AGRONEGÓCIO
Conab abre inscrições e destina até R$ 35 milhões para compra de sementes da agricultura familiar
AGRONEGÓCIO
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a destinação de até R$ 35 milhões para a aquisição de sementes e materiais propagativos da agricultura familiar em 2026. A iniciativa integra o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e tem como objetivo fortalecer a produção agrícola, promover a biodiversidade e ampliar o acesso a insumos para pequenos produtores em todo o país.
Associações e cooperativas interessadas já podem enviar seus projetos, com prazo aberto até o dia 13 de maio.
Recursos serão distribuídos em todo o país
Do total anunciado, R$ 30 milhões serão destinados a projetos da agricultura familiar em âmbito nacional. Outros R$ 5 milhões serão voltados especificamente para a formação e fortalecimento de bancos de sementes.
Os recursos serão repassados à Conab pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Programa amplia diversidade e fortalece segurança alimentar
Segundo a estatal, a iniciativa busca incentivar a produção e distribuição de sementes tradicionais, mudas e materiais propagativos, contribuindo para a preservação da biodiversidade e o fortalecimento da segurança alimentar.
Atualmente, o programa contempla mais de 55 espécies diferentes, ampliando o foco que antes era concentrado principalmente em culturas como milho e feijão.
A estratégia também visa apoiar comunidades rurais, assentamentos e povos tradicionais, garantindo acesso a insumos que favorecem a produção de alimentos.
Investimentos somam R$ 91 milhões nos últimos anos
O PAA Sementes tem registrado aumento nos investimentos recentes. Entre 2023 e 2026, os recursos destinados ao programa somam R$ 91 milhões.
A expectativa da Conab é que, somente neste ano, cerca de 3 mil agricultores familiares participem como fornecedores, beneficiando milhares de produtores em todo o Brasil.
Prazo e forma de envio dos projetos
As propostas devem ser elaboradas por meio do sistema PAANet, disponibilizado pela Conab.
Após o preenchimento, os projetos não devem ser enviados pela própria plataforma. As entidades precisam salvar os documentos e encaminhá-los por e-mail dentro do prazo de 30 dias, até 13 de maio.
Critérios exigem participação de mulheres e foco em sementes tradicionais
Para participar, os projetos devem atender a critérios específicos. Um dos principais é a exigência de participação mínima de 50% de mulheres do campo, das águas e das florestas.
As propostas devem ser voltadas exclusivamente à aquisição e doação de sementes e materiais propagativos locais, tradicionais, crioulos ou varietais. Não serão aceitas sementes híbridas ou geneticamente modificadas.
Além disso, não serão contemplados projetos voltados ao fornecimento direto de alimentos para consumo.
Limites de financiamento por projeto
Cada organização poderá acessar até R$ 1,5 milhão por ano dentro do programa. Já o limite por unidade familiar fornecedora é de R$ 15 mil.
Novas regras facilitam acesso ao programa
Uma das novidades desta edição é a flexibilização de exigências para participação das organizações.
Não será necessário que associações e cooperativas possuam Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ou Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) jurídica.
Por outro lado, os agricultores participantes individualmente continuam obrigados a apresentar CAF ou DAP. No caso de povos indígenas e comunidades tradicionais, também será aceito o Número de Identificação Social (NIS).
Critérios de seleção priorizam inclusão e sustentabilidade
Os projetos serão avaliados com base em oito critérios, que levam em conta o perfil dos participantes e as características das propostas.
Entre os principais pontos analisados estão:
- Participação de povos e comunidades tradicionais
- Inclusão de mulheres e jovens
- Presença de beneficiários de assentamentos
- Atuação em territórios de programas estratégicos
Também recebem pontuação adicional projetos que incentivem a agrobiodiversidade, como feiras e bancos comunitários de sementes, além de iniciativas com produção 100% orgânica.
Qualidade das sementes será requisito obrigatório
As sementes e materiais propagativos adquiridos deverão atender às normas técnicas vigentes.
Para garantir a qualidade, serão exigidos testes de umidade, germinação, vigor e ausência de transgenia. A entrega dos produtos estará condicionada à aprovação nos padrões estabelecidos pela Conab ou por instituições técnicas reconhecidas.
Iniciativa busca fortalecer produção e ampliar acesso a alimentos
A ação reforça a estratégia do governo de promover a produção sustentável e ampliar o acesso a alimentos por meio do apoio direto à agricultura familiar.
Ao incentivar a diversidade de culturas e fortalecer redes locais de produção, o programa contribui para o desenvolvimento rural e para a segurança alimentar em diferentes regiões do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil
As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.
Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.
Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural
O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.
Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.
De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.
Agro sente impacto de forma gradual
Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.
O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.
A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.
Inflação dos alimentos pode ganhar força
O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.
Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.
Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.
Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.
Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada
Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.
As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.
Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.
Agronegócio acompanha cenário com atenção
Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.
O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.
Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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