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Conflito no Oriente Médio Pressiona Preços de Fertilizantes e Margens do Agronegócio em 2026

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O agronegócio global enfrenta um cenário de alta incerteza com o atual conflito no Oriente Médio, que vem provocando interrupções significativas no transporte marítimo e elevando os preços de fertilizantes em todo o mundo. Segundo relatório da RaboResearch, os efeitos já impactam as cadeias de produção agrícola e pressionam as margens dos produtores.

Estreito de Ormuz: ponto crítico do fornecimento global

O Estreito de Ormuz é um gargalo logístico estratégico, responsável por aproximadamente 25% a 30% das exportações globais de fertilizantes nitrogenados. Com o conflito, o tráfego de navios na região caiu a níveis mínimos, afetando fluxos para o Golfo Pérsico, Norte da África e Mediterrâneo Oriental.

O impacto supera episódios anteriores, como o conflito de 12 dias entre Israel e Irã em 2025. Apenas 48 horas após os primeiros ataques, o preço da ureia no Norte da África saltou quase 20%, enquanto o gás natural na Europa subiu cerca de 45%.

Fertilizantes fosfatados e aumento nos custos de produção

Os produtores de fosfatados enfrentam pressão dupla. Insumos essenciais como enxofre e amônia registraram aumentos significativos, colocando em risco cerca de 50% do comércio global de enxofre.

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Nos últimos seis meses, as margens de lucro dos fabricantes de fosfatos caíram cerca de USD 300 por tonelada. Projeções indicam que um aumento adicional de 33% no preço da amônia poderia levar muitas empresas a operar com margens negativas, comprometendo a sustentabilidade da produção.

Vulnerabilidade europeia e impacto global

Embora a Europa dependa pouco diretamente do Golfo para fertilizantes, os efeitos indiretos chegam via fornecedores como Egito e Argélia. Além disso, a volatilidade do gás natural, usado como insumo para fertilizantes nitrogenados, torna a produção doméstica europeia cara e instável.

Dados regionais apontam que a instabilidade coloca em risco:

  • 44% das exportações globais de ureia;
  • 36% das exportações de rocha fosfática;
  • 47% das exportações globais de enxofre.
China e exportações estratégicas

A retomada das exportações chinesas de ureia é prevista apenas para o segundo trimestre de 2026, mas o cronograma é incerto. A China mantém cotas de exportação para proteger a estabilidade interna e garantir preços acessíveis aos agricultores locais. Caso a alta dos preços internacionais persista, o governo pode restringir ainda mais as vendas externas.

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Produtores rurais sob pressão

Os custos dos fertilizantes representam 40% a 50% das despesas variáveis na produção de grãos e oleaginosas. Com o aumento acelerado desses insumos e estoques globais de grãos ainda confortáveis, os produtores enfrentam dificuldade para repassar custos, reduzindo significativamente a rentabilidade no campo.

O cenário exige atenção e planejamento estratégico para mitigar riscos, incluindo negociação de contratos de fornecimento, gestão de estoques e acompanhamento de preços internacionais de fertilizantes e commodities.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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