimos de Frete, conduzida por Thiago Guilherme Péra, coordenador do Grupo Esalq-Log/USP.

Criada em 2018, a política surgiu em um contexto de quebra de safra e crise econômica. Segundo Thiago, o cálculo do piso leva em conta a estrutura de custos de transporte (fixos e variáveis), produtividade operacional e fatores como consumo de combustível, tempo de carregamento e velocidade média das viagens.

Ele reforçou que ajustes periódicos são necessários para equilibrar o custo do frete e garantir sustentabilidade tanto para transportadores quanto para produtores rurais.

Conclusão: integração logística é o caminho para um agro mais competitivo

A reunião da CTLOG reforçou o papel estratégico da integração logística no futuro do agronegócio brasileiro. Ferrovias, hidrovias e políticas de frete mais equilibradas são vistas como pilares para reduzir custos, aumentar a eficiência e tornar o agro nacional ainda mais competitivo no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

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Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

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Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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