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Colheita do algodão avança no Brasil, mas preços seguem pressionados por oferta global e mercado externo

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A colheita do algodão no Brasil ainda avança de forma lenta, mas deve acelerar nas próximas semanas, especialmente nas principais regiões produtoras do país. Ao mesmo tempo, o mercado da pluma enfrenta um cenário de pressão tanto no Brasil quanto no exterior, influenciado pela expectativa de aumento da oferta global, pela queda das cotações internacionais e pelo comportamento cauteloso da indústria têxtil.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que, até a última sexta-feira (26), a colheita havia alcançado 3,8% da área cultivada no país, acima dos 2,8% registrados na semana anterior. O percentual, embora inferior aos 5% observados no mesmo período do ano passado, está alinhado com a média dos últimos cinco anos.

Colheita deve acelerar em julho

Entre os estados produtores, o Maranhão lidera os trabalhos, com 13% da área colhida. Em seguida aparecem Piauí, Bahia e Minas Gerais, com 11%, Mato Grosso do Sul e Goiás, com 4%, enquanto Mato Grosso — maior produtor nacional da fibra — iniciou os trabalhos e soma 1% da área colhida.

Segundo a Conab, cerca de 80,3% das lavouras encontram-se em fase de maturação, enquanto 15,8% ainda estão em formação de grãos, indicando que a maior parte da safra está próxima do ponto ideal para colheita.

No Mato Grosso, a expectativa é de intensificação das operações nas próximas semanas. Paralelamente, os produtores mantêm atenção ao manejo fitossanitário, principalmente no controle do bicudo-do-algodoeiro e do complexo de lagartas, considerados os principais desafios da cultura nesta fase.

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Na Bahia, o prolongamento do ciclo produtivo vem favorecendo tanto a produtividade quanto a qualidade da fibra. Já no Maranhão, a colheita da primeira safra segue em andamento.

Mercado interno registra queda após quatro meses de alta

Enquanto a produção avança para a fase final, o mercado doméstico da pluma perdeu força em junho. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que os preços recuaram após quatro meses consecutivos de valorização.

A retração foi motivada pela combinação entre a queda das cotações internacionais e a postura mais cautelosa dos compradores. Indústrias têxteis continuam enfrentando dificuldades para ampliar as vendas de produtos manufaturados e repassar custos ao longo da cadeia produtiva, reduzindo o interesse por novas aquisições.

Além disso, boa parte da demanda segue sendo atendida por estoques já existentes ou por contratos firmados anteriormente, limitando os negócios no mercado disponível.

Do lado da oferta, embora ainda existam dificuldades relacionadas à aprovação da qualidade de alguns lotes, parte dos vendedores passou a flexibilizar os preços para estimular novas negociações.

Oferta global mantém pressão sobre as cotações

No mercado internacional, o cenário também permanece desfavorável para os preços do algodão.

Segundo análise do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o contrato da pluma com vencimento em dezembro de 2026, negociado na Bolsa de Nova York, encerrou a última semana cotado, em média, a 77,55 centavos de dólar por libra-peso, acumulando queda de 1,22%.

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O principal fator para a desvalorização foi a melhora das condições climáticas nas regiões produtoras dos Estados Unidos. Com a redução da estiagem, aumentaram as expectativas de uma boa safra norte-americana, fortalecendo a perspectiva de maior oferta global da fibra.

Outro elemento que contribuiu para limitar uma recuperação dos preços foi a queda das cotações do petróleo. Com o combustível mais barato, as fibras sintéticas tornam-se relativamente mais competitivas em relação ao algodão natural, reduzindo parte da demanda pela pluma.

Perspectiva segue de mercado pressionado

Para os próximos meses, o mercado do algodão deverá continuar acompanhando a evolução da colheita brasileira, o desempenho da safra norte-americana e o comportamento da demanda da indústria têxtil mundial.

Na avaliação do Imea, o ambiente internacional ainda sustenta um viés baixista para as cotações, uma vez que a expectativa de ampla oferta global continua predominando sobre os fatores de demanda.

Assim, embora a colheita brasileira deva ganhar ritmo ao longo de julho, o aumento da disponibilidade de pluma tende a ocorrer em um momento de mercado ainda pressionado, exigindo atenção dos produtores quanto às estratégias de comercialização e gestão da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Recorde das exportações abre mercado para safra de 33,4 milhões de sacas

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O recorde brasileiro de exportações de café em agosto abre espaço no mercado para a entrada da nova safra de Minas Gerais, maior produtor nacional da bebida. O Estado deve colher 33,4 milhões de sacas de arábica em 2026, enquanto os embarques brasileiros dessa variedade cresceram 25,7% no último mês.

