AGRONEGÓCIO
Compra e venda de imóveis rurais exige cautela e assessoria especializada para evitar prejuízos e garantir segurança jurídica
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Transações rurais são mais complexas do que parecem
A compra e venda de imóveis rurais requer atenção redobrada em relação às transações imobiliárias urbanas. As operações nesse segmento envolvem questões legais, ambientais, documentais e tributárias específicas, e qualquer descuido pode gerar prejuízos financeiros significativos ou até mesmo inviabilizar o negócio. Segundo especialistas, conhecer os riscos e contar com uma assessoria jurídica especializada é fundamental para assegurar segurança jurídica e evitar surpresas.
Verificação da matrícula é o primeiro passo essencial
Para o advogado Nassim Kassem, especialista em direito imobiliário no escritório Álvaro Santos Advocacia e Consultoria no Agro, o primeiro cuidado deve ser a análise da certidão da matrícula do imóvel, que precisa estar atualizada. “É preciso confirmar se o vendedor é, de fato, o legítimo proprietário. Casos envolvendo herdeiros ou contratos de gaveta exigem cuidados redobrados”, alerta o especialista.
Passivos e dívidas devem ser cuidadosamente avaliados
Dívidas, hipotecas, penhoras ou outras restrições podem impactar diretamente a negociação. Por isso, é indispensável solicitar documentos como:
- Comprovantes de pagamento do Imposto Territorial Rural (ITR) dos últimos cinco anos;
- Declarações do ITR;
- Certidões negativas federais, estaduais, trabalhistas, ambientais, de protestos e da Receita Federal.
Mesmo que existam pendências, Kassem explica que é possível buscar soluções jurídicas para viabilizar o negócio, desde que os objetivos do cliente sejam respeitados e o risco adequadamente administrado.
Imóveis arrendados exigem atenção especial
No caso de propriedades arrendadas, o comprador deve considerar que o arrendatário possui direito de preferência na compra. Além disso, contratos vigentes precisam ser respeitados, conforme prevê a legislação. Ignorar essa questão pode resultar em conflitos jurídicos e prejuízos futuros.
Aspectos ambientais não podem ser ignorados
Assim como os tributos, as obrigações ambientais estão vinculadas ao imóvel e podem ser cobradas do novo proprietário. Pendências como embargos, APPs irregulares ou desmatamento ilegal comprometem a utilização produtiva da propriedade.
A tecnologia tem sido uma aliada importante nessa verificação: drones e imagens de satélite ajudam na identificação de supressões vegetais ou áreas irregulares, permitindo antecipar e corrigir problemas antes que eles se tornem sanções.
Georreferenciamento será obrigatório a partir de novembro de 2025
Outra recomendação importante do advogado é a verificação da coerência entre a área registrada na matrícula e a área real do imóvel. A partir de 20 de novembro de 2025, o georreferenciamento será obrigatório para todos os imóveis rurais, independentemente do tamanho.
Diligência prévia de comprador e vendedor é indispensável
Além da análise da propriedade, é essencial realizar diligência prévia (due diligence) sobre os envolvidos na transação.
No caso do vendedor, o foco está na verificação da situação patrimonial e eventual estado de insolvência, o que pode configurar fraude e levar à anulação da venda.
Já quanto ao comprador, é preciso checar antecedentes criminais, histórico de transações e demandas judiciais. “Já lidamos com casos em que o comprador adquiria imóveis e não pagava, prejudicando seriamente os vendedores. A má-fé existe e precisa ser combatida com investigação prévia”, afirma Kassem.
Pós-venda também exige acompanhamento jurídico
A transação não se encerra com a assinatura do contrato. O acompanhamento jurídico deve continuar até a lavratura da escritura e registro em cartório, garantindo a transferência definitiva da propriedade. Também é necessário acompanhar pagamentos, prazos e eventuais pendências ao longo do processo.
Cinco orientações para uma compra rural segura
- Busque orientação especializada: conte com um advogado com experiência em direito imobiliário rural.
- Mapeie riscos e oportunidades: a análise preventiva garante segurança e evita prejuízos.
- Mantenha a documentação em dia: vendedores devem apresentar certidões, CAR, CCIR, ITR e matrícula atualizada.
- Verifique o registro do imóvel: compradores devem checar se a escritura está registrada em cartório.
- Acompanhe o pós-venda: o suporte jurídico garante o cumprimento do contrato até a conclusão formal da transação.
A aquisição ou venda de um imóvel rural exige uma abordagem técnica, preventiva e profissional. A assessoria jurídica adequada é decisiva para garantir segurança jurídica, evitar fraudes e assegurar a viabilidade do negócio em todas as suas fases.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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