AGRONEGÓCIO
Conab confirma safra recorde de soja em 2024/25 e prevê novo crescimento para 2025/26
AGRONEGÓCIO
A produção de soja do Brasil na temporada 2024/25 deve totalizar 171,472 milhões de toneladas, um aumento de 13,3% em relação à safra anterior, quando foram colhidas 151,28 milhões de toneladas. O dado faz parte do 12º e último levantamento de acompanhamento da safra brasileira de grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Em agosto, a previsão era de 169,66 milhões de toneladas para a temporada, enquanto a safra 2023/24 também foi revisada para cima, passando de 147,74 milhões para 151,28 milhões de toneladas. O número final da Conab se aproxima da estimativa da consultoria Safras & Mercado, de 171,84 milhões de toneladas.
Área plantada e produtividade registram crescimento histórico
A área cultivada de soja em 2024/25 é estimada em 47,35 milhões de hectares, alta de 2,7% em relação ao ano anterior. A produtividade média nacional chegou a 3.621 kg/ha, ante 3.282 kg/ha na safra 2023/24, representando um aumento de 10,3%.
Segundo a Conab, o resultado histórico se deve ao aumento da área plantada e à melhora das condições climáticas, que favoreceram a produtividade. Goiás registrou a maior produtividade, com 4.183 kg/ha, enquanto o Rio Grande do Sul apresentou o menor rendimento, de 2.342 kg/ha, afetado por altas temperaturas e irregularidade nas chuvas entre dezembro e fevereiro.
Estoques e exportações devem crescer
A Conab revisou o estoque inicial da soja para 4,32 milhões de toneladas. A produção recorde permite maior oferta para exportação e consumo interno:
- Exportações previstas: 106,25 milhões de toneladas
- Consumo interno: 57 milhões de toneladas destinadas ao processamento
- Estoque de passagem estimado: 9,3 milhões de toneladas ao final do ciclo
Safra 2025/26 também deve superar recordes
Mesmo com aumento nos custos de produção e expansão de área mais moderada, a safra 2025/26 deve atingir 180,92 milhões de toneladas, segundo a Safras & Mercado, uma alta de 5,3% sobre a previsão final de 2024/25.
O plantio da próxima temporada deve ocupar 48,21 milhões de hectares, aumento de 1,2% sobre a área atual, com produtividade média estimada em 3.771 kg/ha, contra 3.625 kg/ha na safra 2024/25. O clima favorável sugere que os produtores podem quebrar novamente recordes de produção, consolidando o Brasil como líder mundial na produção de soja.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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