O Brasil exportou 4,155 milhões de sacas de 60 quilos de todos os tipos de café em agosto, maior volume já registrado para o mês. O resultado superou em 31% as 3,17 milhões de sacas enviadas ao exterior em agosto de 2025, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

A receita chegou ao equivalente a R$ 6,83 bilhões, considerada a cotação de R$ 5,13, com crescimento de 19,8% na comparação anual. O faturamento avançou menos que o volume, sinal de que o preço médio da cesta exportada ficou abaixo do observado um ano antes.

Embora o crescimento nacional tenha sido puxado principalmente pelos cafés conilon e robusta, produzidos em maior escala no Espírito Santo e em Rondônia, o desempenho do arábica tem impacto direto sobre Minas Gerais. A variedade representa quase toda a produção mineira e respondeu por 2,866 milhões de sacas exportadas pelo país em agosto.

O avanço ocorre no momento em que volumes maiores da safra mineira começam a chegar às cooperativas, armazéns e empresas exportadoras. As chuvas durante a colheita, principalmente em julho, atrasaram parte dos trabalhos e adiaram a entrada dos grãos no mercado.

A maior disponibilidade em agosto permitiu acelerar os negócios e atender pedidos que estavam represados. Para os cafeicultores do Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Zona da Mata e demais regiões produtoras, o aumento dos embarques representa uma saída importante para uma safra de bienalidade positiva e produção elevada.

Levantamento do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faemg Senar) estima a produção mineira de arábica em 33,4 milhões de sacas. O volume coloca o Estado próximo de responder sozinho por metade de todo o café produzido no Brasil.

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A recuperação das exportações ajuda a absorver essa oferta, mas não significa valorização automática para o produtor. A receita nacional cresceu porque o país embarcou quase 1 milhão de sacas a mais que em agosto de 2025. O preço médio obtido por saca, porém, apresentou retração.

Com base nos valores totais, cada saca exportada rendeu aproximadamente R$ 1.643 em agosto, ante cerca de R$ 1.797 no mesmo mês do ano passado. Essa conta representa a média de todos os tipos e formas de café vendidos pelo Brasil e não corresponde diretamente à cotação recebida pelo cafeicultor mineiro, mas mostra um mercado menos remunerador por unidade exportada.

O impacto dentro da propriedade dependerá da qualidade do grão, do tipo de contrato, dos diferenciais pagos por origem e certificação e da estratégia de comercialização. Cafés especiais e lotes de maior pontuação podem manter prêmios mesmo quando a média das exportações recua.

Minas possui vantagem nesse mercado por reunir regiões reconhecidas pela produção de arábicas diferenciados. Essa característica permite que cooperativas e produtores negociem não apenas volume, mas também origem, qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade.

No primeiro bimestre do ano-safra 2026/27, formado por julho e agosto, o Brasil exportou 7,204 milhões de sacas, aumento de 21,5%. A receita foi equivalente a aproximadamente R$ 11,5 bilhões, avanço de apenas 4,1%. Mais uma vez, a diferença mostra que a recuperação está concentrada no volume.

No acumulado de janeiro a agosto, o cenário ainda é negativo. As exportações brasileiras somaram 25,073 milhões de sacas, queda de 1,2%. A receita ficou próxima de R$ 45,1 bilhões, redução de 9,3% em relação aos oito primeiros meses de 2025.

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O resultado foi influenciado pelos estoques menores no início do ano. O Brasil vinha de um período de exportações elevadas e de produção abaixo do potencial, o que reduziu a quantidade disponível durante o primeiro semestre. A chegada da nova safra começou a modificar esse quadro em agosto.

Em Minas Gerais, o café respondeu por 57,1% de toda a receita das exportações do agronegócio estadual em 2025. O peso do produto faz com que variações de safra, preços e embarques tenham efeitos diretos sobre a renda dos municípios produtores, o movimento das cooperativas, a contratação de trabalhadores e o comércio regional.

O desafio é transformar o volume maior em receita para o produtor. Se a oferta crescer mais rapidamente que a demanda, compradores podem aumentar a pressão sobre os preços. Por outro lado, a retomada dos embarques reduz o risco de acúmulo excessivo nos armazéns e amplia a possibilidade de comercialização ao longo dos próximos meses.

Os gargalos portuários continuam sendo um obstáculo. Como Minas Gerais não possui saída para o mar, grande parte do café percorre longas distâncias até os complexos de Santos e do Rio de Janeiro. Atrasos, falta de espaço e mudanças nas escalas dos navios elevam os gastos com transporte e armazenagem.

A retirada das tarifas norte-americanas sobre os cafés brasileiros também reduz uma incerteza para Minas. Os Estados Unidos estão entre os maiores compradores do produto mineiro e representam um mercado importante para cafés arábicas e diferenciados.

O recorde de agosto confirma que há demanda para receber a safra que sai das lavouras mineiras. O resultado financeiro dentro da porteira, contudo, dependerá da qualidade entregue, da capacidade de armazenar e escolher o momento de venda e do comportamento dos preços internacionais. Para Minas, exportar mais será importante, mas preservar o valor de cada saca será decisivo.

Fonte: Pensar Agro

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